Judiciário

Autoridades se despedem de Luiz Octavio Gallotti em velório no STF

Ex-presidente do STF é velado no Salão Branco da Corte. Considerado um farol por uma geração de juristas, trajetória profissional foi lembrada por Edson Fachin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes

Amigos, admiradores e parentes despediram-se, ontem, do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Luiz Octavio Gallotti, que morreu domingo, aos 95 anos. O corpo chegou pouco depois das 9h para o velório no Salão Branco da Corte. A filha do ex-presidente do STF, ministra Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e netos do magistrado foram recebidos pelo ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo.

O presidente da Corte, Edson Fachin, sentou-se na primeira fila na despedida. Os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux também compareceram. O sepultamento será hoje, às 16h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde o ministro aposentado também será velado, a partir das 13h. 

Ao longo do dia, autoridades compareceram à despedida de Galotti. Entre elas, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o também ex-PGR Roberto Gurgel, além dos ministros aposentados do STF Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Francisco Rezek e Ellen Gracie. Também prestaram a última homenagem os ministros Luis Felipe Salomão, Mauro Campbell Marques e Daniela Teixeira, todos do STJ.

Fachin afirmou que a partida de Galotti encerra uma trajetória que serviu de espelho para os ministros que se seguiram na Corte. "A vida de um magistrado não se mede apenas pelo tempo que percorre, mas pela permanência dos valores que semeiam. Alguns deixam sentença, outros deixam precedentes. Os maiores, como o ministro Octavio Gallotti, deixam exemplos. Deixou marcas permanentes na construção da jurisprudência e no fortalecimento das instituições democráticas do país", observou.

Autoridade e coerência

Ao se despedir do colega, o presidente da Corte ressaltou que Gallotti dedicou boa parte de sua vida aos serviços jurisdicionais e que a autoridade que tinha "não decorria do cargo, mas da coerência de sua conduta, da serenidade de seu espírito e da integridade de seu caráter".

Moraes salientou que Gallotti "honrou o STF e a sociedade brasileira, com competência, seriedade e, acima de tudo, com Justiça". Gilmar, decano do STF, não somente lembrou que Gallotti deixou decisões na Corte que são consideras referências, mas, também, os contatos que tinham à época em que era advogado-geral da União. "Guardo dessa convivência (com Gallotti) o testemunho de seu comprometimento com a causa pública, exercido ao longo de mais de quatro décadas de serviço ao país", afirmou.

Por nota, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, destacou a importância de Galloti na defesa dos princípios democráticos e da Constituição. "O ministro Octavio Galloti pautou sua atuação no Supremo Tribunal Federal com a defesa da Constituição e dos princípios democráticos. Sua passagem pelo STF honrou o Brasil", frisou.

Marco Aurélio Mello, por sua vez, lembrou que quando chegou ao Supremo, na década de 1990, indicado pelo então presidente Fernando Collor, ele foi recebido exatamente por Gallotti. Ao homenageá-lo, afirmou que integrou uma geração de magistrados que contribuíram para o fortalecimento da Corte. "Ele foi um livro, um varão da República e um grande juiz", destacou.

 

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