O governo federal decidiu manter temporariamente restrito o acesso dos estados ao sistema Defesa Civil Alerta após o incidente cibernético registrado na madrugada do último sábado (20/6). Com isso, eventuais avisos relacionados a eventos climáticos extremos deverão ser enviados pelas Defesas Civis estaduais por meio do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres, responsável por realizar os disparos a partir de Brasília.
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a plataforma continua em funcionamento, mas opera em ambiente fechado e exclusivo para o centro nacional. O sistema chegou a ser retirado do ar logo após o episódio e ainda passa por testes e verificações antes da retomada integral.
O coordenador-geral de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil Nacional, Tiago Schnorr, informou que não há previsão para o restabelecimento completo da ferramenta. De acordo com a pasta, as equipes de tecnologia da informação seguem revisando protocolos e mecanismos de segurança para garantir a estabilidade da operação.
Em nota, ministério afirmou que as apurações sobre o incidente continuam em andamento e que ainda não há conclusões sobre a autoria ou a forma de invasão ao sistema.
"As investigações seguem em andamento para identificar a origem da invasão e a forma de acesso à plataforma. Até o momento, o ministério não confirma hipóteses sobre a autoria ou a dinâmica do ataque, aguardando a conclusão da apuração técnica e policial."
Paralelamente, a Polícia Federal instaurou, no sábado (20/6), uma investigação preliminar para esclarecer o ocorrido. Esse procedimento antecede a abertura formal de inquérito policial e busca reunir elementos iniciais sobre a possível invasão.
O alerta
O episódio ocorreu após o envio de alertas sonoros contendo a palavra "misantropi4", termo associado ao ódio à humanidade. As notificações foram emitidas entre 23h41 de sexta-feira (19/6) e 1h23 de sábado (20/6), acionando o nível "Extremo" do sistema, reservado a situações de ameaça iminente à população. Segundo o governo, os disparos ocorreram fora do padrão operacional normalmente adotado pela plataforma.
A principal hipótese investigada é a de um ataque hacker. Até o momento, porém, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional não informou se a ação teria sido praticada por uma única pessoa ou por um grupo, nem divulgou informações sobre a possível origem dos responsáveis.
Como medida de segurança, o governo suspendeu as contas de usuários relacionadas ao incidente e bloqueou todos os acessos externos à Interface de Divulgação de Alertas Públicos. Atualmente, o sistema opera com dois níveis de aviso: o severo, utilizado em situações que exigem medidas preventivas, e o extremo, destinado a cenários de risco elevado à vida e ao patrimônio, com emissão de alerta sonoro mesmo em aparelhos configurados no modo silencioso.
