
O disparo de mensagens pelo sistema de alarmes da Defesa Civil na madrugada deste sábado (20/6) deu um susto nos brasileiros. Após o barulho da madrugada, agora a dúvida é sobre a autoria da invasão. Em entrevista ao Correio, Marcos Pitanga e Ewerton Oliveira, donos da Bi4.0: Soluções Digitais, especialistas em segurança digital, debateram sobre a origem do disparo.
"O ataque não nos surpreende. O modus operandi e a forma como se apresentou nas mídias indicam um tipo de hacker estreante, isso está claro para mim", comenta Pitanga.
Segundo o especialista em perícia digital, as evidências apontam para um vazamento de credenciais de acesso ao ativo operacional Interface de Divulgação de Alertas Públicos (IDAP). Na prática, alguém pode ter acessado o sistema usando senhas já criadas, sem necessariamente fazer uma invasão de infraestrutura.
"Eu nem acho que seja um hacker. Ele (o invasor) usou uma credencial válida e operou. A coisa mais fácil é pegarmos credenciais gratuitas na dark web. Qualquer um pode pegar e acessar", disse.
Mas quem invadiu?
Questionado se é possível saber exatamente a identidade de quem acessou o sistema da Defesa Civil, Pitanga explica que a investigação deve ser restrita à polícia, e que especialistas em segurança cibernética ajudam apenas a levantar pistas.
"Quem aponta a autoria é a polícia, mas todos os indícios indicam o uso de credenciais disponíveis na dark web. Não podemos esperar que a polícia vá fazer (a investigação) de uma hora para outra, de forma simples e rápida, mas não existe crime perfeito", argumenta.
Vazamento de dados
O especialista em segurança cibernética também fez um alerta sobre o vazamento de dados. Pitanga explica que o uso de credenciais de acesso guarda vulnerabilidades e que estas podem ser usadas por criminosos.
"Toda a política de segurança cibernética pode ser furada por um funcionário. Há um alarde (sobre invasões), mas é um problema comum de vazamento de dados. Mesmo que a Defesa Civil tenha um sistema de segurança eficiente, o uso indevido de credencial do meio interno para o externo, a questão comportamental, é um risco", conclui.

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