Quem cruza a BR-163 rumo ao Mato Grosso costuma passar por Rondonópolis só para trocar de carga e reabastecer. A cidade movida pela soja, pelo algodão e pelo bitrem guarda, a menos de uma hora do centro, um cinturão de cachoeiras e um complexo rochoso que poucos visitantes conhecem.
Uma cidade batizada em homenagem a Rondon
O povoado nasceu às margens do Rio Vermelho no início do século XX e foi oficialmente reconhecido em 10 de agosto de 1915, quando o então presidente do estado Joaquim da Costa Marques destinou 2.000 hectares para o patrimônio da Povoação do Rio Vermelho.
Três anos depois, o local mudou de nome. Em 1918, o deputado e tenente Otávio Pitaluga propôs a mudança para Rondonópolis em homenagem ao marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, sertanista que virou patrono da cidade, segundo registro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A emancipação chegou tarde. Entre as décadas de 1920 e 1940, o distrito enfrentou enchentes, epidemias e a fuga de moradores para os garimpos de diamantes da vizinha Poxoréu. Só a partir de 1947, com o sistema de colônias agrícolas do governo estadual, a cidade retomou o crescimento. A emancipação política se consolidou em 10 de dezembro de 1953.

Como Rondonópolis se sai na economia e na infraestrutura?
Os números explicam parte da atração para quem quer se mudar. A cidade tem o segundo maior PIB do estado e concentra títulos que raramente aparecem no interior brasileiro.
Segundo a Prefeitura de Rondonópolis, o município é apontado como o maior polo de esmagamento, refino e envaze de óleo de soja do Brasil. É também o maior polo misturador de fertilizante do interior brasileiro e a maior produção estadual de ração e suplementos animais, além de abrigar frigoríficos com padrões internacionais.
A vocação lhe rendeu dois apelidos que a Prefeitura utiliza no material oficial: capital do agronegócio e capital do bitrem, em referência aos caminhões de dois compartimentos que dominam a paisagem da BR-163. O município também cooficializou a língua Boe Bororo em 2023, reconhecendo a presença do povo indígena que habita a região.
O que fazer nos fins de semana?
O lazer se organiza em torno das cachoeiras e das áreas verdes municipais. O portal oficial da Prefeitura lista atrativos que ficam entre trinta e sessenta quilômetros do centro.
- Parque Ecológico João Basso: área particular de preservação com grutas, cachoeiras, trilhas e inscrições rupestres.
- Cidade de Pedra: complexo rochoso dentro do Parque João Basso, com cerca de 1.000 hectares e formações que chegam a 100 metros de altura.
- Parque Estadual Dom Osório Stoffel: unidade estadual criada em 2002 com 6.422 hectares, atravessada pelo Rio Vermelho.
- Reserva Indígena Tadarimana: área de mais de 9 mil hectares às margens do Rio Vermelho, com cerca de 200 habitantes da etnia Bororo.
- Cais do Rio Vermelho: espaço público de contemplação no centro, com vista para o entardecer sobre o rio.
- Parque Municipal do Escondidinho: opção mais tranquila para caminhada, dentro da área urbana.
- Museu Rosa Bororo: acervo doado pela população, com objetos que contam a história da cidade, instalado no antigo prédio da Prefeitura.
O município registra 27 quedas d’água em seu território, número expressivo para uma cidade cuja fama internacional gira em torno das lavouras.

Como é o clima de Rondonópolis durante o ano?
O clima é tropical de savana, com chuvas concentradas no verão e uma estiagem prolongada no meio do ano. Agosto costuma registrar apenas 8 mm na média histórica, o que favorece as viagens às cachoeiras.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar e circular pelo sul do Mato Grosso?
A porta de entrada tradicional é Cuiabá, a norte, ligada a Rondonópolis pela BR-364. Quem vem do sul chega pela BR-163, que corta a cidade e liga o estado ao Mato Grosso do Sul e ao Paraná.
O aeroporto de Rondonópolis opera voos regionais, e o aeroporto internacional mais próximo é o Marechal Rondon, na região metropolitana de Cuiabá. Dentro do município, o carro facilita o acesso às cachoeiras, quase todas em estradas vicinais que partem das rodovias principais.
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A capital do agro que também tem cachoeira
Rondonópolis mostra que interior produtivo e natureza preservada não são opostos. A soja financia grande parte da economia, mas o Cerrado ainda se impõe nos morros e nos vales a poucos quilômetros do asfalto.
Você precisa passar um fim de semana em Rondonópolis e descobrir por que a cidade cabe muito além da lavoura.


