
“Estou duplamente horrorizado”, declarou o advogado Vinícius Mitre, de 66 anos, primo de Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, assassinada junto com o marido, Cláudio Atala Inácio, de 75, na segunda-feira (29/6), no apartamento em que moravam no Bairro São Pedro, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. A Polícia Civil investiga a possibilidade de que Mitre também tenha sido vítima da diarista.
Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, suspeita de ter matado o casal, trabalhava como diarista para Mitre desde outubro de 2025. O advogado afirma que o trabalho dela era exemplar e, por isso, a teria indicado para trabalhar na casa da prima.
Em 13 de junho, segundo o advogado, Paola trabalhou na casa dele. À noite, Mitre foi até um bar próximo à sua casa para assistir ao jogo do Brasil contra Marrocos, acompanhado da diarista. De lá, conforme conta, pediria um carro por aplicativo para a suspeita. Já no bar, conta, bebeu dois chopes e começou a se sentir mal.
Paola o acompanhou até sua casa e, chegando lá, ele vomitou, detalha. Segundo o advogado, a diarista então pediu o carro por aplicativo e foi para casa. No dia seguinte, Mitre conta que sentiu falta da carteira, onde estavam os cartões e cerca de R$ 700.
“De uma hora para outra, comecei a passar mal e me levantei para ir embora, minha cabeça começou a girar e, para você ter ideia, não me lembro de como cheguei em casa”, explicou.
No dia seguinte, Mitre foi ao bar, de onde é frequentador, em busca da carteira, mas não encontrou o objeto e registrou um boletim de ocorrência. No mesmo dia, recebeu notificação de dois bancos onde tem conta informando sobre tentativa de saque suspeita. O próprio sistema dos bancos impediu a transação e não houve mais prejuízo.
“Eu não posso acusá-la de roubo, porque eu não tenho provas. Mas eu não sou de perder a carteira”, declara o advogado.
Relembre o caso
Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio e Cláudio Atala Inácio foram encontrados mortos por facadas na última terça-feira (30/6) pelo filho do casal. A suspeita de cometer o crime, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, foi presa na noite dessa quarta-feira (1/7), em Itabira, na Região Central de Minas Gerais. Ela foi encontrada abraçada com o filho, de 6 anos, e não resistiu a prisão. À polícia, ela confessou ter cometido o crime.
Em depoimento, a diarista contou aos policiais que foi ao apartamento para realizar um serviço de limpeza e afirmou que já havia recebido elogios de familiares das vítimas pela qualidade do trabalho. Segundo a investigada, ela não saiu de casa com a intenção de cometer o crime. Afirmou que decidiu furtar os bens ao perceber joias, relógios e dinheiro durante a limpeza do quarto do casal.
No entanto, ainda conforme a confissão, o plano inicial era dopar as vítimas para facilitar o furto. Ela disse ter colocado quatro comprimidos de um medicamento de uso controlado, utilizado por ela para tratamento da depressão, em um suco preparado no liquidificador.
“Ela utilizou quatro comprimidos em um suco. Trinta a quarenta minutos depois eles começaram a adormecer”, explicou o delegado. A Polícia Civil apreendeu cerca de 50 comprimidos na bolsa da suspeita, o que indica que a ação tenha sido premeditada.
Enquanto recolhia os objetos, Cláudio teria despertado e percebido o furto. Segundo a polícia, Paola foi até a cozinha, pegou uma faca para ameaçá-lo, mas o advogado tentou reagir. Nesse momento, ela o atacou. A diarista disse não saber quantos golpes desferiu na vítima. Paola afirmou que Maria Clotilde ainda estava sonolenta em razão dos medicamentos, mas também foi assassinada. Ela voltou a dizer que ouvia “vozes” dizendo que deveria matar o casal.
Após constatar a morte das vítimas, aponta investigação, a suspeita se limpou, trocou de roupa, vestindo peças pertencentes à idosa, e lavou a faca utilizada no crime. Em seguida, recolheu diversos objetos de valor da residência. Segundo a Polícia Civil, foram levados cerca de R$ 18 mil, além de joias e relógios. Parte do dinheiro obtido com a venda dos bens já foi recuperada pelos investigadores.
Fuga
Após deixar o apartamento, Paola afirmou ter utilizado um carro para seguir até a região da Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte.
Ela disse ter pago R$ 40 pela corrida. A Polícia Civil acredita que o veículo seja de um motorista de aplicativo e pediu que o condutor procure a delegacia para prestar esclarecimentos. A principal suspeita de matar casal buscou filho antes de fugir
Motivação
A diarista afirmou que o crime teve motivação financeira. Segundo ela, apesar de já ter quitado uma dívida de R$ 40 mil com agiotas em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, queria dinheiro para “curtir a vida”.
Ela também declarou ser viciada em jogos de azar, compradora compulsiva e acumuladora de roupas femininas. A PC continua investigando o caso para esclarecer todos os detalhes do duplo homicídio e confrontar a versão apresentada pela suspeita com as demais provas reunidas. Segundo a corporação, o filho da suspeita foi entregue aos familiares.
