Gerson Palermo, apontado como um dos principais integrantes do PCC, foi preso nesta terça-feira (26/5), na Bolívia, após passar seis anos foragido da Justiça brasileira. A captura aconteceu na região de Santa Cruz de La Sierra, durante uma operação conjunta entre a Polícia Federal e a Força Especial de Luta contra o Narcotráfico da polícia boliviana.
Segundo a Polícia Federal, Palermo era considerado um dos alvos prioritários das forças de segurança do país por envolvimento com tráfico internacional de drogas e outros crimes de grande repercussão. A expectativa da PF é que ele seja extraditado ou expulso da Bolívia para responder às condenações no Brasil.
A prisão acontece após anos de buscas e poucos meses depois de o Conselho Nacional de Justiça punir o desembargador aposentado Divoncir Maran pela decisão que permitiu a saída do criminoso do presídio de segurança máxima de Campo Grande, em 2020. Na época, Palermo conseguiu prisão domiciliar durante um plantão judicial. Horas depois de deixar a penitenciária, rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu.
A fuga se tornou um dos casos mais polêmicos do sistema prisional de Mato Grosso do Sul. A decisão judicial foi assinada em menos de uma hora e gerou questionamentos dentro da própria Justiça.
Condenado a quase 126 anos de prisão, Gerson Palermo acumula passagens por tráfico internacional de drogas, associação criminosa e participação em crimes violentos. Uma das condenações mais conhecidas envolve o sequestro de um avião da antiga Vasp, em 2000.
Na ação, criminosos tomaram um Boeing 737 que havia saído de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba. O avião foi obrigado a pousar no interior do Paraná, onde o grupo roubou milhões de reais transportados em malotes bancários. Pelo crime, Palermo recebeu uma pena superior a 66 anos.
Anos depois, ele voltou a ser alvo da Polícia Federal durante a Operação All In, deflagrada em 2017 para desmontar uma rota internacional de tráfico de cocaína. As investigações apontaram que drogas saíam da Bolívia em aeronaves e entravam no Brasil por Mato Grosso do Sul antes de serem distribuídas para outros estados.
Na operação, centenas de quilos de cocaína foram apreendidos e Palermo foi identificado como um dos líderes do esquema criminoso. As condenações apenas por tráfico somaram mais de 59 anos de prisão.
A Polícia Federal informou que a prisão aconteceu após troca de informações entre autoridades brasileiras e bolivianas. O órgão afirmou que o criminoso permanecerá à disposição da Justiça para os procedimentos legais.
*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia
