SEGURANÇA PÚBLICA

86% apoiam uso de IA no combate à violência, diz pesquisa

Pesquisa Quaest/Pax revela que violência é principal problema do país para 28% dos brasileiros, impulsionando apoio à tecnologia no combate ao crime

Além do uso da tecnologia, entrevistados defendem investimentos em educação e endurecimento das leis  -  (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)
Além do uso da tecnologia, entrevistados defendem investimentos em educação e endurecimento das leis - (crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A inteligência artificial já aparece para a maioria dos brasileiros como uma ferramenta que pode ser incorporada ao combate à criminalidade. Pesquisa nacional da Quaest, realizada em parceria com a Pax, mostra que 86% dos entrevistados são favoráveis ao uso de IA na segurança pública, enquanto 9% se posicionam de forma contrária. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (17/9), também indica que 93% consideram efetiva a integração de câmeras de monitoramento, inteligência artificial e trabalho policial.

Os resultados aparecem em um cenário no qual a violência ocupa o primeiro lugar entre os problemas citados pela população. Questionados sobre a principal questão enfrentada atualmente pelo Brasil, 28% apontaram a violência, seguida pela corrupção, com 22%, economia, com 19%, e saúde, com 15%. A preocupação é ainda maior entre os entrevistados identificados como lulistas, grupo no qual chega a 37%, e bolsonaristas, com 30%.

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A percepção sobre a evolução da violência ajuda a dimensionar essa preocupação. Para 70% dos brasileiros, ela aumentou muito nos últimos dois anos. Outros 9% entendem que houve algum crescimento, enquanto 15% consideram que a situação permaneceu igual. Entre aqueles que percebem uma piora, 73% atribuem a avaliação simultaneamente ao aumento do número de crimes e ao fato de eles terem se tornado mais violentos.

Para Guilherme Russo, diretor de Inteligência em Opinião da Quaest, os resultados mostram que a preocupação com a segurança vem acompanhada de uma disposição para considerar novas ferramentas de enfrentamento à violência.

"A pesquisa confirma a preocupação atual dos brasileiros com a segurança pública, ressalta a busca por soluções, e demonstra a abertura dos brasileiros ao uso de tecnologia na segurança."

Onde a IA poderia ser usada

Quando a pesquisa deixa a discussão genérica sobre tecnologia e apresenta situações concretas para o uso de câmeras associadas à inteligência artificial, os percentuais de entrevistados que acreditam que a ferramenta pode ajudar permanecem acima de 90% em todas as atividades avaliadas.

O maior índice aparece no patrulhamento e na prevenção de crimes, com 96%. Para 95%, a tecnologia pode auxiliar tanto no combate a roubos e furtos quanto a crimes violentos. O mesmo percentual vê utilidade na recuperação de bens roubados, como carros e celulares, e na busca por pessoas desaparecidas.

A identificação e abordagem de suspeitos e a captura de foragidos da Justiça aparecem com 94%, assim como o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher.

Já 93% consideram que as câmeras associadas à IA podem contribuir para investigar e esclarecer crimes e melhorar a velocidade de resposta e atendimento da polícia. O combate às facções criminosas, o atendimento e a proteção às vítimas de crimes e a proteção das fronteiras aparecem com 92%.

Para David Peixoto, cofundador e CEO da Pax, a tecnologia deve ser compreendida como instrumento complementar à atuação das forças de segurança.

"Segurança pública é um problema complexo, que não se resolve de forma isolada. A tecnologia contribui quando potencializa a ação policial, tornando o trabalho mais rápido, preciso e efetivo. A IA traz uma nova chance para atacarmos o maior problema do país - e a pesquisa mostra que os brasileiros não querem que os governos deixem essa oportunidade passar."

Educação, tecnologia e leis mais rígidas

A abertura para novas ferramentas não significa que os entrevistados concentrem na tecnologia a resposta para a violência. Quando questionados sobre diferentes formas de melhorar a segurança pública, 93% consideram efetivo oferecer melhor educação e mais oportunidades aos jovens. O percentual é idêntico ao registrado pelo uso de câmeras de monitoramento integradas à IA e ao trabalho policial.

Logo depois aparece o endurecimento da legislação: 92% concordam que punir criminosos com leis mais rígidas seria uma medida efetiva. Investimentos em inteligência e maior utilização de tecnologia entre as forças policiais, assim como o aumento do policiamento nas ruas, são mencionados por 90%.

Outras alternativas encontram adesão menor, embora ainda majoritária. Ações duras contra facções, como megaoperações em comunidades, são consideradas efetivas por 80%, enquanto 78% concordam com a criação de um Ministério da Segurança Pública. A restrição do acesso da população a armas de fogo tem o menor apoio entre as medidas apresentadas, com 58%.

Avaliação das forças de segurança

A pesquisa também mediu como os brasileiros enxergam o desempenho de diferentes instituições na segurança pública. Entre as avaliadas, as forças policiais recebem os maiores percentuais de avaliação positiva. A Polícia Militar dos estados alcança 45%, seguida pela Polícia Federal, com 44%, e pelas polícias civis, com 41%.

Na sequência aparecem as prefeituras, avaliadas positivamente por 39%, e os governos estaduais, com 34%. A avaliação positiva do governo federal é de 26%, enquanto Judiciário e Justiça registram 23%.

Ao detalhar diferentes áreas do trabalho policial, o levantamento mostra que a captura de foragidos da Justiça reúne 38% de avaliações positivas, contra 28% negativas. A investigação e o esclarecimento de crimes aparecem em seguida, com 36% de avaliações positivas e 27% negativas.

A relação se inverte em algumas das atividades consideradas mais problemáticas pelos entrevistados. No combate às facções criminosas, 43% avaliam negativamente a atuação policial, diante de 27% que fazem uma avaliação positiva.

A rapidez para atender a uma ocorrência chamada também apresenta saldo negativo, com 38% de avaliações negativas e 30% positivas. No combate ao feminicídio e à violência contra a mulher, são 39% de avaliações negativas e 32% positivas.

Resistência à IA

Embora a maior parte dos entrevistados se declare favorável ao uso da inteligência artificial na segurança, o levantamento também investigou as razões apresentadas por quem se posiciona contra a tecnologia.

O principal receio, citado por 16% desse grupo, é a possibilidade de erros ou de identificação injusta de pessoas. Outros 15% dizem acreditar que a tecnologia não funciona ou não melhora a segurança pública, enquanto 12% mencionam invasão de privacidade ou vigilância sobre a população.

A falta de confiança em inteligência artificial ou tecnologia aparece para 10%, e 8% temem manipulação, ataques ou vazamento de dados. Outros 5% apontam o risco de uso abusivo pelo Estado e 1%, a possibilidade de preconceito ou discriminação.

O levantamento revela, ao mesmo tempo, uma distância entre a receptividade à tecnologia e o conhecimento sobre iniciativas já existentes. Quando convidados a citar espontaneamente alguma política de segurança que utilize inteligência artificial, 79% disseram não se lembrar de nenhuma.

Dados técnicos

A Pesquisa Nacional de Segurança e Tecnologia foi realizada pela Quaest em parceria com a Pax. Foram entrevistados presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre 12 e 15 de setembro de 2026, por meio da aplicação de questionários estruturados. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A amostragem utilizou dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de julho de 2026 e informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) provenientes do Censo 2022, da PNADC do segundo trimestre de 2026 e da PNAD Anual 2025, primeira visita.

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postado em 18/09/2026 00:01
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