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Início Cidades

A “Cidade Morena” abriga o maior aquário de água doce do mundo e um sobá vindo de Okinawa em 1908

Por Maura Pereira
01/09/2026
Em Cidades, Turismo
A 2ª melhor capital para viver no Brasil tem araras livres no céu e sobá na mesa

Campo Grande tem avenidas largas, trânsito fluido e um ritmo que moradores comparam ao de cidade do interior. / Imagem ilustrativa

No centro geográfico da América do Sul, Campo Grande combina o vermelho da terra que rendeu o apelido de Cidade Morena com a variedade cultural de uma capital construída em torno de estações ferroviárias, imigrantes japoneses e a porta de entrada do Pantanal. Uma metrópole de quase 1 milhão de habitantes que reúne em poucos quilômetros o maior aquário de água doce do planeta, uma feira gastronômica famosa por servir massa oriental e o maior parque urbano do Mato Grosso do Sul.

Do Arraial de Santo Antônio à capital do agronegócio

O povoado nasceu no encontro dos córregos Prosa e Segredo, onde hoje fica o Horto Florestal. O fundador foi José Antônio Pereira, mineiro que desceu com a família e desbravou os campos nativos do Cerrado em 1875. O nome da cidade veio dos vastos campos abertos, e o Antigo Arraial de Santo Antônio foi elevado a município em 26 de agosto de 1899, data hoje celebrada como aniversário oficial.

Segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, o solo avermelhado e o clima quente renderam o apelido de Cidade Morena. A diversidade veio depois, com a chegada de imigrantes europeus, árabes e orientais que se somaram às raízes indígenas e sertanejas. A cidade foi capital do estado a partir de 1979, quando o desmembramento do antigo Mato Grosso criou o Mato Grosso do Sul, e desde então se firmou como principal centro de negócios do agronegócio brasileiro no Centro-Oeste.

Campo Grande é a capital do Mato Grosso do Sul, cidade moderna com economia baseada em agronegócio e comércio. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Bioparque Pantanal: 5 milhões de litros de água e 470 espécies

Inaugurado em março de 2022 dentro do Parque das Nações Indígenas, o Bioparque Pantanal é considerado o maior aquário de água doce do mundo. Segundo o site oficial do Bioparque Pantanal, o complexo tem cerca de 19 mil metros quadrados de área construída, 33 tanques com volume total de aproximadamente 5 milhões de litros de água e abriga mais de 45 mil animais de cerca de 470 espécies, entre peixes, répteis e outros habitantes do bioma pantaneiro.

O projeto arquitetônico é assinado por Ruy Ohtake e foi finalizado por seu filho Rodrigo Ohtake depois da morte do arquiteto em 2021. Além do circuito de tanques internos e externos, o complexo conta com museu interativo, biblioteca, auditório com 250 lugares, laboratórios de pesquisa e cenografia dos ambientes assinada pelo artista Roberto Alves Gallo. A entrada é gratuita mediante agendamento prévio, o que faz do parque um dos atrativos mais concorridos de qualquer temporada em Campo Grande.

Sobá: o macarrão de Okinawa que virou patrimônio brasileiro

A colônia japonesa chegou a Campo Grande em 1908 e trouxe na bagagem uma receita da Ilha de Okinawa: uma sopa espessa com macarrão, ovo, cebolinha e tiras de carne. O sobá foi se adaptando ao paladar sul-mato-grossense e ganhou tanto peso na cultura local que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como patrimônio cultural imaterial. O prato deixou de ser refeição comunitária dos primeiros imigrantes e virou identidade da cidade.

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O melhor endereço para provar é a Feira Central de Campo Grande, popularmente chamada de Feirona. Segundo a Prefeitura Municipal de Campo Grande, a feira funciona desde 2006 nas instalações da antiga Estação Ferroviária, reunindo dezenas de barracas de sobá, iguarias paraguaias, artesanato indígena e produtos regionais. Funciona às quartas, quintas e sextas a partir das 16h, e aos sábados e domingos a partir das 12h.

Quais atrações não podem ficar de fora do roteiro?

A cidade cabe em roteiro de dois a três dias, com atrações concentradas no centro e no eixo do Parque das Nações Indígenas. Praticamente tudo funciona a poucos minutos de carro entre um endereço e outro.

  • Parque das Nações Indígenas: maior parque urbano da cidade, com trilhas entre jenipapos, mangueiras e aroeiras. Abriga o Bioparque, o Museu das Culturas Dom Bosco, o Museu de Arte Contemporânea e o Memorial da Cultura Indígena.
  • Bioparque Pantanal: complexo do maior aquário de água doce do mundo, com programa educativo, exposições de biodiversidade e cenários que reproduzem os principais habitats pantaneiros.
  • Feira Central: patrimônio cultural imaterial da cidade, palco do sobá e ponto obrigatório para experimentar a culinária local em ambiente descontraído.
  • Mercado Municipal Antônio Valente: o Mercadão fica no centro e reúne pastéis com mais de 50 sabores exóticos, entre eles jacaré, pacu e frango com pequi, além de tereré e artesanato.
  • Praça Ary Coelho: coração histórico do centro, com o coreto tradicional, bancos sombreados e concha acústica. Ponto de encontro tradicional dos campo-grandenses.
  • Memorial da Cultura Indígena: oca gigante inspirada nas construções do povo Terena, com exposição permanente sobre os povos originários do Mato Grosso do Sul.
O prato japonês que saiu do Japão e ganhou reconhecimento oficial no Brasil é o único tombado como patrimônio histórico
Destaca-se pelo patrimônio histórico, diversidade cultural e eventos como Festival América do Sul e Festival de Inverno. // Créditos: depositphotos.com / vbacarin

Onde comer além do sobá?

A gastronomia campo-grandense é uma soma de sertão pantaneiro, tradição indígena e influências dos imigrantes. Os pratos aparecem tanto em restaurantes tradicionais quanto nas barracas da Feirona.

  • Sobá: sopa com macarrão de Okinawa, ovo, cebolinha e tiras de carne. Servido nas casas familiares da Feira Central que preservam a receita centenária.
  • Caldo de piranha: iguaria do Pantanal, servido bem quente, com pedaços do peixe e temperos regionais, tido pelos locais como afrodisíaco.
  • Espetinho: tradição campo-grandense servida na hora nas ruas do centro, especialmente às sextas à noite, com carne, coração de galinha e queijo coalho.
  • Pintado com urucum ou banana-da-terra: peixe nobre do Pantanal, preparado em receitas típicas da culinária pantaneira.
  • Tereré: versão gelada do chimarrão, de origem Guarani, bebida diária dos campo-grandenses em cuias personalizadas.

Como é o clima ao longo do ano

Campo Grande tem clima tropical de savana, com verão chuvoso e inverno seco. As friagens vindas do Sul podem derrubar a temperatura no meio do inverno, o que garante madrugadas quase frias em uma capital tropical.

🌧️ Chuvas Nov-Mar
Média: 21-32°C
Chuva: Alta
Explorar o Bioparque, museus e o Mercadão.
🌦️ Transição Abr-Mai
Média: 18-29°C
Chuva: Média
Perfeito para passeios pelo Parque das Nações Indígenas.
☀️ Seca Jun-Ago
Média: 15-28°C
Chuva: Baixa
Ideal para um bate-volta ao Pantanal e à Serra da Bodoquena.
🌤️ Pré-chuva Set-Out
Média: 19-33°C
Chuva: Média
Aproveitar a Feira Central e a vida cultural nas praças.
💡 Dica do especialista: O período de seca (junho a agosto, 15°C a 28°C) apresenta baixa chuva, sendo ideal para fazer um bate-volta ao Pantanal e à Serra da Bodoquena. Enquanto a época de chuvas convida a explorar o Bioparque e o Mercadão, a transição e o pré-chuva trazem ótimas opções para passeios no Parque das Nações Indígenas e na Feira Central!

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Campo Grande

O Aeroporto Internacional de Campo Grande recebe voos diários de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e outras capitais. Por rodovia, a cidade é cortada pelas BR-262 (que liga Vitória a Corumbá, na fronteira com a Bolívia) e pela BR-163, principal eixo rodoviário Norte-Sul do país. Também funciona como base para bate-voltas ao Pantanal, a Bonito (a cerca de 300 km) e à Serra da Bodoquena.

Leia também: A ilha do Nordeste já foi refúgio de piratas, preserva uma fortaleza de 1630 e proibiu carros para manter um estilo de vida simples.

A capital que fica no meio da América do Sul

Campo Grande é a única capital brasileira que consegue reunir num único endereço um aquário recordista mundial, um prato oriental tombado como patrimônio e a chegada ao maior santuário de fauna do país. Não vive dos estereótipos do agro: exibe uma cultura urbana em pleno movimento, com museus, feiras étnicas e uma agenda gastronômica cada vez mais reconhecida.

Você precisa conhecer Campo Grande, tomar um tereré ao pôr do sol e depois provar um sobá na Feirona para entender por que a Cidade Morena virou parada obrigatória de quem quer descobrir o Centro-Oeste.

Tags: Campo GrandeRio Grande do Sul
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