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Início Cidades

A cidade que nasceu de um “castelo medieval nas montanhas” e virou refúgio no sul capixaba com picos de 2 mil metros

Por Maura Pereira
28/08/2026
Em Cidades, Turismo
Com 600 moradores, 3.300 metros de caverna, artes de 6 mil anos, 35.000 anos de vestígios e 7.245 anos de DNA confirmado essa vila ainda guarda um castelo medieval

Casas brancas, um castelo medieval suspenso sobre o abismo e um silêncio raro para os padrões andaluzes. / Imagem ilustrativa

A cerca de 150 km de Vitória, entre picos que ultrapassam 2 mil metros e cachoeiras escondidas na Mata Atlântica, Castelo guarda um dos cenários mais verdes do sul do Espírito Santo. A cidade combina turismo de montanha, agroturismo e uma tradição religiosa que colore as ruas do centro todo mês de junho.

A cidade que nasceu no rastro do ouro

O nome tem origem curiosa. Segundo registros históricos, veio de exploradores que, em busca de ouro na serra capixaba, se depararam com formações rochosas parecidas com um castelo feudal europeu. A cidade fica na região das Montanhas Capixabas, uma das dez regiões turísticas do estado.

De acordo com a Secretaria de Estado de Turismo do Espírito Santo (Setur ES), essa região reúne cachoeiras, polos de uvas e vinhos, voo livre, rapel e forte herança dos imigrantes europeus. Castelo é uma das principais peças desse mosaico.

A cidade cabe bem em dois ou três dias, com atrações divididas entre o centro histórico e o interior verde. / Créditos: Wikipédia

O que fazer em Castelo em um final de semana?

A cidade cabe bem em dois ou três dias, com atrações divididas entre o centro histórico e o interior verde. A maior parte fica a menos de 30 minutos do centro.

  • Parque Estadual do Forno Grande: unidade de conservação com 730 hectares que abriga o Pico do Forno Grande, segunda maior elevação do estado.
  • Gruta do Limoeiro: caverna aberta à visitação guiada, com formações rochosas que rendem passeios de algumas horas.
  • Cachoeira do Pedregulho: queda d’água escolhida entre as 7 Maravilhas do município, ideal para banho em dias quentes.
  • Parque Estadual de Mata das Flores: 800 hectares de Mata Atlântica com trilhas leves, cercado por plantações de café.
  • Casarão da Fazenda do Centro: construção histórica que preserva a memória da elite cafeicultora do século XIX.
  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha: templo do centro que é palco da tradicional festa de Corpus Christi.
  • Pedra do Fio: formação rochosa procurada por praticantes de escalada e rapel.

A segunda maior elevação do Espírito Santo fica em Castelo

O Pico do Forno Grande chega a 2.039 metros de altitude e é o segundo ponto mais alto do estado, atrás apenas do Pico da Bandeira, na divisa com Minas Gerais. As trilhas atravessam campos de altitude e uma floresta de neblina no cume.

O Parque Estadual do Forno Grande foi criado originalmente como reserva florestal em 1960 e virou parque estadual em 1998. É administrado pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA) e abriga espécies ameaçadas como a onça-parda, a jaguatirica e o muriqui-do-sul. O centro de visitantes conta com o museu Onça Pintada.

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O vídeo é do canal De Repente Nômades, que conta com mais de 17 mil inscritos, e apresenta um roteiro imperdível por Castelo (ES), explorando a Gruta do Limoeiro, os tradicionais tapetes de Corpus Christi e as trilhas do Parque Estadual do Forno Grande

Uma festa que transforma o asfalto em obra de arte

Todo ano, no feriado de Corpus Christi, as ruas do centro de Castelo se enchem de tapetes feitos de serragem colorida, pedras, palhas e materiais reciclados. A tradição religiosa é uma das mais antigas da região sul do estado e foi eleita uma das 7 Maravilhas do município.

Os desenhos, montados na madrugada por moradores, cobrem quarteirões inteiros e desaparecem à tarde, quando a procissão passa por cima. É o cartão-postal humano da cidade e concentra o maior fluxo turístico do ano.

O que comer entre uma trilha e outra?

A gastronomia de Castelo mistura raízes italianas, café da região e produção artesanal do agroturismo. As propriedades rurais no entorno abrem as porteiras para almoços com sabor caseiro.

  • Polenta com frango caipira: prato de herança italiana servido em fazendas e restaurantes de estrada.
  • Café serrano: a cidade fica na região cafeeira capixaba e produz grãos de altitude apreciados por baristas.
  • Queijos e embutidos coloniais: produção de pequenos sitiantes, geralmente vendida direto na porteira.
  • Doces caseiros e geleias: goiabada, doce de leite e compotas típicas do interior capixaba.

Como chegar a Castelo?

De Vitória, o caminho mais comum tem cerca de 150 km e leva pouco mais de duas horas. O trajeto passa por Cachoeiro de Itapemirim antes de subir para a serra. O Aeroporto de Vitória Eurico de Aguiar Salles é o mais próximo com voos regulares, e o traslado pode ser feito de carro alugado ou van turística.

Leia também: A “Capital do Agronegócio” que surpreende com 27 cachoeiras escondidas perto da BR-163 no sul do Mato Grosso.

Suba a serra e conheça Castelo

A cidade combina uma coisa rara no mapa capixaba: montanha alta, cachoeira farta e uma tradição religiosa que pinta as ruas todo ano. Poucos destinos do sul do estado entregam tanta paisagem em tão pouco espaço.

Você precisa subir a serra e conhecer Castelo para entender por que o Espírito Santo tem muito mais que praia para oferecer.

Tags: casteloespirito santo
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