Análise

Alexandre Garcia: Bolsonaro presente

O Supremo, com a condenação de Bolsonaro, desafiou o bolsonarismo, que elegeu a mulher, filhos e o irmão de Jair, a maior parte dos governadores e as maiores bancadas do Congresso

 06/10/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Goiânia - GO -   Ex-govenador de Goiás Ronaldo Caiado declara apoio para o segundo turno das eleições ao candidato a presidente Flávio Bolsonaro. -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
06/10/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Goiânia - GO - Ex-govenador de Goiás Ronaldo Caiado declara apoio para o segundo turno das eleições ao candidato a presidente Flávio Bolsonaro. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O primeiro turno parece já ter decidido o segundo — e os próximos quatro anos. As chances de Flávio são maiores. Nessas escassas três semanas de campanha até dia 25, 20 governadores estão eleitos e livres para trabalhar por Flávio ou por Lula. Desses 20, apenas três são do PT: Bahia, Ceará e Piauí. Seis — já contando o Rio de Janeiro — são do PL e os demais de partidos de centro ou centro-direita.

Além disso, Flávio tem o trunfo da existência de eleitores que querem ganhar eleição aderindo ao provável vencedor. Flávio sai na frente, com mais chances, já que votos dados a Cury, Renan, Caiado e Zema tendem, em sua maioria, a ampliar a vantagem do Bolsonaro. Há mais de 158 milhões de eleitores registrados, mas foram quase 120 milhões os votos válidos. Teoricamente, há um potencial de 38 milhões de eleitores, entre abstenções, brancos e nulos — além dos quase 10 milhões de votos que, no primeiro turno, foram dados a outros candidatos que não os dois.

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Assim, Flávio, com 56,1 milhões de votos, e Lula, com 53,8 milhões, vão buscar votos entre quase 50 milhões que não votaram neles. Esse é o objetivo dos dois. Nesse potencial, Lula terá mais trabalho, o de anular desses milhões os 2,2 milhões a mais que Flávio traz do primeiro turno.

Os grandes cabos eleitorais serão os governadores e senadores que já tiveram vitórias no primeiro turno. Flávio, aí, tem mais cabos eleitorais, principalmente nos três maiores eleitorados do país: São Paulo, com Tarcísio; Minas, com Cleitinho; e no Rio, com Ruas. Lula terá palanque, principalmente, no quarto colégio eleitoral, a Bahia, com o governador Jerônimo reeleito. O Ceará, oitavo em eleitores, com o reeleito Elmano. No quinto, Paraná, e no sexto, Rio Grande do Sul, Flávio contará com Sérgio Moro e Zucco, governadores já eleitos. Em Pernambuco, o sétimo em eleitorado, Lula apoiou o derrotado. Me limitei aqui aos estados com mais eleitores. 

Entre os puxadores de voto para presidente, estarão os que foram eleitos senadores e carregam milhões de eleitores. No maior colégio, Derrite e Prado serão força para Flávio. No segundo, em Minas, Sávio, do PL, o mais votado, ajuda Flávio; Marília, do PT, vai ajudar Lula. No Rio, os dois senadores eleitos são PL. Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner vão reforçar Lula. Nos estados do sul, todos os senadores eleitos vão trabalhar por Flávio. No Nordeste, nem todos estarão com Lula.

Nas composições da Câmara e do Senado, a maior bancada é do PL. Esse é mais um argumento que favorece Flávio, pois Lula teria dificuldades com um Congresso de direita majoritária. O Senado ficou com tal composição que pode tornar-se o Poder Moderador. Tem força para tirar ministros do Supremo e força para impedir indicados, se o presidente for Lula. 

Adélio Bispo, com a facada, ajudou a eleger Bolsonaro. O Supremo, com a condenação de Bolsonaro, desafiou o bolsonarismo, que elegeu a mulher, filhos e o irmão de Jair, a maior parte dos governadores e as maiores bancadas do Congresso. Agora, percebe-se que Barroso não derrotou o bolsonarismo, apenas o perseguiu e provocou a reação. Bolsonaro, incomunicável em casa, é presença decisiva na eleição.

 

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postado em 07/10/2026 03:55
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