SAÚDE

Ministério da Saúde suspende vacina contra dengue do Butantan

Segundo informações do ministério, 42 pessoas tiveram reações adversas severas

O ministro Alexandre Padilha durante coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (8/6) -  (crédito: Reprodução/YouTube)
O ministro Alexandre Padilha durante coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira (8/6) - (crédito: Reprodução/YouTube)

Durante coletiva na tarde desta segunda-feira (8/6), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a suspensão temporária da estratégia de aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves registrados pelo sistema nacional de vigilância pós-vacinação. A decisão foi tomada com base na recomendação do Comitê Nacional de Farmacovigilância e afeta a vacinação de profissionais da atenção primária à saúde em todo o país, além de moradores de áreas que participavam da estratégia de imunização. Segundo o ministro, a medida segue o princípio da precaução e permanecerá em vigor até que sejam concluídas todas as investigações necessárias.

Em nota ao Correio, o Instituto Butantan também se manifestou. A entidade reforçou que "a medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação". Leia a nota na íntegra no final do texto.

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De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 500 mil doses do imunizante foram aplicadas desde o início da estratégia. Nesse universo, foram identificados 42 episódios de reações severas temporalmente associadas à vacinação. Os registros equivalem a cerca de oito casos graves para cada 100 mil doses aplicadas. Entre essas ocorrências, três situações chamaram a atenção das autoridades sanitárias por apresentarem evolução clínica mais grave. Duas dessas pessoas morreram.

Padilha destacou que “não existem dados suficientes para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses casos”, mas afirmou que os episódios representam um sinal de alerta que justifica a interrupção temporária da aplicação.

O primeiro caso envolve uma mulher de 39 anos que apresentou febre, mialgia e náuseas seis dias após receber a vacina. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, o que levou à internação em unidade de terapia intensiva (UTI). Após receber atendimento médico, a paciente apresentou melhora clínica e recebeu alta hospitalar.

O segundo registro refere-se a uma mulher de 48 anos que desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após a vacinação. A paciente apresentou comprometimento neurológico caracterizado como meningoencefalite e o caso evoluiu para óbito. Já o terceiro episódio ocorreu com um homem de 58 anos que iniciou quadro febril cinco dias após receber o imunizante. A situação avançou rapidamente para dengue grave com choque refratário e também resultou em morte.

Durante o anúncio, Padilha ressaltou que os três casos graves permanecem sob investigação e que, até o momento, não há elementos científicos suficientes para confirmar que a vacina tenha provocado os eventos observados. Segundo o ministro, os estudos clínicos realizados antes da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) envolveram cerca de 11 mil participantes e não identificaram parte dos eventos observados agora. Por essa razão, Ministério da Saúde, Anvisa e Instituto Butantan irão aprofundar as análises para verificar possíveis fatores associados aos casos, incluindo condições de saúde dos pacientes, histórico clínico, aspectos relacionados à aplicação das doses e outros elementos que possam ajudar a esclarecer as ocorrências.

A suspensão ocorre em um momento em que o país registra redução expressiva dos indicadores relacionados à dengue. Segundo dados apresentados pelo ministro, o Brasil contabilizou queda de 92% no número de casos da doença e redução de 97% os óbitos ao comparar os cinco primeiros meses de 2026 com o mesmo período de 2024. Até 30 de maio deste ano, foram registradas 178 mortes por dengue, enquanto no mesmo período de 2024 o número chegou a 1.791. O total de óbitos fechados em 2025 foi de 632. Para o Ministério da Saúde, os resultados refletem a combinação de diferentes estratégias de enfrentamento da doença, incluindo ações de vigilância, combate ao mosquito transmissor e ampliação da vacinação.

Ao defender a decisão adotada, Padilha destacou que a credibilidade do Programa Nacional de Imunizações (PNI) está diretamente ligada ao compromisso com a ciência e à transparência na condução das políticas públicas de saúde. O ministro lembrou que o Brasil alcançou em 2025 a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, superando 90% em diversos imunizantes do calendário nacional. Também citou o avanço da vacinação contra o HPV, que atingiu quase 90% das meninas e cerca de 80% dos meninos, índices superiores à média mundial. “O Programa Nacional de Imunizações ajudou a erradicar doenças, recuperar certificados internacionais e salvar milhões de vidas. Seguiremos tomando decisões baseadas em evidências científicas e na proteção da população brasileira”, afirmou. Segundo ele, as pessoas que já receberam a vacina permanecem protegidas e devem apenas manter acompanhamento, especialmente nos 21 dias seguintes à aplicação, período considerado importante para a observação de possíveis eventos adversos.

Leia a nota do Instituto Butantan sobre a suspensão da vacina:

"O Instituto Butantan informa que, seguindo orientação do Ministério da Saúde e da Anvisa, a vacinação contra a dengue será, de maneira preventiva, temporariamente interrompida para reavaliação da estratégia vacinal.

No momento, profissionais de saúde estavam sendo vacinados. A orientação ocorre em razão de alguns casos de reação adversa detectados, três deles com sinal de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil vacinados, que podem ou não estar relacionados à vacinação. A medida visa garantir a segurança da população nas próximas etapas da vacinação.

O Instituto Butantan mantém seu compromisso e rigor absoluto com a ciência e a saúde da população e irá seguir trabalhando para apoiar o Ministério da Saúde e a Anvisa, fornecendo todas as informações disponíveis sobre a vacina, realizando novos estudos e acompanhando o trabalho de farmacovigilância dos vacinados. Cabe ressaltar que a vacina teve eficácia global de 79,6% e 89% contra a dengue grave em estudo publicado em revista científica internacional. Nos três municípios onde houve vacinação em massa da população – Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), o acompanhamento de farmacovigilância se mostrou positivo, sem casos importantes de reação adversa na população.

O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população atendida pelo SUS. O Instituto Butantan reafirma seu compromisso de entregar produtos seguros e eficazes para enfrentamento de problemas de saúde pública brasileira pelo SUS."

*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes

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postado em 08/06/2026 14:57 / atualizado em 08/06/2026 16:22
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