Diplomacia

Brasil e França encerram exigência de visto para brasileiros na Guiana Francesa

Acordo firmado em Brasília libera brasileiros com passaporte a partir de agosto e reforça integração na fronteira com o Amapá

Brasil e França selaram um acordo que encerra a exigência de visto para brasileiros que desejam entrar na Guiana Francesa a partir de agosto. A medida foi oficializada nesta quarta-feira (1º/7), durante agenda no Palácio Itamaraty, em Brasília, e altera as regras de circulação na fronteira amazônica entre o Amapá e o território francês.

A decisão foi formalizada em reuniões bilaterais que reuniram autoridades dos dois países, além da assinatura de atos. Participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, o governador do Amapá, Clécio Luís, e o ministro da Europa e dos Negócios Estrangeiros da França, Jean-Noël Barrot.

Com a mudança, brasileiros poderão entrar na Guiana Francesa apenas com passaporte, sem necessidade de visto prévio. Segundo autoridades envolvidas nas negociações, o fim da exigência elimina um entrave histórico à circulação entre os dois territórios e simplifica o fluxo na fronteira.

O governador do Amapá destacou o impacto social da medida, especialmente para famílias separadas pela fronteira. “Imagina uma mãe brasileira que não podia visitar um filho por causa de um obstáculo diplomático e financeiro. Isso agora deixa de existir na prática”, afirmou.

O acordo também formaliza o uso integral de estruturas de integração já existentes, como a ponte binacional e o espaço aéreo compartilhado, que até então operavam com restrições. Clécio Luís explicou que a utilização plena representa a consolidação de uma fronteira mais integrada. “Agora, a fronteira passa a funcionar de forma amigável e plena. A realidade social e a realidade jurídica passam a caminhar juntas”, disse.

Cooperação econômica

Ele também ressaltou o potencial econômico da decisão, afirmando que a facilitação do trânsito deve ampliar o comércio regional. “O Amapá tem muito a oferecer à Guiana Francesa, especialmente em alimentos e hortifrúti, com custos mais competitivos do que os produtos importados da Europa”, declarou.

Segundo o governador, a integração já existia de forma informal entre as populações locais, mas passa agora a ter respaldo diplomático. “O que havia era uma cooperação social que não tinha a mesma sustentação jurídica. Agora, isso se harmoniza”, completou.

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