Atingir uma mulher por meio do que ela tem de mais precioso, como filhos ou parentes, é uma das formas mais cruéis de violência. Conhecida como violência vicária, essa prática busca causar sofrimento psicológico extremo. Recentemente, com a sanção da Lei nº 15.384 em abril de 2026, a prática passou a ser reconhecida legalmente como crime hediondo quando resulta em morte — o vicaricídio —, com penas que variam de 20 a 40 anos de reclusão.
Essa forma de agressão não acontece de repente. Ela é construída por um ciclo de comportamentos que se intensificam com o tempo, especialmente quando a mulher decide terminar o relacionamento. O agressor, sentindo que perdeu o controle sobre a parceira, passa a usar os filhos como um instrumento de vingança e tortura.
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O objetivo é claro: manter um vínculo de poder e causar uma dor que ele considera insuperável. Identificar os sinais dessa escalada é fundamental para prevenir tragédias e buscar ajuda antes que seja tarde demais. A violência vicária é um aviso de que algo muito mais grave pode acontecer.
Sinais de alerta no comportamento do agressor
A violência vicária se manifesta em padrões de comportamento que vão muito além de conflitos comuns de um término. É preciso estar atenta a um conjunto de ações que indicam a intenção de ferir a mulher usando os filhos como alvo principal.
Esses sinais podem começar de forma sutil, com manipulações emocionais, e evoluir para ameaças diretas. Fique atenta aos seguintes padrões:
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Ameaças constantes: frases como “vou tirar os filhos de você”, “você nunca mais vai vê-los” ou “vou fazer algo que te fará sofrer para sempre” são alertas graves. Elas indicam que o agressor já cogita usar as crianças para punir a mãe.
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Manipulação dos filhos: o agressor tenta sistematicamente destruir a imagem da mãe para as crianças. Ele pode inventar histórias, desqualificar suas decisões e fazer com que os filhos se voltem contra ela, gerando um ambiente de alienação parental.
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Uso das visitas para controle: cada momento com os filhos é transformado em uma oportunidade para provocar. O agressor pode se atrasar para buscá-los ou devolvê-los, descumprir acordos ou usar as crianças para enviar recados e ameaças.
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Descuido proposital: negligenciar as necessidades básicas dos filhos durante o período de convivência é outra tática. A intenção é mostrar que ele não se importa com o bem-estar da criança, apenas em causar angústia e preocupação na mãe.
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Agressividade direcionada: qualquer tentativa de diálogo sobre os filhos é recebida com hostilidade. O agressor se recusa a tomar decisões conjuntas e sabota os planos da mãe, minando sua autoridade e seu vínculo afetivo.
Reconhecer esses padrões é um passo fundamental para quebrar o ciclo de violência. Ao primeiro sinal de alerta, a busca por uma rede de apoio e por canais de denúncia, como a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), é essencial para garantir a segurança da mulher e de seus filhos.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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