ATLAS DA VIOLÊNCIA

66% das vítimas de violência doméstica sofreram agressões anteriores

Atlas da Violência mostra que duas em cada três vítimas já haviam sido agredidas antes; reincidência pode culminar em feminicídio

O ciclo da violência doméstica continua marcando a vida de milhares de mulheres no Brasil. Dados do Atlas da Violência 2026 divulgados nesta terça-feira (7/), revelam que duas em cada três vítimas atendidas na rede de saúde após sofrerem agressões dentro de casa já haviam sido violentadas anteriormente pelo agressor, evidenciando que, na maioria dos casos, a violência não ocorre de forma isolada.

Levantamento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que, em 2024, 186,1 mil mulheres procuraram atendimento médico após episódios de violência doméstica. Entre elas, 100,8 mil relataram que já tinham sofrido ao menos uma agressão anterior — o equivalente a 66,2% dos registros com resposta válida, ou cerca de 276 casos por dia.

Outras 51,4 mil mulheres, correspondentes a 33,8% dos casos, afirmaram que aquela havia sido a primeira agressão. Em 33,8 mil atendimentos, a informação não pôde ser registrada.

O Atlas da Violência também aponta que 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024, o menor número registrado desde 2014. Apesar da redução no total de mortes, o estudo mostra que os assassinatos de mulheres ocorridos fora do ambiente doméstico diminuíram ao longo da última década, enquanto os feminicídios dentro das residências permaneceram praticamente estáveis.

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