Violência digital

Violência digital contra mulheres cresce 188%; governo reforça o Ligue 180

Ministério das Mulheres lança campanha "O digital é nosso lugar" para afirmar a internet como espaço de cidadania, liberdade e proteção

O número de violências no ambiente digital contra mulheres registradas pela Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) registrou alta de 188,6% na comparação entre os primeiros cinco meses de 2025 e 2026 – saltando de 5.795 para 16.725 ocorrências. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que o nível de confiabilidade no canal tem aumentado, o que pode explicar o crescimento no número de denúncias. "Diminuir as subnotificações é fundamental", disse a ministra à imprensa nesta segunda-feira (22/6).

Para atender as mulheres vítimas de violência digital, o Ligue 180 passou a operar com protocolo e qualificação, além do reforço no atendimento já existente. A iniciativa é realizada em parceria entre o Ministério das Mulheres e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, no âmbito do Pacto Brasil entre os Três Poderes contra o Feminicídio.

A atualização inclui a capacitação das atendentes, iniciada em 9 de junho, e a reformulação do sistema de registro. A qualificação integra a campanha nacional "O digital é nosso lugar", lançada pelo Ministério das Mulheres para afirmar a internet como espaço de cidadania, liberdade e proteção. Com o mote “Nossa conexão é livre. Proteja. Denuncie. Ligue 180”, a ação busca traduzir para a população os avanços do Decreto nº 12.976/2026, que estabelece diretrizes para a proteção de mulheres na internet.

Dados mostram predominância de mulheres negras entre as vítimas de violência digital no Brasil, que representam 48,0% dos registros (4.362), sendo 37,5% mulheres pardas (3.409) e 10,5% mulheres pretas (953). Em seguida, aparecem as mulheres brancas, com 34,2% dos registros (3.105). A faixa etária com maior número de denúncias foi a de 35 a 44 anos, responsável por 21,6% dos casos (1.965).

Considerando as faixas de 25 a 49 anos, foram registradas 4.610 denúncias, o equivalente a 50,8% do total. Os dados também indicam que 25,7% das vítimas (2.329) tinham ensino médio completo e que 45,9% (4.168) estavam entre mulheres sem rendimento ou com renda de até um salário-mínimo. Entre os tipos de violência sofridas pelas mulheres no ambiente digital estão crimes sexuais e contra a intimidade; perseguição; cyberbullying; assédio; crimes contra a privacidade, violência política e outros.

Nesse sentido, a ministra das Mulheres frisou a importância do diálogo e colaboração dos estados com o governo federal. Segundo Márcia Lopes, oito estados ainda não assinaram acordo de cooperação de técnica com o Ministério: Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rondônia, Amazonas, Espírito Santo  e Goiás.

A ministra Márcia Lopes também ressaltou a importância da aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia. Há expectativa de o PL ser votado no Plenário da Câmara ainda neste mês. A proposta foi aprovada no Senado em março. Para a ministra, esse é um dos projetos mais "estratégicos e importantes" no âmbito da proteção às mulheres. "A aprovação do projeto também significa poder dialogar com todas as demais políticas públicas", cita.

 

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