A plataforma Discord diz ter identificado e derrubado um servidor privado em que os integrantes teriam incentivado a automutilação de uma adolescente de 13 anos antes da morte da menina, em 22 de junho. Segundo a empresa, o grupo só podia ser acessado mediante convite e não era localizado por outros usuários na plataforma.
A resposta da plataforma veio depois que a Advocacia-Geral da União (AGU) cobrou medidas de proteção às crianças e adolescentes. Segundo a AGU, o Discord enviou, ontem (10/8), uma proposta para adoção de medidas destinadas a reforçar a segurança dos usuários no ambiente digital.
As medidas haviam sido acordadas em uma reunião na última sexta-feira (7), com representantes da AGU, Discord, Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
De acordo com a AGU, as negociações começaram depois da identificação de falhas na verificação de idade, que levantou preocupações quanto à efetividade das medidas de proteção adotadas pelo Discord.
A empresa disse, em nota, que mantém equipes especializadas no combate a grupos envolvidos com atividades ilegais e violentas. O Discord ainda disse que diversas denúncias feitas pela própria plataforma já contribuíram para a prisão de extremistas. A informação foi revelada pela Folha de S.Paulo.
"Continuaremos trabalhando de forma incansável para coibir esse tipo de comportamento e auxiliar na identificação, prisão e responsabilização criminal dos indivíduos envolvidos", diz a nota.
Em um evento sobre segurança digital de crianças e adolescentes, na última quinta-feira (6), a primeira-dama Janja Lula da Silva defendeu o bloqueio da plataforma no país. “Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet. Eu não consigo admitir um país desse”, disse a primeira-dama.
O caso
No dia 22 de junho, em Naviraí (MS), uma adolescente de 13 anos teria sido incentivada por cinco adolescentes entre 13 e 17 anos e por um homem de 18 anos a se automutilar. Os jovens teriam assistido à morte da adolescente durante uma transmissão na plataforma. Agora, o caso é investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
*Estagiária sob a supervisão de Victor Correia
