O mercado de chás calmantes cresceu, mas a maioria das opções não tem evidência clínica robusta por trás. A camomila é a exceção: seus efeitos sobre o estresse e a ansiedade noturna são explicados por um mecanismo molecular específico, documentado em estudos controlados.
O que torna o chá de camomila diferente dos outros chás calmantes?
A diferença está em um composto chamado apigenina, um flavonoide presente em alta concentração nas flores de Matricaria chamomilla. Diferente dos princípios ativos de outras ervas calmantes, a apigenina tem um alvo molecular identificado no sistema nervoso central.
Ervas como valeriana e passiflora também têm estudos favoráveis, mas com metodologia menos consistente e populações menores. A camomila acumula décadas de pesquisa clínica controlada, incluindo ensaios com grupos placebo, o que eleva sua credibilidade científica acima das demais opções populares.

Como a apigenina age nos receptores do cérebro?
A apigenina se liga aos receptores GABA-A no cérebro, os mesmos receptores que medicamentos benzodiazepínicos como o diazepam utilizam para produzir sedação. A diferença é que a apigenina age como agonista parcial, promovendo relaxamento sem o potencial de dependência característico dos fármacos sintéticos.
Esse mecanismo reduz a excitabilidade neuronal de forma gradual e proporcional à dose ingerida em infusão. O resultado é uma sensação de calma que prepara o organismo para o sono sem bloquear a arquitetura natural dos ciclos noturnos, algo que os benzodiazepínicos comprometem com o uso prolongado.
Quais estudos clínicos confirmam a eficácia da camomila?
O National Center for Complementary and Integrative Health, vinculado ao NIH, reconhece que estudos clínicos indicam que extratos de camomila reduziram sintomas de ansiedade generalizada em participantes com diagnóstico estabelecido, com resultados estatisticamente significativos frente ao placebo.
Ensaios de longo prazo, com duração de até 26 semanas, avaliaram tanto a eficácia quanto a segurança do uso contínuo. Os resultados mostraram manutenção do efeito ansiolítico sem desenvolvimento de tolerância farmacológica, o que sustenta a ausência de dependência mesmo com consumo diário prolongado.
Quais outros chás populares não têm o mesmo respaldo?
Muitos chás vendidos como calmantes têm evidências limitadas ou baseadas em estudos com metodologia fraca. É importante distinguir tradição popular de eficácia clinicamente documentada antes de adotar qualquer infusão como rotina terapêutica.
Veja como os principais chás calmantes se comparam em termos de evidência científica disponível:
- Camomila (Matricaria chamomilla): evidência clínica robusta, mecanismo molecular identificado, sem dependência documentada
- Valeriana: estudos positivos, mas com alta variação metodológica e resultados inconsistentes entre ensaios
- Passiflora: promissora em estudos iniciais, ainda sem ensaios de longo prazo suficientes para recomendação ampla
- Erva-cidreira: uso tradicional consolidado, mas evidência clínica controlada ainda escassa para ansiedade crônica
- Lavanda (infusão oral): dados preliminares interessantes, porém a maioria dos estudos usa formulações concentradas, não chá comum
Como preparar o chá de camomila para obter efeito ansiolítico real?
A concentração de apigenina extraída varia conforme o tempo e a temperatura da infusão. Água fervente em contato prolongado com as flores libera mais flavonoides do que uma infusão rápida, o que impacta diretamente na intensidade do efeito calmante.
Para uma infusão eficaz, use 2 colheres de chá de flores secas de camomila por xícara, despeje água a 95°C, tampe e aguarde 8 a 10 minutos antes de coar. Consumir entre 30 e 45 minutos antes de dormir posiciona o pico de absorção da apigenina no momento de transição para o sono.
Veja no vídeo a seguir, do canal Dr. Fabiano Tebas, com mais de 60 mil inscritos, fala um pouco sobre o assunto:
Existe algum risco no consumo diário de chá de camomila?
Para a maioria das pessoas, o consumo diário de chá de camomila é seguro e bem tolerado. A principal contraindicação envolve pessoas com alergia a plantas da família Asteraceae, como margaridas e crisântemos, que podem apresentar reação cruzada com a Matricaria chamomilla.
Gestantes devem evitar o consumo em doses elevadas, pois alguns estudos indicam potencial efeito uterotônico em concentrações superiores às de uma infusão comum. A camomila também pode potencializar o efeito de anticoagulantes orais, um ponto relevante para quem usa esse tipo de medicação de forma contínua.










