No coração geográfico do Rio Grande do Sul, uma cidade com 282 mil moradores reúne vida universitária, vestígios de animais que viveram há 230 milhões de anos e construções belgas erguidas no começo do século XX. Santa Maria combina diferentes épocas e características que fazem dela um lugar para conhecer de perto e compreender no cotidiano.
De um acampamento de fronteira a um polo ferroviário
A trajetória de Santa Maria começou em 1797, quando uma comissão formada por portugueses e espanhóis instalou um acampamento na região para definir as fronteiras entre os dois impérios. O núcleo de povoamento se desenvolveu nas proximidades e recebeu sua fundação oficial em 1876. Anos depois, a chegada da ferrovia, em 1885, transformou a cidade em um importante entroncamento ferroviário e favoreceu a vinda de imigrantes de diferentes origens.
Um dos principais registros desse período é a Vila Belga, planejada em 1901 e inaugurada em 1907 para abrigar trabalhadores de uma companhia ferroviária de origem belga. Com suas casas coloridas e organização inspirada nas vilas operárias europeias, o conjunto preserva a memória desse ciclo de crescimento. Em 2014, a Mancha Ferroviária, formada pela Vila Belga, pela Gare da Estação e por construções próximas, recebeu tombamento como patrimônio histórico nacional.

A rotina de quem vive no Coração do Rio Grande
O apelido Coração do Rio Grande faz referência à localização de Santa Maria, situada no centro geográfico do estado. Segundo dados do Atlas do Desenvolvimento Humano (PNUD/IBGE), o município registra IDH de 0,784, um dos índices mais elevados entre as cidades do interior gaúcho. É também o quinto município mais populoso do Rio Grande do Sul e o maior de sua região.
Viver na cidade significa encontrar um custo de vida acessível para os padrões da Região Sul, além de um comércio movimentado pela presença de jovens e universitários. As avenidas amplas, os bairros residenciais arborizados e a proximidade com áreas rurais ajudam a equilibrar a estrutura de uma cidade média com a tranquilidade do interior. Vinculado à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) oferece atendimento de alta complexidade a uma população regional superior a 1,3 milhão de pessoas.
O ensino superior que mudou a história da cidade
Fundada em 1960 e inaugurada em março de 1961, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) entrou para a história como a primeira universidade federal brasileira instalada fora de uma capital. Seu campus principal fica no bairro Camobi, ocupa mais de 1.800 hectares e reúne 89 cursos de graduação, planetário, hospital veterinário, moradia estudantil e dois restaurantes universitários.
No Ranking Universitário Folha 2024, a UFSM alcançou a 13ª posição entre as melhores universidades do país. Santa Maria também conta com a Universidade Franciscana (UFN), o Instituto Federal Farroupilha e outras instituições de ensino, que atraem mais de 30 mil estudantes. Essa concentração de atividades acadêmicas ajuda a explicar o apelido Cidade Cultura, associado à identidade do município.

Um território onde estão alguns dos dinossauros mais antigos do mundo
O subsolo de Santa Maria faz parte de uma das áreas mais importantes do planeta para o estudo de fósseis do período Triássico. Em 1902, um rincossauro encontrado na região se tornou o primeiro fóssil descrito na América do Sul. O paleontólogo Llewellyn Ivor Price, nascido no município, também descobriu o estauricossauro, considerado o primeiro dinossauro brasileiro. Décadas depois, pesquisadores identificaram o Gnathovorax, um predador que viveu entre os mais antigos do planeta.
Mais de 20 sítios paleontológicos estão distribuídos pelo município, que também integra dois Geoparques reconhecidos pela UNESCO. O interesse por esse patrimônio tem impulsionado o turismo paleontológico, enquanto museus locais apresentam ao público réplicas e fósseis originais que ajudam a contar a história da vida pré-histórica.
As opções de lazer que fazem parte da rotina local
A agenda cultural e os momentos de descanso em Santa Maria refletem tanto a movimentação da comunidade universitária quanto a força das tradições gaúchas. Entre construções históricas, atrações científicas e paisagens naturais, moradores encontram diferentes maneiras de aproveitar o tempo livre.
- Vila Belga: conjunto de casas coloridas com arquitetura europeia, onde acontece o Brique da Vila Belga, feira quinzenal que reúne artesanato, gastronomia e antiguidades.
- Theatro Treze de Maio: aberto em 1890, tem arquitetura neoclássica e ocupa lugar de destaque na programação cultural da cidade.
- Planetário da UFSM: oferece sessões de astronomia abertas ao público, com projeções que despertam o interesse de famílias e estudantes pelo universo.
- Balneários e cascatas: na zona rural, há cachoeiras, trilhas e propriedades coloniais que produzem queijos, embutidos e vinhos artesanais.
- Santuário da Medianeira: recebe, em novembro, a maior romaria católica do Rio Grande do Sul, reunindo fiéis de diferentes partes do estado.
Quando o clima favorece cada atividade?
Santa Maria tem as quatro estações bem definidas. O verão é quente e o inverno registra geadas com frequência.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

As rotas para chegar ao coração do estado
A partir de Porto Alegre, são cerca de 290 quilômetros até Santa Maria, em um percurso de aproximadamente 3h30 de carro pelas rodovias BR-287 e BR-290. A cidade também conta com o Aeroporto de Santa Maria (RIA), que oferece voos regulares para a capital gaúcha e São Paulo. Já a rodoviária mantém ligações com municípios como Uruguaiana, Passo Fundo e Porto Alegre.
O lugar onde a vida universitária encontra a tranquilidade
Santa Maria reúne estrutura urbana, conhecimento e sossego sem depender do tamanho de uma grande metrópole. A cidade tem hospital de alta complexidade, universidade com planetário, sítios que ajudam a reconstruir a história dos primeiros dinossauros e uma vila ferroviária de arquitetura belga que preserva a atmosfera de outra época. No cotidiano, o ritmo interiorano aparece no chimarrão da manhã, nas tardes nas praças e na proximidade entre os moradores.
Vale conhecer Santa Maria de perto para compreender por que tantos estudantes que chegam ao município para fazer faculdade acabam criando raízes e escolhendo permanecer por ali.




