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Início Cidades

A Capital Nacional do Agronegócio que esconde pinturas rupestres de 5 mil anos no coração do Mato Grosso

Por Maura Pereira
21/07/2026
Em Cidades, Turismo
A Capital Nacional do Agronegócio que esconde pinturas rupestres de 5 mil anos no coração do Mato Grosso

A geografia da região reúne cachoeiras, cerrado preservado e áreas verdes urbanas espalhadas em um raio de poucas dezenas de quilômetros do centro. / Imagem ilustrativa

Poucas cidades brasileiras conseguem sintetizar dois tempos tão distantes em um mesmo território. Rondonópolis, no sudeste do Mato Grosso, virou sinônimo de soja, algodão e trilhos de trem no ranking de exportações do país. A poucos quilômetros das lavouras, porém, paredões de arenito guardam pinturas rupestres deixadas por povos que viveram ali milhares de anos antes do agronegócio existir como conceito.

Como Rondonópolis se tornou a Capital Nacional do Agronegócio?

A história moderna da cidade começa em 10 de dezembro de 1953, quando o povoado se emancipou politicamente e ganhou o nome definitivo em homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, responsável pela construção das linhas telegráficas que cruzaram o Mato Grosso entre 1907 e 1909. Antes disso, a região passou por três décadas de esvaziamento populacional causado por enchentes, epidemias e a corrida por diamantes na vizinha Poxoréu.

A virada veio nos anos 1970, com a chegada de migrantes sulistas e a mecanização das lavouras. Segundo a Tribuna MT, o marco definitivo foi o desenvolvimento da semente Cristalina pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) em meados dos anos 1980, que transformou a soja no maior produto de exportação da região. Na década de 1990, Rondonópolis já ostentava o título de Capital Nacional do Agronegócio.

A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina
A cidade equilibra vida urbana e campo, funcionando como base para produtores de soja e milho da região // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

O que a Cidade de Pedra guarda dos primeiros habitantes do Cerrado?

A resposta está em um complexo rochoso a poucos quilômetros do centro. Segundo o Oeste Geral, o Parque Ecológico João Basso, Reserva Particular do Patrimônio Natural criada em 1997, abriga a famosa Cidade de Pedra, com cerca de 3.624 hectares de formações de arenito esculpidas pela erosão ao longo de milhões de anos.

Paredões que chegam a 100 metros de altura guardam pinturas rupestres e vestígios de fogueiras deixados por povos que ocuparam a região há pelo menos 5 mil anos, segundo dados do IBGE registrados no sítio arqueológico Ferraz Egreja. Uma cooperação entre o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e o Museu de História Natural de Paris pesquisa o local há mais de três décadas e já catalogou mais de 25 mil artefatos. A região ainda abriga a Reserva Indígena Tadarimana, do povo Bororo, dentro dos limites do município.

Quais outras atrações naturais visitar em Rondonópolis?

A geografia da região reúne cachoeiras, cerrado preservado e áreas verdes urbanas espalhadas em um raio de poucas dezenas de quilômetros do centro. Boa parte funciona o ano todo, mas rende mais na estação seca.

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  • Complexo Turístico do Carimã: circuito de nove cachoeiras acessado por trilha de pouco mais de 1 km, a cerca de 55 km do centro pela BR-163, com hospedagem em chalés rústicos e área de camping.
  • Parque Ecológico João Basso: além da Cidade de Pedra, oferece trilhas guiadas por formações rochosas, mirantes naturais e sítios arqueológicos abertos à visitação.
  • Horto Florestal (Bosque Municipal Isabel Dias Goulart): refúgio verde no centro da cidade, com pista de caminhada, academia ao ar livre e fauna silvestre como macacos e jabutis.
  • Parque do Escondidinho: mirante urbano, fonte interativa e uma das maiores pistas de skate da região.
  • Rodovia do Peixe: trecho de estrada conhecido pelo turismo rural, com pesqueiros, restaurantes e opções de lazer voltadas para famílias.

O que ver no centro histórico e cultural da cidade?

Apesar da imagem de cidade nova ligada ao agro, Rondonópolis preserva um núcleo histórico que conta a formação do povoado desde as primeiras famílias vindas de Goiás e Cuiabá.

  • Casario: conjunto de 24 casas de adobe e alvenaria erguidas a partir de 1930, restaurado pela prefeitura e transformado em espaço cultural com shows de MPB, exposições e feiras temáticas.
  • Museu Municipal Rosa Bororo: acervo dedicado à passagem do Marechal Rondon pela região e à cultura indígena Bororo, com peças históricas do início do século XX.
  • Universidade Federal de Rondonópolis (UFR): instalada na cidade com cursos como Medicina, Engenharia e Psicologia, atrai estudantes de todo o Centro-Oeste.
  • Exposul Rural: uma das maiores feiras agropecuárias do Centro-Oeste, movimenta economia, turismo e cultura regional durante o período de realização.

O que provar na gastronomia mato-grossense de Rondonópolis?

A cena gastronômica combina raiz sertaneja, tradição pantaneira e a herança dos migrantes sulistas que ajudaram a formar a economia moderna da cidade.

  • Peixes de rio: pintado e pacu aparecem grelhados, assados ou em caldos, servidos em restaurantes especializados e nos pesqueiros da Rodovia do Peixe.
  • Churrasco mato-grossense: preparo tradicional em espeto ou grelha, valorizado pela produção pecuária local.
  • Arroz carreteiro: prato da culinária gaúcha adaptado aos ingredientes locais, herança dos migrantes sulistas que se instalaram na região.
  • Doces do cerrado: baseados em frutos nativos como pequi, buriti e cagaita, presentes em cafeterias e mercados municipais.

Leia também: A “Cidade do Aço” combina indústria forte, boa gestão e um dos melhores zoológicos gratuitos do estado.

Como é o clima e a melhor época para visitar Rondonópolis?

A cidade tem clima tropical com duas estações bem definidas. O verão traz chuvas fortes e vegetação exuberante, enquanto o inverno é seco, ensolarado e ideal para trilhas, cachoeiras e visitas aos sítios arqueológicos.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 22-32°C
Chuva: ⛈️ Alta
Aproveite os parques urbanos, museus e o Casario.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 20-32°C
Chuva: 🌦️ Média
Visite as cachoeiras cheias e percorra a Rodovia do Peixe.
🧣 Inverno Jun – Ago
Média: 17-34°C
Chuva: ☀️ Baixa
Explore a Cidade de Pedra, trilhas e sítios arqueológicos.
🌸 Primavera Set – Nov
Média: 21-35°C
Chuva: 🌦️ Média
Aproveite o Complexo Carimã e a gastronomia local.
💡 Dica do especialista: No verão, os termômetros entre 22°C e 32°C e as chuvas frequentes formam o cenário ideal para passear pelos parques urbanos, museus e pelo Casario. Durante o outono, o clima de 20°C a 32°C com chuva média é perfeito para apreciar as cachoeiras cheias e percorrer a Rodovia do Peixe. O inverno traz um período seco com chuvas baixas e temperaturas entre 17°C e 34°C, sendo o momento ideal para explorar a Cidade de Pedra, fazer trilhas e visitar sítios arqueológicos. Na primavera, o calor entre 21°C e 35°C convida a aproveitar o Complexo Carimã e a rica gastronomia local.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

A Capital Nacional do Agronegócio guarda pinturas rupestres milenares e o maior terminal ferroviário de grãos da América Latina
Rondonópolis possui o segundo maior PIB de Mato Grosso e lidera o ranking estadual de exportações, exportando mais que muitos estados brasileiros graças à força do agro. // Créditos: YouTube.com/@gilmardasilvaleal

Como chegar a Rondonópolis?

De carro, o acesso mais direto a partir de Cuiabá é pela BR-163, com trajeto de cerca de 215 km e viagem média de três horas. A cidade fica no cruzamento com a BR-364, o que a torna um dos maiores entroncamentos logísticos do Centro-Oeste.

O aeroporto regional local recebe voos executivos, mas quem chega por transporte aéreo comercial costuma desembarcar no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, próximo a Cuiabá, com trecho final por rodovia. Ônibus regulares saem de várias capitais do Centro-Oeste e do Sudeste em direção à cidade.

O coração do agronegócio brasileiro no meio do Cerrado

Rondonópolis reúne uma combinação difícil de encontrar em outro município brasileiro: a segunda maior economia de Mato Grosso, um sítio arqueológico com milênios de ocupação humana e um complexo rochoso que os pesquisadores continuam mapeando. A soja convive com as pinturas rupestres, o Casario com as universidades federais, o Cerrado com as rodovias que atravessam o país inteiro.

Você precisa conhecer Rondonópolis e subir até um mirante da Cidade de Pedra, provar um pintado grelhado às margens da Rodovia do Peixe e entender por que a Capital Nacional do Agronegócio guarda 5 mil anos de história a poucos quilômetros das lavouras que exportam para o mundo.

Tags: Mato Grossorondonopolis
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