MINAS GERAIS

Mulher jogada de penhasco pediu medida protetiva contra o ex 4 dias antes

Polícia Civil afirmou que a diarista sequestrada e empurrada do penhasco pediu as ações de proteção dias antes de ser vítima do ex-companheiro na Grande BH

A diarista que foi sequestrada, agredida e empurrada de um penhasco na Serra do Rola-Moça, em Nova Lima, na Grande BH, havia pedido medida protetiva contra o ex-companheiro, de 52 anos, na última quinta-feira (21/5), quatro dias antes de ser raptada nessa segunda-feira (25/5). Ana Cláudia da Silva Souza, de 41, foi resgatada ontem (26/5) pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) depois de ficar quase 24 horas segurando-se na vegetação do penhasco, enfrentando frio e sede.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), a diarista também foi estuprada. No entanto, apesar de Silvanildo Amâncio de Araújo confessar ter jogado a vítima quando foi preso em flagrante, também nessa terça-feira, ele não comentou ter abusado da vítima. A PC informou, nesta quarta-feira (27/5), que ele foi preso pelos crimes de estupro e feminicídio tentado.

De acordo com a polícia, Silvanildo não superou o término da relação com Ana Cláudia da Silva Souza, com quem foi casado por 10 anos. Ele a sequestrou na segunda-feira, a agrediu e a levou para o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, onde a jogou de uma altura aproximada de 50 metros.

Segundo o suspeito, que confessou o crime à polícia, ele percebeu que Ana Cláudia estava viva depois de jogá-la e tentou ir até ela, mas, devido às irregularidades do penhasco e à vegetação, ele desistiu e fugiu. Ele viajou a noite toda até chegar em Corinto, no Norte de Minas, onde dormiu dentro do próprio carro.

Na manhã de ontem, ele foi para Várzea da Palma, na mesma região, onde foi preso às margens da MGC-469, próximo a um supermercado. De acordo com a PM, ele foi monitorado visualmente enquanto caminhava pela via e foi abordado. Ele não resistiu, confirmou sua identidade e confessou a autoria do crime.

Os policiais encontraram várias facas, o canivete utilizado para ameaçar a vítima, roupas e um celular embalado em papel-alumínio – prática frequentemente utilizada por criminosos na tentativa de dificultar rastreamentos via GPS. Segundo a PM, isso indica que ele tenha premeditado o crime.

Ele foi encaminhado à delegacia e as forças de segurança atuam nos desdobramentos da ocorrência. Ainda de acordo com a PC, Silvanildo foi encaminhado ao sistema prisional em seguida, onde segue à disposição da Justiça. Ainda não há informações sobre a audiência de custódia dele.

O caso

Ana Cláudia foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) na manhã dessa terça-feira e conseguiu andar e conversar normalmente após o resgate. Ela foi encontrada se segurando em uma árvore, o que indica uma queda entre 40 e 50 metros de altura. Ela virou à noite entre os mirantes do Morro dos Veados e do Planeta.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima foi resgatada consciente, orientada e conseguiu se comunicar. Os militares informaram que Ana Cláudia foi localizada em uma região de mata de difícil acesso, o que exigiu uma operação especializada para aproximação e retirada segura. A aeronave Arcanjo foi mobilizada com equipe médica para auxiliar na operação e realizar o transporte da mulher ao Hospital João XXIII, em BH, onde segue internada nesta quarta-feira.

Conforme o boletim de ocorrência, o desaparecimento começou a ser investigado depois que a filha mais velha da vítima acionou a polícia ao perceber que Ana Cláudia não havia retornado para casa. Por volta das 7h15 de segunda-feira, a mãe enviou uma mensagem à primogênita informando que havia deixado a filha, de 9 anos, na Escola Estadual Olívia Pinto, como fazia diariamente, antes de seguir para o trabalho, no Barreiro.

Ainda conforme a mensagem, ela teria visto o ex-companheiro correndo do outro lado da rua e se escondendo. A criança chegou a comentar que aquele era o carro do “papai”, mas disse não conseguir vê-lo dentro do veículo. A última mensagem enviada pela vítima foi registrada por volta das 8h. Horas depois, às 18h30, a filha mais velha recebeu uma ligação da patroa de Ana Cláudia informando que ela não havia chegado ao trabalho e também não atendia às ligações.

A jovem acionou o telefone 190 e informou o desaparecimento. Segundo a PMMG, um ex-genro do suspeito contou aos militares que conversou com ele por telefone. Durante a ligação, o homem afirmou que estava com a vítima no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, próximo ao Bairro Jardim Canadá, e ameaçou jogá-la de um penhasco.

O familiar tentou convencer o suspeito a desistir e pediu a localização exata para ajudá-lo. O homem concordou em informar o local, mas exigiu que ele fosse sozinho. No entanto, ao chegar ao ponto combinado, o suspeito já não estava mais lá e a vítima não foi encontrada.

Ana Cláudia é natural de Janaúba, no Norte de Minas. Ela deixou a cidade e passou a morar em Belo Horizonte, onde conheceu o ex-companheiro, que é natural da Bahia.

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