
O chefe de gabinete adjunto da Presidência da República, Swedenberger Barbosa, afirmou nesta quinta-feira (28/5) que a desinformação vai além das chamadas fake news e representa uma estratégia que enfraquece a confiança nas instituições públicas, na ciência e na democracia.
Ao abordar os impactos da pandemia da covid-19, ele destacou o conceito de “infodemia”, caracterizado pelo excesso de informações desencontradas que facilita a circulação de conteúdos falsos.
“Eu queria colocar de uma forma um pouco mais ampla do que as fake news que a gente está acostumada a encontrar. A infodemia pode ser entendida como um conjunto de exagero de informações, muito mais informações do que a sociedade precisa para entender determinados fenômenos, e no meio desse excesso de informações você embute a desinformação, as fake news”, disse.
A declaração foi dada na abertura do CB Debate “O impacto da desinformação: da saúde à democracia”. O evento, uma realização do Correio Braziliense com promoção da CB Brands, reúne autoridades, pesquisadores e especialistas para discutir como conteúdos falsos ou manipulados têm afetado áreas como saúde pública, ciência, política e democracia.
Segundo Barbosa, a disseminação de notícias falsas durante a pandemia levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a lançar uma declaração pública alertando para os riscos da infodemia. Ele citou como exemplos conteúdos falsos amplamente compartilhados no Brasil, como a ideia de que vacinas alterariam o DNA humano, inseririam microchips no corpo ou que máscaras fariam mal à saúde.
“O que isso provoca? A desconfiança da informação oficial e das instituições públicas. E quando parte dessas instituições públicas estimula essas questões como sendo verdadeiras, a gente chega na negação da ciência”, afirmou.
O representante do governo federal classificou o período recente como um caso de “negacionismo institucionalizado” no país. “Chega no chamado negacionismo institucionalizado no Brasil. Foi isso que nós vivemos recentemente no governo anterior ao deliberadamente estimular que as desinformações de saúde fossem utilizadas como método para que a população enfrentasse a covid-19. Não há meio termo pra isso”, declarou.
Barbosa afirmou que, ao assumir o governo em 2023, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva priorizou a retomada das campanhas de vacinação e a reconstrução da confiança nas políticas públicas de saúde. Segundo ele, a gestão federal passou a orientar suas ações com base em evidências científicas e na articulação entre os Três Poderes.
8 de janeiro
Ele também relacionou os ataques de 8 de janeiro de 2023 ao avanço da desinformação e ao descrédito institucional. “Os eventos que ocorreram em 2023, especialmente o de 8 de janeiro, não tenho dúvida, têm a ver com esse tema que nós estamos discutindo aqui. Que é você desacreditar as instituições, desacreditar nas informações, confundir e fazer com que a infodemia seja um elemento estratégico de um processo que nega a institucionalidade e a democracia”, afirmou.
Ao defender políticas de educação midiática e fortalecimento dos canais oficiais de informação, Barbosa disse que o objetivo do governo é transformar o Brasil em “uma referência de mudança histórica na proteção à vida, à saúde e à democracia”.

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