
Dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por participação em um esquema de comércio ilegal de armas, vazamento de informações sigilosas e lavagem de dinheiro. Uma investigação financeira identificou a movimentação de mais de R$ 250 milhões em contas de pessoas físicas e cinco empresas ligadas ao grupo.
Entre os denunciados estão policiais e ex-policiais acusados de fornecer fuzis e dados privilegiados a Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como líder do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de Israel. Os bens e valores dos envolvidos foram bloqueados pela Justiça.
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Nesta quarta-feira (07/10), o MPRJ e a Polícia Federal deflagraram a Operação Magen para cumprir sete mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Amazonas. A 1ª Vara de Organização Criminosa da Capital também determinou o sequestro de três imóveis e 31 veículos.
Fornecimento de armas
A investigação começou na Polícia Federal para apurar o poderio bélico de traficantes no Complexo de Israel. Segundo a denúncia, Vitor Hugo Marinho Garcia, o Batata, ex-policial militar, era o líder da organização criminosa e um dos principais fornecedores de armas e informações para Peixão.
Em uma das transações, em outubro de 2022, o ex-PM teria vendido dez fuzis AR-15 ao chefe do TCP. Outras negociações foram identificadas, como a de José Carlos Ribeiro de Campos, o Ferrugem, ex-policial militar acusado de fornecer dois fuzis Colt M4. Já o policial militar Johan Borja Portela teria vendido um revólver e nove pistolas Glock.
Investigação financeira
Análises bancárias e fiscais apontaram movimentações e patrimônio incompatíveis com os rendimentos declarados pelos integrantes do grupo. Eles usavam empresas e contas em nome de terceiros para ocultar a origem dos recursos. As cinco empresas do esquema movimentaram, juntas, aproximadamente R$ 173,7 milhões.
De acordo com a denúncia, os valores movimentados individualmente entre 2019 e 2023 foram:
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Vitor Hugo Marinho Garcia: cerca de R$ 31,9 milhões.
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Marcel Rodrigues Fernandes: aproximadamente R$ 33,2 milhões.
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Eduardo Thales Lopes Pires: aproximadamente R$ 33,4 milhões.
As companheiras dos acusados, Amanda de Souza Braga, Caroline Souza Vilela Barcelos e Danielle Rodrigues Gomes, foram denunciadas por lavagem de dinheiro. Elas são alvo de medidas cautelares, mas não de mandados de prisão.
Uso de sistemas sigilosos
A investigação também descobriu o uso de uma rede para obter informações de sistemas restritos das forças de segurança. O policial civil Carlos Barnabé Santos Souza, o Alemão, é acusado de consultar o Portal de Segurança do Estado e repassar dados sobre veículos e endereços.
Em um dos casos, ele teria informado a localização de um foragido da Justiça para que o grupo o encontrasse antes da polícia, com o objetivo de praticar extorsão. O grupo também teria acessado dados de geolocalização de celulares para auxiliar um investigado por homicídio, mediante pagamento.
O MPRJ solicitou a retenção dos passaportes dos alvos de prisão preventiva e a inclusão dos mandados no sistema da Interpol, diante do risco de fuga do país.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
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