A erva que acalma ansiedade e melhora o sono mais estudada em ensaios clínicos não é nova nem cara. A camomila acumula décadas de pesquisa e os resultados apontam para efeitos reais, especialmente em quadros leves.
Por que a camomila é a erva mais citada em pesquisas sobre ansiedade?
Entre as plantas medicinais usadas para ansiedade, a camomila se destaca pelo volume de estudos clínicos realizados em humanos. Uma revisão sistemática publicada no PubMed Central analisou 10 ensaios clínicos e concluiu que o uso oral da planta teve efeito ansiolítico mensurável em comparação ao placebo.
Essa consistência científica é o que coloca a camomila à frente de outras ervas populares. Não é tradição apenas, é evidência acumulada ao longo de décadas de investigação controlada.

O que existe dentro da camomila que age no sistema nervoso?
O principal composto responsável pelos efeitos calmantes é a apigenina, um flavonoide que se liga a receptores do sistema GABAérgico no cérebro. Esse sistema é o mesmo que os medicamentos benzodiazepínicos (como diazepam) ativam, embora com intensidade muito menor e sem os riscos associados.
Além da apigenina, a camomila contém cerca de 120 compostos bioativos, incluindo terpenoides e outros flavonoides, que contribuem para o efeito anti-inflamatório e antioxidante da planta.
A camomila realmente ajuda a dormir melhor?
A mesma revisão sistemática com 772 participantes analisou o impacto da camomila na qualidade do sono pelo índice de Pittsburgh, ferramenta padrão na área. O resultado foi uma redução significativa no escore, indicando melhora real na qualidade do sono.
Três dos quatro estudos que avaliaram o tempo para adormecer registraram melhora. Quem tomou camomila regularmente também relatou menos despertares durante a noite, o que interfere diretamente no descanso percebido no dia seguinte.
Quem tem mais a ganhar com o uso da camomila para o sono?
Os efeitos são mais evidentes em pessoas com dificuldade leve para adormecer relacionada à agitação mental ou ao estresse do dia. Quadros de insônia crônica grave pedem avaliação profissional, pois a erva não substitui tratamento médico.
Como e quando tomar para ter mais resultado?
A forma mais estudada é o extrato padronizado em cápsulas, mas o chá também apresenta benefícios documentados. O importante é a regularidade, já que os efeitos aparecem com o uso contínuo por algumas semanas, não em uma dose isolada.
Veja as formas mais comuns de consumo e quando cada uma faz mais sentido:
- Chá de camomila: 1 xícara com 1 a 2 colheres de flores secas, em infusão de 10 minutos, entre 30 e 60 minutos antes de dormir.
- Extrato em cápsulas: forma usada nos ensaios clínicos; a dose varia conforme o produto, sempre conforme orientação do rótulo ou profissional de saúde.
- Aromaterapia com óleo essencial: difusor no quarto antes de dormir; efeito mais suave, mas pode complementar outras estratégias.
No vídeo a seguir, o canal do Casa Shanti, com mais de 80 mil inscritos, fala um pouco sobre essa erva:
Existe algum risco em usar camomila regularmente?
Para a maioria das pessoas, a camomila apresenta boa tolerabilidade e não causa dependência. Os estudos registram taxa baixa de efeitos adversos, geralmente leves como desconforto gástrico em doses altas.
Há, contudo, situações que pedem atenção. Pessoas com alergia a plantas da família Asteraceae (como margarida e crisântemo) podem ter reações cruzadas. Quem faz uso de anticoagulantes também precisa consultar um profissional antes de iniciar o consumo regular, pois a interação é possível.

A camomila substitui tratamento médico para ansiedade?
Não. Essa distinção é fundamental. A erva demonstrou utilidade como apoio em quadros leves, mas transtorno de ansiedade generalizada, insônia crônica e outros diagnósticos psiquiátricos exigem avaliação e acompanhamento especializado.
O papel da camomila é o de uma ferramenta complementar dentro de uma rotina de cuidado. Ela pode colaborar com a qualidade do sono e com a gestão do estresse cotidiano, mas não age da mesma forma que tratamentos estabelecidos e não deve substituí-los.










