Mudanças climáticas

El Niño está de volta e trará impactos na conta de luz e nos preços dos alimentos

A agência meteorológica dos EUA confirmou a formação do fenômeno que pode alterar chuvas, temperaturas e até influenciar a conta de luz e os alimentos

Fenômeno El Niño capturado pela Nasa -  (crédito: Reprodução/Nasa)
Fenômeno El Niño capturado pela Nasa - (crédito: Reprodução/Nasa)

O anúncio da formação do El Niño pela NOAA, a agência meteorológica dos Estados Unidos, acendeu um alerta para mudanças no clima brasileiro para os próximos meses. Oficializado na última quinta-feira (11/6), o fenômeno deve ganhar força ao longo do segundo semestre e permanecer ativo pelo menos até o verão de 2027. Seus efeitos podem alterar os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do país, com reflexos que vão desde o aumento do risco de enchentes e secas até impactos na conta de luz e nos preços dos alimentos.

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e muda os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.

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Segundo informou a meteorologista Andrea Ramos ao Correio, o episódio apresenta atualmente uma anomalia positiva de aproximadamente 0,7°C na região conhecida como Niño 3.4, uma das principais áreas monitoradas para identificação do fenômeno.

Isso significa que "o El Niño de 2026 encontra-se em fase inicial de desenvolvimento e é classificado, no momento, como um evento de intensidade fraca a moderada, porém já suficientemente significativo para iniciar modificações na circulação atmosférica de grande escala".

Ainda de acordo com a especialista, diferentemente dos eventos históricos de 1997/98 e 2015/16, considerados extremamente intensos, o fenômeno atual apresenta uma evolução mais gradual. Ainda assim, o cenário climático global, marcado pelo aquecimento dos oceanos, pode potencializar seus efeitos nos próximos meses.

Como o El Niño pode afetar o Brasil e o dia a dia da população?

Os impactos do El Niño variam conforme a região do país, mas seguem padrões observados em eventos anteriores.

No Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a expectativa é de aumento da frequência e da intensidade das chuvas. A maior atuação de frentes frias e episódios de precipitação persistente elevam o risco de alagamentos, enchentes e deslizamentos, principalmente entre o final do inverno e a primavera. Além dos prejuízos causados por eventos extremos, a população pode enfrentar transtornos urbanos, como interrupções no trânsito e danos à infraestrutura.

Já no Sudeste, a influência tende a aparecer por meio de chuvas mais irregulares e períodos de calor mais intenso, especialmente durante episódios de bloqueio atmosférico. No Centro-Oeste, uma das principais preocupações é a possibilidade de atraso no início da estação chuvosa e a ocorrência de períodos secos mais prolongados.

No Norte e no Nordeste, sobretudo na Amazônia e no semiárido nordestino, o fenômeno costuma provocar redução das chuvas. Como consequência, aumenta o risco de estiagem, queda dos níveis dos rios e maior ocorrência de queimadas. Nessas regiões, a diminuição das precipitações também pode comprometer o abastecimento de água e agravar períodos de seca.

O setor energético pode ser um dos principais afetados. A diminuição das chuvas em áreas importantes para a geração hidrelétrica pode exigir maior acionamento de usinas termelétricas, que têm custo mais elevado de operação. Além disso, temperaturas mais altas costumam aumentar o consumo de energia elétrica dentro das casas dos brasileiros por causa do uso mais frequente de ventiladores e ares-condicionados. 

Além disso, na saúde, o fenômeno pode contribuir tanto para problemas associados ao calor e à baixa umidade do ar quanto para o aumento de doenças respiratórias em determinadas regiões e períodos do ano.

Impacto nos alimentos

Os reflexos do El Niño também podem chegar ao bolso dos consumidores.

A meteorologista explica que as mudanças nos padrões de chuva e temperatura afetam diretamente a produção agrícola. No Sul, o excesso de precipitação pode dificultar o plantio e a colheita, além de favorecer doenças em culturas como soja, milho e trigo.

No Centro-Oeste, a irregularidade das chuvas pode comprometer o calendário agrícola e prejudicar o desenvolvimento das lavouras. Já no Norte e Nordeste, a redução das precipitações pode causar perdas em áreas mais vulneráveis à falta de água.

Como consequência, a produção agrícola pode sofrer oscilações, influenciando a oferta de produtos e contribuindo para variações nos preços dos alimentos.

Regiões que exigem mais atenção

Entre as áreas que demandam maior monitoramento estão o Sul do país, devido ao risco de chuvas intensas e enchentes, e a Amazônia, onde a redução das chuvas pode favorecer estiagens severas e incêndios florestais.

Diante desse cenário, a especialista recomenda que a população acompanhe os alertas meteorológicos e que gestores públicos reforcem ações de monitoramento, prevenção e resposta a eventos extremos. O planejamento antecipado, especialmente em áreas vulneráveis a enchentes ou secas, é apontado como uma das principais ferramentas para reduzir os impactos do fenômeno.

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postado em 15/06/2026 21:58
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