A diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, presa nesta quinta-feira (2/7) suspeita de matar um casal de idosos em um prédio no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, roubou cerca de R$ 18 mil, joias e relógios. A informação foi divulgada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) na manhã desta quinta-feira (2/7).
De acordo com a PCMG, a diarista confessou o crime ao ser presa e afirmou que teve motivação financeira. Segundo ela, apesar de já ter quitado uma dívida de R$ 40 mil com agiotas em Ribeirão das Neves, na Grande BH, queria dinheiro para "curtir a vida".
Conforme a polícia, após constatar a morte das vítimas, a suspeita se limpou, trocou de roupa, vestindo peças pertencentes a idosa, e lavou a faca utilizada no crime. Em seguida, recolheu diversos objetos de valor da casa. Parte do dinheiro obtido com a venda dos bens já foi recuperada pelos investigadores.
Paola também declarou ser viciada em jogos de azar, compradora compulsiva e acumuladora de roupas femininas. A PC continua investigando o caso para esclarecer todos os detalhes do duplo homicídio e confrontar a versão apresentada pela suspeita com as demais provas reunidas.
Após confirmarem que a diarista estava hospedada no It Itabira Hotel, na Região Central de Minas, equipes da Polícia Civil saíram de Belo Horizonte por volta das 20h30 de quarta-feira (1/7). De acordo com o delegado Barletta, a suspeita atendeu os policiais já bastante abalada, chorando e abraçada ao filho sobre a cama do quarto.
Conforme o investigador, Paola afirmou que já esperava ser presa diante da repercussão do caso. "Ela disse que se sentia envergonhada ao se ver na televisão o tempo todo e que nem queria mais sair à rua", relatou.
Segundo o delegado Gustavo Barletta, responsável pelas investigações, a suspeita demonstrou forte instabilidade emocional durante o interrogatório. “É uma pessoa bastante confusa, mentalmente falando, apresenta falas desconexas. Ela disse que não tem nenhum juízo e pediu perdão à família das vítimas, afirmando que agora quer reerguer a vida e pagar pelo que fez”, afirmou o delegado em coletiva de imprensa realizada nesta manhã.
Em depoimento, a diarista contou aos policiais que foi ao apartamento para realizar um serviço de limpeza e afirmou que já havia recebido elogios de familiares das vítimas pela qualidade do trabalho. Segundo a investigada, ela não saiu de casa com a intenção de cometer o crime. Afirmou que decidiu furtar os bens ao perceber joias, relógios e dinheiro durante a limpeza do quarto do casal.
No entanto, ainda conforme a confissão, o plano inicial era dopar as vítimas para facilitar o furto. Ela disse ter colocado quatro comprimidos de um medicamento de uso controlado, utilizado por ela para tratamento da depressão, em um suco preparado no liquidificador.
“Ela utilizou quatro comprimidos em um suco. Trinta a quarenta minutos depois eles começaram a adormecer”, explicou o delegado. A Polícia Civil apreendeu cerca de 50 comprimidos na bolsa da suspeita, o que indica que a ação tenha sido premeditada.
Enquanto recolhia os objetos, Cláudio teria despertado e percebido o furto. Segundo Paola, ela foi até a cozinha, pegou uma faca para ameaçá-lo, mas o advogado tentou reagir. Nesse momento, ela o atacou. A diarista disse não saber quantos golpes desferiu na vítima. Paola afirmou que Maria Clotilde ainda estava sonolenta em razão dos medicamentos, mas também foi assassinada. Ela voltou a dizer que ouvia “vozes” dizendo que deveria matar o casal.
Após deixar o apartamento, Paola afirmou ter utilizado um carro para seguir até a região da Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte. Ela disse ter pago R$ 40 pela corrida. A Polícia Civil acredita que o veículo seja de um motorista de aplicativo e pediu que o condutor procure a delegacia para prestar esclarecimentos.
