
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) reforçou, nesta quarta-feira (19/8), a articulação com estados e o Distrito Federal para ampliar a preparação e as medidas de prevenção e controle de incêndios florestais nos próximos meses. A iniciativa ocorre diante da previsão de um cenário climático mais favorável à propagação do fogo, com a possível intensificação do fenômeno El Niño.
A terceira reunião ordinária da Câmara Técnica Permanente de Articulação Interfederativa do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF) reuniu, em Brasília (DF), representantes de 12 unidades federativas: Amapá, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Piauí, Santa Catarina, São Paulo, Tocantins e Sergipe.
O encontro integrou as ações coordenadas pela pasta para antecipar medidas de prevenção e fortalecer a atuação conjunta entre os governos federal e estaduais durante o período de maior risco de incêndios. Entre os principais pontos discutidos esteve o atendimento à Recomendação COMIF nº 5, de 3 de julho de 2026, que orienta estados e o Distrito Federal a adotarem medidas preventivas e de preparação, incluindo a identificação de áreas prioritárias para a prevenção e o combate aos incêndios florestais.
Durante a reunião, representantes das unidades federativas apresentaram as medidas já adotadas em seus territórios e discutiram com a equipe do ministério os próximos passos para ampliar a integração entre as estratégias estaduais e federais.
Em julho, especialistas que participam do monitoramento coordenado pelo MMA apontaram aumento do risco de incêndios entre agosto e outubro, especialmente na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal. As projeções também indicam a possibilidade de intensificação do El Niño até dezembro. As ações do Governo Federal consideram essas projeções climáticas e buscam antecipar medidas de prevenção e resposta ao aumento do risco de incêndios.
Áreas prioritárias
O MMA solicitou às Unidades Federativas que indicassem as áreas consideradas prioritárias para as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. Até o momento, 11 unidades federativas encaminharam formalmente ao Ministério suas estratégias e áreas prioritárias de atuação: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal.
Segundo a pasta, o mapeamento permitirá integrar o planejamento federal e estadual, identificar previamente os territórios que demandam maior preparação e orientar a distribuição de capacidades, equipes e recursos. A medida também busca evitar a sobreposição de esforços e reduzir eventuais lacunas de atuação em áreas mais vulneráveis.
Para o secretário extraordinário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, André Lima, a definição das áreas prioritárias permite que União e estados organizem suas ações de forma coordenada, levando em conta as especificidades de cada território.
“O objetivo é antecipar o planejamento, integrar capacidades e direcionar os esforços de prevenção e resposta para as regiões que mais demandam atenção”, afirmou.
Planejamento e prevenção
A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída pela Lei nº 14.944/2024, estabelece a atuação articulada entre União, estados, Distrito Federal, municípios, setor privado e sociedade civil nas ações de prevenção, preparação e controle dos incêndios florestais.
Segundo o ministério, essa integração é fundamental para a atuação em territórios que podem reunir áreas submetidas a diferentes jurisdições e regimes de proteção. A definição antecipada de prioridades e responsabilidades contribui para organizar recursos, equipes e equipamentos, além de ampliar a capacidade de prevenção e resposta.
*Estagiário sob supervisão de Rafaela Gonçalves
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