SAÚDE

Mais Médicos Especialistas amplia exames e cirurgias no interior, diz Saúde

Com foco em locais com equipamentos ociosos, programa acelera diagnósticos e reduz filas e viagens para capitais

Felipe Proenço apontou que a formação regional de especialistas é crucial para fixar médicos fora das capitais -  (crédito: Arquivo/Ministério da Saúde)
Felipe Proenço apontou que a formação regional de especialistas é crucial para fixar médicos fora das capitais - (crédito: Arquivo/Ministério da Saúde)

A chegada de médicos especialistas a municípios do interior do país ampliou a oferta de exames e procedimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo levantamento realizado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Em 66% dos municípios do interior analisados, houve aumento da produção após a entrada dos profissionais do programa Mais Médicos Especialistas, segundo os dados apresentados pelo secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, em café da manhã com jornalistas nesta quarta-feira (26/8).

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O estudo acompanhou os primeiros 457 médicos que ingressaram no programa em 175 municípios e comparou a realização de 15 procedimentos antes e depois da chegada dos especialistas. De acordo com Proenço, nove procedimentos apresentaram aumento significativo. Entre os municípios que receberam profissionais, 93% registraram crescimento na realização de ecocardiografias, 82% tiveram aumento nas endoscopias e 76% ampliaram a oferta de colonoscopias.

Os resultados são utilizados pelo Ministério da Saúde para avaliar a efetividade do programa, que chegou a cerca de 2 mil especialistas em todo o país. O terceiro edital acrescentou 451 profissionais, que começaram a se apresentar aos serviços nos últimos dias. A pasta também prorrogou por seis meses a participação dos 676 médicos que ingressaram no primeiro edital, permitindo que permaneçam no programa até 27 de fevereiro de 2027.

Mais procedimentos onde já havia estrutura

Segundo Proenço, uma das estratégias adotadas pelo Ministério foi direcionar as vagas para municípios que já contavam com equipamentos e estrutura de atendimento, mas não tinham especialistas para utilizá-los. Com isso, a chegada dos profissionais permitiu ampliar rapidamente a oferta de serviços sem que fosse necessária a criação de uma nova estrutura física.

"Então, a vaga foi direcionada onde tinha equipamento, onde o SUS tinha equipamento e faltava o profissional. Por isso que a gente conseguiu ver esses resultados em seis meses, muito rápido, porque o que faltava de fato era a competência técnica do médico especialista", diz o secretário.

Em Patos de Minas (MG), por exemplo, o serviço especializado que realizava 52 ultrassons mamários passou a fazer 344 após a chegada de um ultrassonografista. Em Bocaiúva (MG), a média de endoscopias passou de sete para 104. Já em São José de Mipibu (RN), a realização de colonoscopias aumentou de quatro para 23, crescimento de 393%.

O secretário citou ainda o caso de Vilhena (RO), onde eram realizados 350 procedimentos por cirurgiões gerais. Com a chegada de novos especialistas, o número passou para 1.040. Em Campo Maior (PI), os procedimentos de anestesia subiram de três para 23.

Em outros municípios, o impacto ocorreu sobre serviços que sequer eram oferecidos anteriormente. Em Lagarto (SE), por exemplo, o serviço especializado não realizava ecocardiografias porque não havia profissional habilitado. Após a chegada do especialista, passou a fazer uma média de 84 exames por mês. Em Caicó (RN), a entrada de um ultrassonografista possibilitou a realização de 72 exames mensais. Em Barbalha (CE), um ginecologista passou a realizar uma média de 54 colposcopias por mês em um ambulatório que não oferecia o procedimento.

Para Proenço, a ampliação da oferta tem impacto direto sobre o tempo que os pacientes precisam esperar e sobre a necessidade de deslocamento para outras cidades. O secretário citou o caso de um cirurgião do aparelho digestivo que deixou Teresina e passou a atuar em Piripiri, no Piauí, permitindo que pacientes que antes precisavam viajar à capital para realizar determinado procedimento fossem atendidos no próprio município.

"Quando a gente coloca o cirurgião oncológico lá em Patos, no Sertão da Paraíba — que antes o paciente precisava ir até João Pessoa para passar pela cirurgia oncológica —, agora ele faz lá em Patos, sem precisar se deslocar 300 km em virtude disso."

Apesar de apontar redução do tempo de espera nos serviços que receberam os especialistas, o secretário ponderou que uma avaliação nacional das filas depende também de informações das regulações estaduais e municipais. O estudo da UFMG, segundo ele, permite mensurar o impacto diretamente nos serviços contemplados pelo programa.

Interiorização ainda é desafio na Amazônia

A distribuição dos especialistas permanece desigual no país, principalmente na Região Norte. Segundo dados apresentados pelo secretário, enquanto entre 54% e 55% dos especialistas estão concentrados no Sudeste, apenas cerca de 6% estão na Região Norte. O cenário é ainda mais concentrado em alguns estados.

No Amazonas, 92% dos especialistas estão em Manaus, e todos os programas de residência médica do estado ficam na capital. A dificuldade de levar profissionais para o interior da Amazônia Legal é apontada pelo Ministério da Saúde como um dos principais desafios para a política de provimento.

"Como dificuldade, eu destacaria a Amazônia Legal, porque é uma dificuldade de formar especialistas."

Para estimular a interiorização, o programa oferece bolsas de valores diferentes de acordo com a região e o grau de vulnerabilidade. No interior do Norte e do Nordeste, o valor pode chegar a R$ 20 mil por 20 horas semanais de atividade. Desse total, 16 horas são destinadas ao atendimento e quatro horas à formação, com acompanhamento de um especialista mais experiente.

A distribuição dos especialistas permanece desigual no país, principalmente na Região Norte. Segundo dados apresentados pelo secretário, enquanto entre 54% e 55% dos especialistas estão concentrados no Sudeste, apenas cerca de 6% estão na Região Norte. O cenário é ainda mais concentrado em alguns estados.

No Amazonas, 92% dos especialistas estão em Manaus, e todos os programas de residência médica do estado ficam na capital. A dificuldade de levar profissionais para o interior da Amazônia Legal é apontada pelo Ministério da Saúde como um dos principais desafios para a política de provimento.

"Como dificuldade, eu destacaria a Amazônia Legal, porque é uma dificuldade de formar especialistas."

Para estimular a interiorização, o programa oferece bolsas de valores diferentes de acordo com a região e o grau de vulnerabilidade. No interior do Norte e do Nordeste, o valor pode chegar a R$ 20 mil por 20 horas semanais de atividade. Desse total, 16 horas são destinadas ao atendimento e quatro horas à formação, com acompanhamento de um especialista mais experiente.

O programa também prevê ajuda de custo para profissionais que precisam mudar de cidade. Proenço citou o caso de uma médica que deixou a capital do Rio de Janeiro para trabalhar no interior do Pará e recebeu o equivalente a três bolsas de R$ 20 mil, totalizando R$ 60 mil para a instalação na nova localidade. Ele reiterou, no entanto, que o teto pago como bolsa aos participantes é de R$ 20 mil. 

Formação e permanência

A estratégia de interiorização também está relacionada à formação de novos especialistas. O Ministério da Saúde informou que financia atualmente 51,5 mil residentes, sendo 34,3 mil médicos e 17,2 mil profissionais de outras áreas da saúde. O orçamento destinado às residências passou de R$ 1,4 bilhão em 2023 para R$ 3,3 bilhões em 2026.

Entre 2023 e 2025, foram criadas, com financiamento do ministério, 5.189 bolsas para residência médica e outras 3.577 para residência em áreas profissionais da saúde. Segundo Proenço, pedidos de bolsas para a Amazônia Legal e para regiões cuja média de especialistas estava abaixo da nacional foram priorizados.

A estratégia busca enfrentar uma dificuldade apontada pelo próprio secretário: profissionais tendem a permanecer na região onde estudaram e fizeram residência. Por isso, além de levar especialistas já formados a locais com déficit, o governo pretende ampliar a formação fora das capitais.

"A gente possibilitou esse deslocamento de ter mais lugares com residência de anestesiologia, e isso foi através de um diagnóstico que a gente fez com a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, que é bem importante destacar também."

Atualmente, o Mais Médicos Especialistas conta com 24 cursos de aprimoramento e 55 instituições mentoras. Os profissionais permanecem em atividades assistenciais e, simultaneamente, participam de processos de formação e atualização, incluindo parcerias com hospitais universitários, instituições de ensino, sociedades de especialidade e hospitais do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).

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postado em 26/08/2026 13:02
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