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Início Cidades

A “Capital do Agronegócio” que surpreende com 27 cachoeiras escondidas perto da BR-163 no sul do Mato Grosso

Por Maura Pereira
28/08/2026
Em Cidades, Turismo
Apenas 216 km de Cuiabá existe uma cidade onde a força econômica convive com cenários naturais que surpreendem o Brasil

Rondonópolis possui o segundo maior PIB do estado e lidera o ranking de exportações, sendo um gigante logístico do país. / Imagem ilustrativa

Quem cruza a BR-163 rumo ao Mato Grosso costuma passar por Rondonópolis só para trocar de carga e reabastecer. A cidade movida pela soja, pelo algodão e pelo bitrem guarda, a menos de uma hora do centro, um cinturão de cachoeiras e um complexo rochoso que poucos visitantes conhecem.

Uma cidade batizada em homenagem a Rondon

O povoado nasceu às margens do Rio Vermelho no início do século XX e foi oficialmente reconhecido em 10 de agosto de 1915, quando o então presidente do estado Joaquim da Costa Marques destinou 2.000 hectares para o patrimônio da Povoação do Rio Vermelho.

Três anos depois, o local mudou de nome. Em 1918, o deputado e tenente Otávio Pitaluga propôs a mudança para Rondonópolis em homenagem ao marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, sertanista que virou patrono da cidade, segundo registro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A emancipação chegou tarde. Entre as décadas de 1920 e 1940, o distrito enfrentou enchentes, epidemias e a fuga de moradores para os garimpos de diamantes da vizinha Poxoréu. Só a partir de 1947, com o sistema de colônias agrícolas do governo estadual, a cidade retomou o crescimento. A emancipação política se consolidou em 10 de dezembro de 1953.

A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina
Explore Rondonópolis além do agro, conhecendo cachoeiras, formações rochosas e o Casario histórico às margens do rio, cenário que revela a alma do Cerrado mato-grossense. // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

Como Rondonópolis se sai na economia e na infraestrutura?

Os números explicam parte da atração para quem quer se mudar. A cidade tem o segundo maior PIB do estado e concentra títulos que raramente aparecem no interior brasileiro.

Segundo a Prefeitura de Rondonópolis, o município é apontado como o maior polo de esmagamento, refino e envaze de óleo de soja do Brasil. É também o maior polo misturador de fertilizante do interior brasileiro e a maior produção estadual de ração e suplementos animais, além de abrigar frigoríficos com padrões internacionais.

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A vocação lhe rendeu dois apelidos que a Prefeitura utiliza no material oficial: capital do agronegócio e capital do bitrem, em referência aos caminhões de dois compartimentos que dominam a paisagem da BR-163. O município também cooficializou a língua Boe Bororo em 2023, reconhecendo a presença do povo indígena que habita a região.

O que fazer nos fins de semana?

O lazer se organiza em torno das cachoeiras e das áreas verdes municipais. O portal oficial da Prefeitura lista atrativos que ficam entre trinta e sessenta quilômetros do centro.

  • Parque Ecológico João Basso: área particular de preservação com grutas, cachoeiras, trilhas e inscrições rupestres.
  • Cidade de Pedra: complexo rochoso dentro do Parque João Basso, com cerca de 1.000 hectares e formações que chegam a 100 metros de altura.
  • Parque Estadual Dom Osório Stoffel: unidade estadual criada em 2002 com 6.422 hectares, atravessada pelo Rio Vermelho.
  • Reserva Indígena Tadarimana: área de mais de 9 mil hectares às margens do Rio Vermelho, com cerca de 200 habitantes da etnia Bororo.
  • Cais do Rio Vermelho: espaço público de contemplação no centro, com vista para o entardecer sobre o rio.
  • Parque Municipal do Escondidinho: opção mais tranquila para caminhada, dentro da área urbana.
  • Museu Rosa Bororo: acervo doado pela população, com objetos que contam a história da cidade, instalado no antigo prédio da Prefeitura.

O município registra 27 quedas d’água em seu território, número expressivo para uma cidade cuja fama internacional gira em torno das lavouras.

A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina
A cidade equilibra vida urbana e campo, funcionando como base para produtores de soja e milho da região // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

Como é o clima de Rondonópolis durante o ano?

O clima é tropical de savana, com chuvas concentradas no verão e uma estiagem prolongada no meio do ano. Agosto costuma registrar apenas 8 mm na média histórica, o que favorece as viagens às cachoeiras.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 22-32°C
Chuva: Alta
O volume elevado de chuvas deixa as cachoeiras cheias e propícias para banhos de rio.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 20-32°C
Chuva: Média
O clima ameno e estável favorece os parques urbanos e o cais do Rio Vermelho.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 17-34°C
Chuva: Baixa
Com tempo firme e baixa precipitação, destacam-se as trilhas e a Cidade de Pedra.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 21-35°C
Chuva: Média
O aquecimento gradual acompanha o Museu Rosa Bororo e as reservas.
💡 Dica do especialista: O Verão (22°C a 32°C) registra chuva alta, período propício para ver as cachoeiras cheias e aproveitar banhos de rio. No Outono (20°C a 32°C), as precipitações médias criam o cenário ideal para explorar os parques urbanos e o cais do Rio Vermelho. O Inverno (17°C a 34°C) traz baixa incidência de chuva e dias firmes, marcando presença com as trilhas e a Cidade de Pedra. Por fim, a Primavera (21°C a 35°C) combina clima aquecido com o Museu Rosa Bororo e as reservas.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar e circular pelo sul do Mato Grosso?

A porta de entrada tradicional é Cuiabá, a norte, ligada a Rondonópolis pela BR-364. Quem vem do sul chega pela BR-163, que corta a cidade e liga o estado ao Mato Grosso do Sul e ao Paraná.

O aeroporto de Rondonópolis opera voos regionais, e o aeroporto internacional mais próximo é o Marechal Rondon, na região metropolitana de Cuiabá. Dentro do município, o carro facilita o acesso às cachoeiras, quase todas em estradas vicinais que partem das rodovias principais.

Leia também: O paraíso geológico de Mato Grosso com cavernas gigantes, cachoeiras e mirantes cercados pelo Cerrado.

A capital do agro que também tem cachoeira

Rondonópolis mostra que interior produtivo e natureza preservada não são opostos. A soja financia grande parte da economia, mas o Cerrado ainda se impõe nos morros e nos vales a poucos quilômetros do asfalto.

Você precisa passar um fim de semana em Rondonópolis e descobrir por que a cidade cabe muito além da lavoura.

Tags: Mato GrossoRondonópolis
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