VIOLÊNCIA CONTRA MULHER

Polícia registrou mais de 782 mil atendimentos às mulheres em 2025

Um relatório do Ministério da Justiça revelou ainda que quase 330 mil vítimas foram atendidas

As unidades da Polícia Civil especializadas no atendimento às mulheres registraram mais de 782 mil atendimentos em 2025, com quase 330 mil vítimas atendidas, segundo o 10º Diagnóstico das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, produzido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

O levantamento se baseia nos dados de 530 das 585 unidades especializadas espalhadas pelo país. Entre as unidades participantes, 495 são delegacias especializadas, sendo 282 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) exclusivas e 213 unidades de atendimento misto.

De acordo com o estudo, a Região Sudeste concentrou o maior número de vítimas atendidas, com 125.769 casos, o equivalente a 47,8% do total nacional. Na sequência aparecem o Nordeste, com 53.067 vítimas (20,2%); o Centro-Oeste, com 43.662 (16,6%); o Sul, com 21.087 (8%); e o Norte, com 19.712 (7,5%). Entre os estados, São Paulo registrou o maior número de vítimas atendidas, com 84.103.

Entre os tipos de ocorrência registrados nas unidades especializadas, a ameaça foi a mais frequente em 2025, com 148.544 casos, seguida de lesão corporal, com 99.473 registros, e injúria, com 88.739.

Em comparação com a última pesquisa, de 2023, os maiores aumentos foram registrados nos casos de perseguição e violência psicológica. A perseguição chegou a 52.855 registros, um aumento de 44,3%, enquanto a violência psicológica somou 23.911 ocorrências, crescimento de 49,7%.

Medidas protetivas

Os atendimentos também resultaram na solicitação de 302.626 medidas protetivas de urgência. Do total, 118.672 foram concedidas, sendo 74,2% delas classificadas como concedidas integralmente. Segundo o diagnóstico, mais de 38 mil medidas foram descumpridas pelos agressores.

O levantamento aponta ainda que 53.517 agressores foram presos em flagrante e 2.539 armas de fogo legalmente registradas, que estavam em posse dos autores das agressões, foram apreendidas. A rede especializada conta com aproximadamente 6,2 mil profissionais em atuação em todo o país.

Apesar do volume de atendimentos, o diagnóstico aponta desafios para o fortalecimento da rede. Cerca de 80% das unidades ainda não funcionam 24 horas por dia, o que, segundo o estudo, mostra a necessidade de ampliar o acesso das mulheres aos serviços.

*Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

 

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