
A redução da circulação de ônibus em Salvador durante o segundo turno das eleições de 2026 levou o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) a determinar a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, ontem. A decisão foi tomada pelo presidente da Corte, o desembargador Maurício Kertzman Szporer, após denúncias de que veículos permaneciam nas garagens enquanto os eleitores enfrentavam dificuldades para chegar aos locais de votação.
Em sua decisão, Szporer mencionou possíveis violações aos artigos 297, 304 e 347 do Código Eleitoral, que tratam de ações que impessam ou dificultem o exercício do sufrágio. O tribunal determinou o restabelecimento imediato de 100% da frota, com frequência e itinerários compatíveis com os dos dias úteis e gratuidade integral das passagens. A ordem também estabeleceu prazo de uma hora para que a circulação total fosse comprovada nos autos. Em caso de descumprimento, foi fixada multa de R$ 1 milhão por hora, aplicada solidariamente ao município, ao secretário e às empresas concessionárias responsáveis pelo transporte.
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A decisão atendeu a um pedido da Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, que denunciou à Justiça Eleitoral uma redução superior a 50% da frota em circulação em comparação com os dias úteis. Durante uma vistoria na sede do BRT, na Avenida Barros Reis, o juiz auxiliar do TRE-BA Antônio Marcelo Oliveira Libonati encontrou diversos ônibus parados. Segundo o termo de inspeção, a quantidade de veículos em operação era inferior à dos dias de semana, seguindo orientação da Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).
A saída encontrada pelos soteropolitanos foi a carona solidária. Diversos grupos se formaram. A consultora de estilo Juliana Rezende Grangeiro de Santana, de 42 anos, ofereceu caronas a eleitores em Salvador após observar ônibus lotados e pessoas esperando nos pontos. "Como cidadã, tenho a responsabilidade de ajudar quem precisa chegar ao local de votação. Não conseguiria ficar em casa, no conforto, sabendo que tenho um carro e posso contribuir para que outras pessoas exerçam seu direito ao voto", afirma.
O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que parte dos coletivos não saiu das garagens porque sindicalistas teriam colocado adesivos de campanha nos veículos. A decisão do TRE-BA apontou que a orientação para reduzir a frota partiu da própria Semob. O tribunal considerou que a situação comprometia a oferta de transporte em um dia de votação e poderia dificultar o exercício do direito ao voto.
Após a determinação judicial, a prefeitura informou que ordenou a liberação de todos os ônibus, inclusive daqueles com adesivos considerados irregulares. Em nota, a Semob declarou que "a prioridade segue sendo a circulação de veículos e o deslocamento da população" e afirmou que a operação estava sendo normalizada por meio do diálogo com representantes sindicais. A secretaria não apresentou, nas informações fornecidas, um balanço detalhado sobre o número de linhas afetadas nem um prazo para a completa regularização do serviço.
As reclamações sobre a oferta de transporte público durante o segundo turno também foram registradas em outras unidades da Federação. Em São Paulo, o diretório estadual do PT notificou o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) sobre dificuldades na operação dos ônibus. Segundo o presidente estadual da sigla, Kiko Celeguim, apenas 60% da frota estava em circulação, apesar da determinação para que todos os veículos operassem.
A Prefeitura de São Paulo confirmou ter recebido uma notificação da Justiça Eleitoral no sábado, mas alegou dificuldades para ampliar o serviço em prazo reduzido. Segundo a administração municipal, a mudança exigia ajustes nas escalas de trabalho e nas rotinas operacionais.
Estagiária sob a supervisão de Edla Lula
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