A fita do Super Mario World para Super Nintendo, usada e sem caixa, está anunciada por R$ 683 no Enjoei, no levantamento desta sexta-feira, 9/10/2026. É o preço pedido no anúncio, de um vendedor de Passo Fundo (RS), já com 9% de desconto sobre os R$ 750 iniciais. Na mesma plataforma e no mesmo dia, um Super Nintendo Baby nacional, modelo SNNM-001 (BRA), com fonte e um controle, aparece anunciado por R$ 360. A fita sozinha pede quase o dobro do console que roda o jogo.
O contraste chama atenção porque nenhum dos dois itens é raridade. O console chegou oficialmente ao Brasil em 1993 pelas mãos da Playtronic, e a própria empresa afirmou ter vendido 2 milhões de unidades do Super Nintendo entre 1993 e 2000, conforme reportagem do Canaltech sobre a disputa entre Mega Drive e Super Nintendo no Brasil, que lembra que essa conta deixa de fora o mercado paralelo. E em 1997, ainda segundo o Canaltech, o aparelho era vendido por R$ 269 com o Super Mario World incluso. A fita que hoje pede R$ 683 era justamente a que vinha junto no pacote.

Os anúncios do Super Nintendo em 9 de outubro
Procurar pelo nome do console no Enjoei trazia 4.226 resultados na consulta de sexta, muitos sem relação com o videogame. Estes são os anúncios que permitem comparar versões e acessórios, todos com valor pedido pelo vendedor:
- Fita Super Mario World, usada, só o cartucho: R$ 683 (cheio R$ 750), Passo Fundo (RS).
- Super Nintendo Baby SNNM-001 (BRA) com fonte e um controle: R$ 360 (cheio R$ 510), cidade não informada.
- Super Nintendo Baby descrito como revisado, só o aparelho: R$ 400, Posse (GO).
- Fita Top Gear 3000, só o cartucho, descrito no anúncio como em perfeito estado: R$ 1.500, São Paulo (SP).
- Fita Top Gear 3000 com caixa original: R$ 1.000, São Paulo (SP).
- Fita Super Street Fighter II com caixa original: R$ 800, São Paulo (SP).
- Super Nintendo Super Set Playtronic com caixa original, dois controles, fonte, cabos e Super Mario Kart: R$ 1.450, Guarulhos (SP).
- Super Nintendo nacional com dois controles, fonte, adaptador e cerca de dez cartuchos, entre eles Super Mario World, Top Gear e Mario Paint: R$ 2.500, São Paulo (SP).

Fora dessa lista, consoles avulsos aparecem no Enjoei entre R$ 330, um aparelho amarelado que o vendedor descreve como bloqueado, e R$ 3.590, um exemplar Playtronic anunciado em excelente estado, caso típico de colecionador. Por isso a comparação do título vale para dois anúncios específicos, e não para o console em geral: há aparelhos pedindo bem mais que a fita.
Cr$ 25 mil em 1993, R$ 269 com o Mario em 1997
A Playtronic nasceu em 1993 como uma associação entre a Gradiente e a Estrela. Segundo a InfoMoney, ela se tornou a única fabricante autorizada da Nintendo fora do Japão. Pela empresa chegaram oficialmente ao país o Nintendinho, o Game Boy, o Super Nintendo e o Nintendo 64, conta a história da Gradiente publicada pelo TecMundo no Estadão, que registra ainda que, três anos depois, a Gradiente comprou a parte da Estrela no negócio.
O preço de largada assustava. O Canaltech aponta um valor sugerido de Cr$ 25.000 no lançamento oficial, em 1993, quando o salário mínimo era de Cr$ 5.534. Pela conta com esses dois números, o console pedia cerca de quatro salários mínimos e meio. Um texto mais antigo do mesmo site, de 2013, confirma que o Super Nintendo saía por Cr$ 25 mil em agosto de 1993.
Com o real, a etiqueta mudou de cara. Em 1997, segundo o Canaltech, o aparelho era vendido por R$ 269 já com o Super Mario World na caixa. Dois anos depois, o preço continuava em R$ 269, mas o pacote tinha virado a versão Baby, com dois controles e dois jogos. É a mesma versão compacta que agora aparece anunciada por R$ 360 com fonte e um controle.
Era a época em que a Nintendo disputava a sala de estar com a Tec Toy, que vendia aqui os consoles da Sega. O CB Radar já mostrou o primeiro modelo do Mega Drive anunciado por R$ 780 na OLX e o Master System II completo, com caixa e manual, pedindo R$ 1.550 no Enjoei, dois rivais diretos do aparelho da Playtronic nas prateleiras.
Caixa, fonte e controle no texto de cada anúncio
Quem tem um Super Nintendo guardado consegue reconhecer, nos próprios anúncios, o que costuma aparecer junto com os valores mais altos e mais baixos.
O que acompanha. O Baby de R$ 360 vem com fonte e controle, enquanto o de R$ 400 é só o aparelho, descrito como revisado. Sem fonte, o aparelho não liga; sem controle, não se joga. A diferença entre os dois pedidos é de R$ 40.
Modelo e caixa. O Super Set da Playtronic com caixa original, dois controles e Super Mario Kart pede R$ 1.450, quatro vezes o Baby avulso. A caixa, porém, não funciona como regra fixa: o Top Gear 3000 sem caixa está anunciado por R$ 1.500, acima do exemplar com caixa original, de R$ 1.000. Preço pedido é escolha de cada vendedor.
Estado e funcionamento. O console mais barato encontrado, de R$ 330, é descrito como amarelado e bloqueado. Os mais caros falam em excelente estado ou perfeito estado.
Origem. O anúncio da fita de R$ 683 não informa se o cartucho é da Playtronic ou importado, e por isso não dá para atribuir o valor a uma edição nacional.
A fita sozinha contra o console de 1997
Com os pedidos levantados na sexta, qualquer leitor repete as contas com uma calculadora. R$ 683 divididos por R$ 360 dão 1,9: é daí que vem a distância de quase o dobro entre a fita e o Baby com fonte e controle.
Contra o pacote de 1997 registrado pelo Canaltech, a fita pede cerca de 2,5 vezes os R$ 269 que levavam o console e o próprio Super Mario World para casa. A comparação é nominal, sem correção pela inflação, e serve só para medir a distância entre a etiqueta da loja e o pedido de agora.
Há outras contas possíveis com a mesma lista. O Top Gear 3000 avulso, por R$ 1.500, pede mais que o Super Set completo da Playtronic na caixa, de R$ 1.450. E o anúncio de R$ 2.500, com console, dois controles e cerca de dez cartuchos, pede menos que quatro fitas do Super Mario World ao preço do anúncio de Passo Fundo, que somariam R$ 2.732.
Nesse mercado, o que puxa o número para cima é o jogo de que todo mundo lembra, não o plástico do console. Em 1999, segundo o Canaltech, os mesmos R$ 269 compravam um Super Nintendo Baby, dois controles e dois jogos; no anúncio de sexta, essa quantia não chega à metade do pedido por um único cartucho do Mario.

