Cooperativas costumam nascer pequenas, unindo vizinhos que dividem o mesmo problema. Em Chapecó, no oeste de Santa Catarina, a Aurora surgiu em 1969 da união de cooperativas da região e se tornou uma das maiores exportadoras de carne do país, a ponto de dar à cidade o apelido de capital brasileira da agroindústria.
Como a Aurora chegou a Chapecó?
Chegou devagar, depois de quatro anos de negociação. A cooperativa central foi formada em 1969 por representantes de oito cooperativas, mas, segundo pesquisa da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), articulações de empresários locais e de agentes públicos atrasaram sua instalação. A virada só veio em 1972, com a compra do Frigorífico Marafon, e as atividades foram oficializadas em outubro de 1973.
A partir daí, a cidade passou a crescer em torno das grandes plantas de processamento. Estudo publicado nos anais da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur) mostra que a concentração de frigoríficos levou a própria Prefeitura a adotar o título de capital brasileira da agroindústria, e que os planos urbanos da década de 1970 foram desenhados para consolidar esse papel regional.

Quanto a agroindústria de Chapecó produz por dia?
Os números de 2025 divulgados pela cooperativa ajudam a dimensionar a engrenagem que tem Chapecó como sede. Só no processamento de aves, o volume diário equivale a cerca de 16 frangos por segundo, sem pausa, ao longo de 24 horas.
O que visitar em Chapecó além da indústria?
O centro reúne os símbolos da formação da cidade. Ao lado da Catedral Santo Antônio, inaugurada em 1956, ergue-se o monumento O Desbravador, escultura de 14 metros e 9 toneladas que homenageia os primeiros colonizadores do município.
Também no centro, o prédio histórico da antiga prefeitura abriga o Museu de História e Arte de Chapecó, com acervo ligado aos povos Kaingang e Guarani, que ocupavam a região antes da colonização. O próprio nome da cidade vem do idioma kaingang, e a versão mais difundida o traduz como “de onde se avista o caminho da roça”. A Arena Condá, estádio da Chapecoense, completa o roteiro como lugar de memória da tragédia aérea de 2016 que comoveu o mundo.
Qual a história da Floresta Nacional de Chapecó?
A floresta nasceu com outro nome. Segundo pesquisa da UFFS, o Instituto Nacional do Pinho criou em 1961 o Parque Florestal João Goulart, que só passou a se chamar Floresta Nacional de Chapecó em 1968, após a extinção do instituto.
A unidade protege trechos de Floresta Ombrófila Mista, a mata com araucárias típica do planalto sul-brasileiro, e de Floresta Estacional Decidual, que perde parte das folhas no inverno. Hoje é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com sede às margens da SC-283, em Guatambu, e preserva remanescentes da floresta que a indústria madeireira e as lavouras reduziram ao longo do século XX.

Qual a melhor época para visitar Chapecó?
A chuva se distribui ao longo do ano, e outubro é o mês mais úmido, com 239 mm. O inverno traz mínimas de 10°C em julho, enquanto o verão chega a máximas de 28°C.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Chapecó?
A cidade fica a cerca de 550 km de Florianópolis, e o acesso rodoviário principal é a BR-282, que cruza Santa Catarina de leste a oeste. Para quem prefere encurtar a viagem, Chapecó conta com aeroporto próprio, que atende a região oeste do estado.
A posição no extremo oeste coloca a cidade perto das divisas com o Rio Grande do Sul e o Paraná, em uma região de fronteira com a Argentina, e faz dela referência regional em comércio e serviços.
A cidade que exporta o próprio trabalho
Chapecó transformou uma cooperativa de agricultores em uma engrenagem que abastece mesas em mais de 80 países, sem perder os símbolos da colonização e as marcas dos povos que vieram antes. Poucas cidades do interior brasileiro estão tão ligadas ao que se come do outro lado do mundo.
Você precisa conhecer Chapecó e entender, de perto, como o oeste catarinense alimenta o mundo.




