O empresário Luis Eulalio de Bueno Vidigal Filho morreu nesta segunda-feira (29/6), aos 87 anos, em São Paulo. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês e tratava uma doença renal crônica. O velório será realizado na terça-feira (30/6) no cemitério Parque Morumbi, a partir 9h e o sepultamento será às 15h.
Luis Eulalio foi uma das principais lideranças da indústria brasileira na década de 1980. O empresário presidiu a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) entre 1981 e 1986 e ocupou o cargo de primeiro vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). À frente da entidade, tornou-se um dos principais porta-vozes do setor produtivo durante o processo de redemocratização do país.
História profissional de excelência
Natural de São Paulo, Luis Eulalio nasceu em 26 de março de 1939. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), também fez pós-graduação em Administração de Empresas na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. Herdeiro de uma tradicional família ligada à indústria, comandou a Cobrasma entre 1980 e 1993.
Em 1980, liderou um movimento de renovação empresarial e venceu a disputa pela presidência da Fiesp, encerrando uma sequência de oito mandatos consecutivos de Theobaldo De Nigris. Durante a gestão, defendeu políticas voltadas ao fortalecimento da indústria, à modernização tecnológica e à redução da intervenção do Estado na economia.
Também atuou na reorganização da representação empresarial em um período marcado pelo fortalecimento do movimento sindical e pela abertura política do Brasil. Defendia o diálogo entre empresários, trabalhadores e governo como caminho para o desenvolvimento econômico.
Ao longo da carreira, participou de diferentes conselhos e entidades empresariais e públicas. Foi presidente do Sindipeças, membro do Conselho Monetário Nacional, da Comissão Provisória de Estudos Constitucionais e do Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo. Em 2008, ele recebeu o título de presidente emérito da Fiesp.
Além disso, também foi vice coordenador da Seção Brasileira do Conselho Industrial do Mercosul, membro da Seção Brasileira do Conselho Empresarial Argentina-Brasil e do Comitê Empresarial Nipo-Brasileiro, e presidente da Seção Brasileira do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, tendo sido escolhido como “Homem do Ano” de 1986 da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.
Meses antes da morte, ao relembrar a trajetória, afirmou que era grato pelas oportunidades de contribuir com a indústria brasileira e disse ter aprendido "com os erros e com os acertos" ao longo da carreira.
“Sou grato à vida por ter me dado tantas oportunidades de contribuir de alguma forma com a indústria brasileira e com o desenvolvimento do meu país. Sou grato também por ter convivido e trabalhado ao lado de tantas pessoas que, assim como eu, se esforçaram para fazer o seu melhor em benefício do Brasil”.
Luis Eulalio deixa a esposa, Lygia Fonseca Vidigal, que segundo ele foi “companheira de todas as horas e mulher certa para a minha vida por sua paciência e benevolência”, os filhos Luis Eulalio Neto, Silvia e Luis Fernando, e os netos Luís Eulalio, Pedro Eulalio, Pilar, João Pedro, Antônio, Luiza, Helena, Anna, Maria e Júlia.
