A rapidez da internet é propícia para a desinformação no campo da ciência e atrapalha o tempo para a pesquisa, alertou Morgana Bruno, bióloga, doutora em ecologia e professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), nesta quinta-feira (28/5), durante o CB Debate "O impacto da desinformação: da saúde à democracia".
O evento, uma realização do Correio Braziliense com promoção da CB Brands, reúne autoridades, pesquisadores e especialistas para discutir como conteúdos falsos ou manipulados têm afetado áreas como saúde pública, ciência, política e democracia.
“A internet facilita a inserção de empresas, incentivos que vão gerar a chamada ‘criação de dados’, que teriam o caráter científico, mas seriam informações falsas. A internet permite a divulgação rapidamente, mas a retratação é totalmente lenta”, pontuou ela.
De acordo com a pesquisadora, a internet possibilita uma “deformação de dados”, apesar de ser uma importante ferramenta para ciência, educação e divulgação da produção científica.
Para além da velocidade na disseminação de informações, o amplo alcance que a internet propicia, potencializa o poder de convencimento, o que torna a legislação no âmbito das empresas de tecnologia, as chamadas big techs, muito necessária. “O alcance que você tem da desinformação é muito maior que o da retratação. A polêmica é gerada e incentivada com outras informações falsas.”
“Essa chuva de informações que vai guiada, impulsionada e tem tudo a ver, com certeza, com os interesses políticos e econômicos. O controle jurídico é por isso, essas big techs têm um potencial enorme, inclusive com acesso à informação. Tudo com que trabalhamos fica em rede, quem tem acesso a isso? É só você, é só o seu grupo?”, questionou Morgana.
Médicos influencers
A desinformação em relação à eficácia de vacinas, que foi ampliada durante a pandemia da covid-19, é apenas uma parte do problema. “A questão da vacinação desaparece um pouco quando você vai a fundo e observa a automedicação, por exemplo.”
Outro exemplo apontado pela bióloga Automedicação são os “médicos influencers” das redes sociais. “A pessoa parte daquilo como se fosse algo seguro.”
“E eles (médicos influencers) indicam o uso de anabolizantes, vendem tratamentos, dietas. E quantos jovens, quantas pessoas são prejudicadas por algo que é extremamente sério. (...) A população não tem nenhum filtro”, comentou ela.
Além disso, segundo Morgana, informações falsas no ambiente da internet podem ser um obstáculo para o acesso a serviços de saúde, problema que “a ciência não consegue sanar a tempo”.
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