Entre os gorilas-das-montanhas, machos adultos podem passar bastante tempo próximos de filhotes, inclusive quando não existe certeza de que aqueles jovens sejam seus descendentes.
Por que os enormes gorilas machos cuidam de filhotes que podem nem ser seus?
Os gorilas-das-montanhas vivem em grupos nos quais vários machos podem conviver com fêmeas e filhotes. Nessa configuração, saber exatamente quem gerou cada criança nem sempre é simples. Mesmo assim, os machos podem descansar em contato com os pequenos, fazer grooming e permanecer próximos deles, formando relações que ultrapassam uma definição estrita de paternidade genética.
A presença de vários machos no mesmo grupo cria uma situação diferente daquela observada em espécies nas quais um único macho monopoliza as fêmeas. Ainda assim, os filhotes podem estabelecer relações próximas com adultos que não são necessariamente seus pais. Para os machos, esse comportamento envolve tolerância, proximidade física e possível proteção contra ameaças dentro e fora do grupo.

O que as pesquisas revelam sobre esses “pais” sem certeza de paternidade?
A presença de vários machos no mesmo grupo cria uma situação diferente daquela observada em espécies nas quais um único macho monopoliza as fêmeas. Ainda assim, os filhotes podem estabelecer relações próximas com adultos que não são necessariamente seus pais. Para os machos, esse comportamento envolve tolerância, proximidade física e possível proteção contra ameaças dentro e fora do grupo.
Pesquisas da Northwestern University e do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology analisaram dados comportamentais e genéticos de gorilas monitorados durante décadas. O estudo encontrou que machos que mais se associavam aos filhotes geravam mais descendentes ao longo da vida, mesmo sem distinguir claramente seus próprios filhos dos demais jovens presentes no grupo.
Por que a proteção pode explicar parte dessa relação entre machos e filhotes?
O mais surpreendente é que a proximidade não parece depender simplesmente de saber quem é o pai. Em grupos com vários machos, a paternidade pode ser incerta, mas as relações entre adultos e filhotes continuam ocorrendo. Isso sugere que o comportamento pode cumprir funções sociais mais amplas do que o cuidado direcionado exclusivamente aos descendentes genéticos.
A proteção é especialmente relevante porque filhotes de gorila enfrentam riscos que podem ser reduzidos pela presença de machos adultos. Um macho forte pode funcionar como barreira diante de ameaças e também ocupar uma posição importante na estrutura social. Assim, o contato com filhotes pode beneficiar os jovens e, simultaneamente, fortalecer relações do próprio macho dentro do grupo.

Quais comportamentos fazem esses enormes primatas parecerem verdadeiros cuidadores?
A relação entre machos e filhotes não precisa significar que cada adulto esteja exercendo exatamente o papel de pai. Entre os gorilas, permanecer próximo pode oferecer proteção, formar vínculos sociais e contribuir para a dinâmica do grupo. A pesquisa também levanta a possibilidade de que essa convivência aumente oportunidades reprodutivas futuras, embora o mecanismo exato ainda não esteja totalmente definido.
Alguns comportamentos ajudam a explicar esse cuidado:
O que esse comportamento dos gorilas revela sobre a evolução do cuidado paterno?
O estudo encontrou uma associação impressionante: os machos que mais se relacionavam com os filhotes apresentaram maior sucesso reprodutivo posteriormente. Os pesquisadores estimaram que aqueles no grupo de maior frequência de associação poderiam gerar cerca de cinco vezes mais filhotes ao longo da carreira reprodutiva do que os que apresentavam menor associação. Isso não prova causalidade.
Esse cuidado também ajuda a ampliar a discussão sobre a evolução do comportamento paterno. Se machos podem obter benefícios reprodutivos ao desenvolver relações com filhotes mesmo sem alta certeza de paternidade, a seleção natural pode favorecer comportamentos de cuidado em espécies nas quais a monogamia não é a regra. Os gorilas oferecem, assim, uma janela para compreender caminhos evolutivos do cuidado masculino.




