Ver o filho com dificuldade para respirar é uma das situações que mais preocupam famílias de recém-nascidos. Durante os meses de maior circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), esse cenário costumava lotar consultórios, prontos-socorros e unidades de terapia intensiva pediátrica. Neste ano, porém, uma mudança começou a aparecer nos hospitais. A imunização de gestantes contra o VSR, incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025, reduziu em 52,5% os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em bebês menores de seis meses, faixa etária mais vulnerável às complicações provocadas pelo vírus.
Os dados, apresentados nesta terça-feira (14/7) durante a 7ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), mostraram que o número de casos graves caiu de 14.061, no primeiro semestre de 2025, para 6.674 no mesmo período deste ano. Desde a incorporação da vacina ao SUS, mais de 1,2 milhão de gestantes receberam o imunizante.
O impacto também apareceu em um estudo conduzido pelo Ministério da Saúde, que estimou que aproximadamente 6,8 mil casos graves foram evitados entre crianças menores de seis meses. Enquanto nessa faixa etária a redução ultrapassou 50%, entre crianças mais velhas a queda variou entre 8% e 13%, indicando que o principal benefício foi observado justamente entre os bebês protegidos ainda durante a gestação.
Aplicada a partir da 28ª semana de gestação, a vacina estimulou a produção de anticorpos que atravessaram a placenta e protegeram o bebê nos primeiros meses de vida.
O pediatra Thallys Ramalho explicou que o VSR foi um dos principais responsáveis pela pressão sobre os serviços pediátricos todos os anos. "Nos períodos de maior circulação do vírus, observamos aumento expressivo de consultas, atendimentos em prontos-socorros, necessidade de oxigênio, internações em enfermarias e admissões em UTIs pediátricas", afirmou.
Segundo o médico, a redução das formas graves representou uma mudança importante tanto para os profissionais quanto para as famílias. "Isso significou menos bebês precisando de oxigênio, internação e terapia intensiva, além de aliviar a ocupação dos leitos pediátricos. Para os pais, significou menos sofrimento e menor risco de acompanhar um filho tão pequeno evoluir para um quadro de insuficiência respiratória", disse.
O Vírus Sincicial Respiratório foi apontado como a principal causa de bronquiolite em crianças pequenas, doença que provoca inflamação dos bronquíolos, estruturas responsáveis pela passagem de ar nos pulmões. Em alguns casos, a infecção evoluiu para quadros de insuficiência respiratória que exigiram internação.
Embora a maioria das crianças tenha apresentado recuperação completa, os quadros mais graves foram mais frequentes entre bebês menores de seis meses, prematuros e crianças com doenças cardíacas ou pulmonares. Nessas situações, o tratamento exigiu suporte com oxigênio, hidratação e acompanhamento hospitalar.
Ramalho também orientou que a vacinação não fosse deixada para os últimos dias da gravidez. "Como o organismo precisa de alguns dias para produzir os anticorpos e transferi-los ao bebê, o ideal é que exista um intervalo de pelo menos duas semanas entre a aplicação e o parto. Dessa forma, a proteção tende a ser mais eficaz", ressaltou.
Além da imunização das gestantes, o SUS disponibilizou o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal indicado para recém-nascidos prematuros e crianças de até 23 meses com doenças que aumentam o risco de complicações, como cardiopatias congênitas e enfermidades pulmonares crônicas. Diferentemente das vacinas tradicionais, o medicamento forneceu anticorpos prontos e começou a agir logo após a aplicação, oferecendo proteção por até seis meses.
Para o pediatra, o avanço da vacinação representou um passo importante na prevenção das doenças respiratórias na infância. "A vacinação reduziu significativamente o risco de formas graves da doença, de internações e da necessidade de terapia intensiva", concluiu.
