Entre janeiro e março deste ano, cerca de 52% dos adolescentes e jovens de 14 a 24 anos estavam dentro das salas de aula, o que representa 17 milhões de pessoas. Desses, 12,8 milhões (39% do total) se dedicam apenas aos estudos, enquanto 4,3 milhões (13,2%) conciliam as aulas com o trabalho.
Por outro lado, 9,6 milhões das pessoas nessa faixa etária (29,1%) apenas trabalham, e 6,2 milhões (18,7%) não estudam nem trabalham.
Os números fazem parte do estudo Diagnóstico da Juventude Brasileira, lançado nesta quinta-feira (25/6). e produzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do 1º Trimestre de 2026.
Ao todo, 13,9 milhões estão inseridos no mercado de trabalho, ou 42,2% do total.
Em relação à função exercida pelos jovens no mercado de trabalho, cerca de 11,6 milhões (84%) trabalham em ocupações generalistas, 1,24 milhão como balconistas e vendedores, 1,07 milhão como escriturários gerais, 394 mil como auxiliares de construção, e 391 mil como recepcionistas. Apenas 2,15 milhões estão em funções que precisam de ensino superior ou técnico.
Já sobre a escolaridade, 24,01 milhões (73%) possuem ao menos o ensino médio completo, 2,3 milhões (6,9%) frequentam o ensino superior, e 944 mil (2,8%) já concluiu o superior.
Ainda falta oportunidade
Segundo o superintendente institucional e de inovação do CIEE, Rodrigo Dib, é necessário melhorar significativamente a qualidade das oportunidades para o jovem. “Ao analisarmos a taxa de informalidade juvenil, notamos que ela atinge os 40%, o que indica que 40% de todos os jovens trabalhadores estão na informalidade”, analisa.
Ele ainda aponta que mais de 70% das funções no mercado de trabalho são posições administrativas, que tendem a ser substituídas pela inteligência artificial.
“Observamos que o jovem trabalha em posições de baixa complexidade, com pouco potencial de crescimento e desenvolvimento, especialmente no contexto deste novo mundo tecnológico. Ele ainda é empregado em funções predominantemente administrativas e operacionais, recebendo salários muito baixos”, entende.
“O cenário também mostra que esses jovens permanecem pouco tempo no emprego. Portanto, precisamos garantir que estejam mais capacitados para migrar para outras posições, mantendo-se sempre no mercado formal", analisa ainda.
Os jovens de 18 a 24 anos que estão desocupados representam 13,8%, enquanto os adolescentes de 14 a 17 são 25,1% das respectivas faixas etárias. O relatório revelou que 57,8% dos empregados possuem carteira assinada, um total de 8 milhões de vínculos formais. Já a taxa de informalidade é de 72,8% entre adolescentes e 39,4% entre jovens.
Aprendizagem e estágio
Dib entende que, para que o jovem continue na escola, é preciso fomentar os programas oficiais de ingresso ao mercado de trabalho. “O programa Jovem Aprendiz pressupõe que o jovem precise continuar estudando. Se ele está no ensino médio, por exemplo, a permanência na escola é obrigatória, o que funciona como uma ótima alavanca. O estágio também auxilia, pois pressupõe o vínculo com a escola ou com a faculdade”, diz.
Até março, o Brasil tinha 708 mil jovens aprendizes, sendo 53% meninas. No entanto, a desigualdade se mostra prevalente quando apenas 4.303 são pessoas com deficiência.
Também é possível notar a desigualdade regional: a região Sudeste representa 48% (341 mil) dos aprendizes, enquanto o Norte tem apenas 5,5% (39 mil). Em São Paulo, o número é de 196,2 mil. Além disso, os meninos recebem 8,4% a mais.
“Existe uma disparidade significativa entre as regiões do país, inclusive em termos quantitativos. O Nordeste, por exemplo, é uma região com muitos jovens, mas que apresenta um número reduzido de aprendizes. O proporcional não é equilibrado quando comparamos o tamanho da população jovem da região com o número de aprendizes contratados. Essa situação também acaba evidenciando uma diferença em termos raciais”, analisa Rodrigo.
Mais de 1,5 milhão de alunos participam de programas de estágio não obrigatório, recebendo uma bolsa média de R$ 1.075. Já os estágios obrigatórios representam 247 mil alunos.
*Estagiária sob a supervisão de Victor Correia
Maria Beatriz Giusti*
Estagiária da editoria de PolíticaEstudante de jornalismo que ama a comunicação