Em 1975, uma geada intensa mudou a história do norte do Paraná. A chamada geada negra queimou os cafezais e deixou muitas famílias sem trabalho. Em Cianorte, no noroeste do Paraná, a resposta veio de um lugar inesperado: máquinas de costura. Em poucas décadas, a cidade que vivia do café se transformou em um grande centro de confecções, com shoppings atacadistas que recebem compradores de vários estados e um título oficial que resume essa virada: Capital do Vestuário.
Como Cianorte trocou o café pelas roupas?
Depois de uma crise no campo. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), até os anos 1970 o café sustentou a economia do município, mas, no fim da década, as fortes geadas e mudanças na política econômica nacional atingiram o setor. Cianorte encontrou então uma vocação para as confecções e apostou na industrialização.
A mudança foi rápida. Segundo o jornal Gazeta do Povo, o presidente do sindicato das indústrias do vestuário da cidade, Beto Nabhan, lembra que a vocação para a moda nasceu nos anos 1970, depois da geada negra, e que em 1980 as confecções começaram a criar marcas próprias. No fim dos anos 1980, ônibus de excursão que iam para São Paulo passaram a parar em Cianorte.

Como a cidade virou a Capital do Vestuário?
A transformação passou por algumas datas importantes. Estes são os principais marcos, segundo as fontes consultadas.
Qual é o tamanho da indústria da moda em Cianorte?
Grande para uma cidade média. Segundo a Gazeta do Povo, com base em dados do observatório da Fiep, Cianorte, com quase 84 mil habitantes, tinha 224 estabelecimentos do setor têxtil. A Fiep registrou em outro momento que o setor de confecções somava mais de 450 empresas e 600 grifes e empregava mais de 15 mil pessoas, movimentando também bordado, lavanderias e cursos de moda.
A estrutura de vendas é organizada. Segundo a Folha de Cianorte, a cidade reúne seis shoppings atacadistas e cerca de 350 lojas de pronta-entrega, e conta desde 1999 com uma associação que reúne esses shoppings. A Fiep informa que a cidade realiza a Expovest, apresentada como a maior feira do vestuário do Sul do país.

O título de Capital do Vestuário é oficial?
Sim, por lei estadual. Segundo um guia de compras no atacado que cita a legislação, a Lei estadual nº 16.124, de 26 de maio de 2009, deu a Cianorte o título de Capital do Vestuário, como referência de identificação do município por causa das indústrias de confecção que possui.
Para quem visita, a cidade funciona como um grande centro de compras. Os shoppings atacadistas recebem lojistas e sacoleiras de várias regiões, e a Expovest lança as coleções de cada estação. Mesmo para quem não compra para revender, conhecer o movimento dos shoppings é uma forma de entender como uma cidade do interior transformou uma crise em vocação econômica.
Como é o clima de Cianorte ao longo do ano?
A chuva é bem distribuída, com verão mais chuvoso. Janeiro registra 216 mm em média, enquanto agosto tem 75 mm, e julho tem mínima de 13°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
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Uma cidade que costurou o próprio futuro
Cianorte mostra como uma comunidade pode se reinventar diante de uma crise. A geada negra de 1975 acabou com os cafezais, mas abriu espaço para as confecções, que cresceram a ponto de atrair ônibus de compradores de outros estados e render à cidade, em 2009, o título oficial de Capital do Vestuário. Hoje, as roupas feitas ali chegam a lojas de todo o país.
Você precisa percorrer os shoppings atacadistas de Cianorte, ver o movimento das excursões e lembrar dos cafezais que existiam antes da geada para entender como essa cidade costurou o próprio futuro.




