Na divisa com Santa Catarina, a 197 km de Porto Alegre, Torres é a única cidade do litoral do Rio Grande do Sul com falésias de basalto à beira-mar. As formações rochosas nasceram há 130 milhões de anos, quando os continentes americano e africano se separaram, e definem uma paisagem única no litoral brasileiro. A cidade é a Capital Nacional do Balonismo por lei federal desde 2004 e integra o Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul.
Da passagem estratégica à cidade dos balões
A geografia definiu o destino de Torres. Cravada na estreita passagem entre a Serra do Nordeste e o mar, é o único caminho natural entre o Sul e o Sudeste que evita a subida da escarpa serrana. A rota foi muito usada por indígenas, bandeirantes e tropeiros séculos antes do povoamento oficial. O município foi fundado em 21 de maio de 1878, com influência da colonização açoriana e alemã.
A tradição do balonismo começou na década de 1980, com pilotos aproveitando os ventos estáveis e as grandes áreas planas ao redor da cidade. A projeção cresceu tanto que, em 2004, o Congresso Nacional oficializou por lei o título de Capital Nacional do Balonismo. Hoje, o Festival Internacional de Balonismo de Torres, realizado no feriado da Semana Santa, é o maior evento do gênero na América Latina e reúne pilotos de dezenas de países. Segundo a Prefeitura de Torres, a cidade se reinventa constantemente como destino de natureza e turismo de experiência.

O que fazer em Torres em três dias?
O ideal são três dias, com um dedicado ao Parque da Guarita, outro à Prainha, à Praia Grande e ao Morro do Farol e um terceiro ao Rio Mampituba, à Ponte Pênsil e ao Parque Estadual de Itapeva. As distâncias são curtas e o litoral cabe a pé em boa parte.
- Parque Estadual José Lutzenberger (Parque da Guarita): projetado pelo paisagista Burle Marx e criado em 1971, tem trilhas entre as falésias, escadaria com 124 degraus até o topo da Torre Sul e vista das furnas esculpidas pelo mar.
- Praia da Guarita: dentro do parque, com apenas 200 metros de faixa de areia entre duas falésias, é um dos cenários mais fotografados do litoral gaúcho.
- Morro do Farol: mirante natural a 40 metros de altura com vista panorâmica da cidade, do mar e da Ilha dos Lobos ao fundo.
- Ilha dos Lobos: a 2 km da costa, é a única ilha marítima do Rio Grande do Sul e refúgio de lobos-marinhos que migram da Antártida durante o inverno, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
- Praia da Cal: entre o Morro do Farol e o Morro das Furnas, é ponto de encontro de surfistas pelo fundo rochoso que forma boas ondas.
- Praia Grande: a mais extensa e movimentada, com boa infraestrutura de bares, restaurantes e espaço para esportes na areia.
- Praia de Itapeva: 6 km ao sul do parque, é a mais deserta e a única que permite acesso de carros, com dunas e lagoa. O nome vem do tupi-guarani e significa pedra chata.
- Ponte Pênsil e Rio Mampituba: a ponte de 1984 conecta Torres a Passo de Torres, em Santa Catarina, e o rio recebe passeios de barco com pôr do sol clássico.
Uma geologia de relevância mundial
As falésias de basalto que dão nome à cidade são o motivo geológico do reconhecimento internacional. As rochas se formaram há cerca de 130 milhões de anos, durante o vulcanismo que acompanhou a separação dos continentes americano e africano, no rompimento do supercontinente Gondwana. Não existem formações iguais em nenhum outro ponto do litoral gaúcho.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, o Parque Estadual de Itapeva foi criado em 12 de dezembro de 2002 pelo Decreto Estadual 42.009, com cerca de 1.000 hectares de bioma Mata Atlântica. Preserva ecossistemas litorâneos raros, como dunas, restinga, banhados, turfeiras e Mata Paludosa (floresta sobre solos úmidos). Torres também integra o Geoparque Mundial da UNESCO Caminhos dos Cânions do Sul, que reúne o patrimônio geológico da região, e o Parque da Guarita foi renomeado em 2003 para Parque Estadual José Lutzenberger, em homenagem ao engenheiro agrônomo e ambientalista, um dos principais responsáveis pela criação da unidade.

Sabores da mesa torrense
A cozinha combina frutos do mar frescos e tempero gaúcho. A tainha é o grande peixe do outono e do inverno, quando os cardumes descem a costa.
- Tainha assada na brasa: prato símbolo do inverno, servido entre maio e julho nos restaurantes da orla, tradição herdada dos açorianos.
- Rodízio de peixes e camarões: presença fixa nos restaurantes à beira do Rio Mampituba, na divisa com Santa Catarina.
- Anchova grelhada: capturada na costa entre junho e agosto, servida com molho de alcaparras e limão siciliano.
- Chimarrão à beira-mar: tradição gaúcha adaptada ao calçadão, com rodas de amigos no fim de tarde na orla da Praia Grande.
Qual a melhor época para visitar Torres?
O clima é subtropical úmido, com verões quentes e invernos amenos. As temperaturas variam bastante entre as estações, e o vento é forte quase o ano todo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O Festival Internacional de Balonismo, no feriado da Semana Santa, é a maior atração do calendário e enche a cidade de visitantes. Para as praias, a alta temporada vai de dezembro a fevereiro. O inverno, entre junho e agosto, é a melhor época para ver os lobos-marinhos na Ilha dos Lobos e provar a tainha fresca.

Como chegar em Torres?
A cidade fica a 197 km de Porto Alegre pela Estrada do Mar (RS-389) e pela BR-101, em cerca de 2 horas e 30 minutos de carro. O caminho passa por outras cidades do Litoral Norte, como Capão da Canoa e Xangri-lá. Ônibus regulares partem da rodoviária da capital com viagens de aproximadamente 3 horas.
De Florianópolis, capital catarinense, são 280 km pela BR-101, cerca de 3 horas e meia de carro. O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, é o principal ponto de chegada para quem vem de fora, com voos das principais capitais do país. A divisa com Santa Catarina é marcada pelo Rio Mampituba, cruzado pela Ponte Pênsil que conecta Torres a Passo de Torres.
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Vá conhecer Torres
Poucas cidades brasileiras conseguem entregar falésias de basalto de 130 milhões de anos, uma ilha com lobos-marinhos, um festival de balonismo internacional e um parque projetado por Burle Marx no mesmo endereço. Torres segue no ritmo dos ventos que sustentam os balões, das ondas que quebram na Praia da Cal e do sotaque gaúcho misturado ao catarinense na divisa do Mampituba.
Você precisa subir a Torre Sul do Parque da Guarita e ver o mar arrebentar nos paredões para entender por que a única cidade gaúcha com falésias à beira-mar virou o destino mais icônico do litoral do Rio Grande do Sul.




