GOIÂNIA

Morre Lucimar, irmão de Leide e sobrevivente do Césio-137, aos 52 anos

Lucimar era irmão de Leide das Neves, o rosto mais conhecido da tragédia. Em março, ele relembrou as sequelas emocionais deixadas pela tragédia: "Do nada, vem uma tristeza"

 Lucimar das Neves Ferreira, e Leide das Neves, vítimas do Césio-137 -  (crédito: reprodução/facebook)
Lucimar das Neves Ferreira, e Leide das Neves, vítimas do Césio-137 - (crédito: reprodução/facebook)

Morreu no último sábado (25/7), aos 52 anos, Lucimar das Neves Ferreira, um dos sobreviventes do acidente radiológico com o Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987. Segundo o laudo cadavérico solicitado pela família, a causa da morte foi insuficiência respiratória aguda associada à broncopneumonia.

Lucimar era irmão de Leide das Neves Ferreira, que morreu aos 6 anos após ser contaminada pelo material radioativo e se tornou o rosto mais conhecido da tragédia. Na época do acidente, Lucimar tinha 14 anos e também foi exposto ao radiocésio, mas sobreviveu.

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O sepultamento foi realizado na manhã deste domingo (26/7), em Abadia de Goiás. O Presidente da Associação das Vítimas do Césio-137 (AVCésio), Marcelo Santos Neves afirmou ao portal G1 que a perda revive o sofrimento enfrentado pelas famílias desde o acidente.

Em entrevista ao Jornal Opção, publicada em março deste ano, Lucimar contou que nunca conseguiu retomar a vida plenamente após a contaminação. Segundo ele, as marcas emocionais permaneceram por quase quatro décadas: “Do nada, vem uma tristeza. Parece um distúrbio”, contou.

O tio de Lucimar, Odesson Ferreira, afirmou que o sobrinho recebeu uma alta dose de radiação, mas conseguiu se recuperar fisicamente. “Ele tinha algumas cicatrizes de radiodermite, mas pouca coisa. Recebeu uma dose muito alta de radiação, em torno de 1.500 rads, mas era muito novo e se descontaminou rapidamente, sem sequelas físicas importantes”, disse.

Marcelo também lamentou o impacto da perda para a mãe de Lucimar, Lourdes das Neves. “A gente relembra todas as mazelas que esse acidente trouxe. Agora, temos que dar o máximo de apoio possível, porque vai ser muito dolorido. Por mais que ela já esteja calejada com a perda da filha, agora perde também o filho”, afirmou.

Ele ainda recordou a convivência com Lucimar nos dias que sucederam o acidente. “Naquela época, ele não tinha onde ficar durante o dia por causa de toda a confusão. Eu o levava para minha casa, onde brincava de videogame com meus filhos, que tinham a mesma idade dele”, relembrou.

Relembre o caso

O acidente com o Césio-137 ocorreu em setembro de 1987, em Goiânia, após um aparelho de radioterapia abandonado ser desmontado em um ferro-velho. O pó de césio, que emitia um brilho azulado, despertou a curiosidade de diversas pessoas e acabou sendo manuseado e distribuído entre familiares e vizinhos.

A contaminação matou quatro pessoas diretamente, deixou centenas de feridos e expôs milhares de moradores à radiação. O episódio é considerado o maior acidente radiológico da história do Brasil e um dos mais graves do mundo envolvendo uma fonte radioativa fora de uma usina nuclear.

*Estagiária sob supervisão de Rafaela Soares


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postado em 27/07/2026 18:01
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