Longevidade

Pessoas com mais de 60 anos já chefiam quase 1 em cada 3 lares

Pesquisa mostra que a população maior de 60 anos conquistou mais autonomia e assumiu a chefia dos domicílios, com prolongamento da atividade profissional e independência financeira

Economia prateada: Pessoas com 60+ lideram os domicílios -  (crédito:  Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Economia prateada: Pessoas com 60+ lideram os domicílios - (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A população acima de 60 está tendo cada vez mais protagonismo na gestão dos lares, respondendo pela chefia de 21,6 milhões de domicílios — quase um terço do total (32%). Este protagonismo, entretanto, na maioria das vezes vem acompanhado de sobrecarga familiar e informalidade entre aqueles que continuam no mercado de trabalho após a aposentadoria.

Os dados inéditos são do levantamento "Geração 60 : Moradia e Arranjos Familiares", feito pela Nexus — Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referente ao ano de 2025.

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A especialista em longevidade e mestre em gerontologia social, Ana Paula Barbosa Pereira, enxerga de maneira positiva que a população 60 conquistou maior autonomia e protagonismo dentro dos domicílios, galgando uma trajetória de vida profissional e independência financeira.

"Contudo, também trouxe maior responsabilidade quando assume o papel de sustentação econômico-financeira e chefia decorrente da sobrecarga familiar, impondo à pessoa idosa um cuidado que vai além das suas próprias necessidades pessoais e interesses", ressalta.

Com renda mensal média de R$3.865 — a maior entre as faixas etárias analisadas — a geração 60 ganhou mais responsablidades dentro dos lares. Ana Paula observa que ter a maior renda não significa que o grupo esteja ganhando mais. A pesquisa mostra que o rendimento médio da população 60 caiu 4% em termos reais, enquanto, no mesmo período, a renda média da população em geral cresceu 13%.

O levantamento aponta que, depois da população idosa, a população geral é a segunda colocada na renda média mensal com R$3.560, em seguida os jovens de 18 a 24 anos, com renda de R$1.836.

Segundo o relatório, em 87% das casas onde vivem pessoas com 60 , a palavra final sobre as contas passa por elas, respondendo diretamente pela chefia ou pela gestão compartilhada do orçamento doméstico.

Segundo o especialista em geriatria e gerontologia, Luiz Eduardo Sampaio, o protagonismo dos 60 mais na renda familiar é esperado pela maior longevidade da população e por essa população estar no mercado de trabalho por mais tempo. 

"Isso ainda se associa a uma população mais jovem que se insere mais tarde no mercado de trabalho e sua curva de ascensão de renda ser deslocada para frente", aponta. 

Para o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o levantamento da Nexus mostra o peso dessa faixa etária na organização financeira das famílias. "A Geração 60 contribui diretamente para a manutenção da casa. A dimensão econômica desse grupo dentro dos lares vai além da condição de beneficiário de aposentadorias ou outros rendimentos", observa.

As mulheres são responsáveis pela chefia da maioria desses domicílios. De acordo com os dados, em 2024, 11 milhões de mulheres idosas eram responsáveis pela casa, os homens eram 9,6 milhões (diferença de 1,4 milhão pró-mulheres). No ano passado, as mulheres não só continuaram sendo o gênero que mais é responsável pelo domicílio, como aumentou a diferença, foram 11,7 milhões de idosas em 2025, comparado aos 9,9 milhões de homens, uma diferença pró-mulheres de 1,8 milhão.

Informalidade

O documento revela que 8,5 milhões de pessoas dessa faixa etária estavam ocupadas em 2025 (o equivalente a 24,4% da população 60 ). Mais da metade delas (50,6%) eram empreendedoras, o equivalente a 4,3 milhões de pessoas.

Entretanto, a maioria dessas atividades são informais. Somando trabalhadores por conta própria e empregadores, 72% dos empreendedores 60 atuavam sem CNPJ em 2025, totalizando 3,1 milhões de pessoas. Segundo o economista e professor do Ibmec Brasília, Renan Silva, o número elevado de empreendedores sem CNPJ se deve ao fato de que as atividades informais (como prestação de serviços autônomos, comércio de bairro, consultorias informais ou bicos) exigem zero burocracia e custo inicial baixo. Além disso, para Silva, muitos profissionais seniores encontram dificuldades com a formalização digital (MEI, emissão de notas fiscais, obrigações acessórias).

"Trabalhar sem CNPJ significa ausência de direitos trabalhistas ou previdenciários adicionais para eventuais novas categorias, além de exposição a riscos em contratos de prestação de serviços. Sem formalização, o negócio não tem acesso a crédito bancário formal com taxas competitivas para capital de giro ou expansão, limitando o potencial de lucro", frisa o professor. 

 


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CY
postado em 13/09/2026 03:48 / atualizado em 14/09/2026 11:17
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