Uma fita de Zelda Ocarina of Time para Nintendo 64, completa com caixa e manual, aparece anunciada por R$ 1.500 no Enjoei, conforme a pesquisa da reportagem na sexta-feira, dia 9 deste outubro de 2026. Na mesma plataforma, um cartucho avulso de Mario Kart 64, sem caixa, pede R$ 600 com desconto (o preço cheio é R$ 700), enquanto um console com controle original, cabo de áudio e vídeo e fonte está anunciado por R$ 589. São valores pedidos pelos vendedores, não negócios fechados.
Nenhum dos dois jogos é peça de tiragem curta. Segundo o conta do Canaltech que atualizou pelo IPCA o valor de lançamento do N64, o Nintendo 64 chegou a 32,93 milhões de aparelhos vendidos em todo o planeta até sair de linha, e Ocarina of Time é tratado por muita gente como o melhor jogo já lançado. O mesmo Canaltech diz que, no Brasil, o aparelho foi distribuído pela Playtronic no fim de 1996. Um total de vendas no mercado brasileiro não foi localizado pela reportagem.

Nintendo 64 no Enjoei: os pedidos de 9 de outubro
A busca por “nintendo 64” no Enjoei devolvia 1.674 resultados na sexta (9). Esta seleção, com anúncios ativos naquela data, ajuda a comparar cartucho, acessório e console:
- Zelda Ocarina of Time, com caixa e manual: R$ 1.500, em Santa Maria (RS).
- GoldenEye 007, versão americana, só o cartucho: R$ 1.399, cidade não informada.
- Mario Kart 64, só o cartucho: R$ 600 (cheio R$ 700), em São Paulo (SP).
- Expansion Pak original, o acessório que amplia a memória do console: R$ 637 (cheio R$ 699), em Parnamirim (RN).
- Console modelo NUS-001 com controle original cinza, cabo de áudio e vídeo e fonte, sem caixa nem manual: R$ 589, cidade não informada.
- Console com controle cinza e cabo de áudio e vídeo paralelo: R$ 680, em Serra (ES).
- Console original com controle, fonte, cabos e cabo RF de antena: R$ 630 (cheio R$ 650), em Rio Grande (RS).
- Console revisado, sem acessórios e sem o jumper pak: R$ 330, em Posse (GO).

O desenho se repete: o aparelho com controle fica entre R$ 589 e R$ 680, e os cartuchos mais conhecidos encostam nessa faixa ou passam dela. O cartucho virou a peça cara da sala.
Da parceria Gradiente e Estrela à fita de R$ 109,90
Por trás da Playtronic estavam duas marcas nacionais. Em 1993, a Gradiente se associou à Estrela, fabricante de brinquedos, para vender produtos oficiais da Nintendo no país, conforme o histórico da Gradiente publicado pelo Estadão em parceria com o TecMundo. O N64 entrou nesse catálogo ao lado dos portáteis e dos consoles de mesa anteriores. Mais tarde, a fatia da Estrela passou para a Gradiente, que rebatizou a operação de Gradiente Entertainment. O acordo com a Nintendo acabou em 2003, e o relato aponta impostos altos e pirataria como motivos.
O preço de chegada tem duas versões. O Canaltech registra R$ 680, em até duas vezes, com o mínimo nacional fixado em R$ 112. Já o texto do Olhar Digital que corrigiu o valor do console pela Calculadora do Cidadão, citando o site Aperta o X, fala em R$ 640, ou duas parcelas de R$ 320. Pelas duas contas, o console custava perto de seis salários mínimos.
Os cartuchos também pesavam. Segundo o Canaltech, os jogos de lançamento no Brasil (Super Mario 64, Star Wars: Shadows of the Empire, Cruis’n USA, Pilotwings 64 e Mortal Kombat Trilogy) saíam por R$ 109,90 cada, quase um salário mínimo por fita. O site resume o efeito sobre o bolso com uma imagem conhecida de quem viveu os anos 90: com cartucho, “nada de três jogos por R$ 10”.
O console também ganhou versões coloridas, lembra o Canaltech. Uma delas, anunciada como Nintendo 64 Gradiente da linha “Sabores”, na cor anis e com caixa, aparece no Enjoei por R$ 1.839, em São Leopoldo (RS), na mesma busca de sexta.
Caixa, manual e controle: onde o pedido sobe
Quem guarda um Nintendo 64 em casa consegue reconhecer, pela lista do Enjoei, o que separa um anúncio de R$ 330 de outro de R$ 680. Os pontos que aparecem nas descrições são estes:
- Caixa e manual. O Zelda de R$ 1.500 é o único da lista anunciado “completo”. O Mario Kart 64 e o GoldenEye 007 vêm só com o cartucho.
- Controle original. Os três consoles na faixa de R$ 589 a R$ 680 vêm com controle; o de R$ 330 não traz nenhum acessório.
- Fonte e cabos. Fonte, cabo de áudio e vídeo e cabo RF são citados um a um nos anúncios, porque fazem falta na hora de ligar o aparelho na TV.
- Jumper pak. O console revisado de R$ 330 avisa no anúncio que não tem a peça.
- Cor e edição. O console cinza ou preto comum fica abaixo de R$ 700; a edição colorida da Gradiente com caixa pede mais que o dobro.
- Região. O GoldenEye 007 anunciado é a versão americana, informação que o vendedor destaca.
Na descrição do Zelda não há menção a versão nacional nem à cor da fita, e isso não dá para presumir pela foto da busca.
Dois consoles e meio por uma fita de Zelda
Com os pedidos registrados no Enjoei na sexta, a comparação é rápida. O Zelda com caixa e manual (R$ 1.500) equivale a uns 2,5 consoles de R$ 589 com controle. O Mario Kart 64 avulso (R$ 600) passa o mesmo console por R$ 11. E o GoldenEye 007 sozinho (R$ 1.399) pede mais que dois consoles com controle.
Contra o preço de época, sem correção, o quadro se inverte para o aparelho. O console de R$ 589 está abaixo dos R$ 640 ou R$ 680 cobrados no fim de 1996, enquanto o Zelda pede mais de 13 vezes os R$ 109,90 de uma fita de lançamento. Essas são comparações nominais, em reais de épocas diferentes.
Corrigidos pelo IPCA, os números mudam de escala. Nas contas do Canaltech, feitas em julho de 2025, o console de R$ 680 equivaleria a R$ 3.700,67, e cada fita de R$ 109,90 a R$ 686,83. O Olhar Digital, com base nos R$ 640, chegou a R$ 3.470,84. Por esse critério, o Mario Kart 64 de R$ 600 pede menos que uma fita nova custava em valores atualizados, e o Zelda completo pede mais que o dobro.
Para quem quer comparar com outros consoles que marcaram as lojas brasileiras, o CB Radar já mostrou um Mega Drive de primeira geração da Tec Toy pedindo R$ 780, e contou a história de um achado de 97 fitas de Super Mario guardadas numa caixa por anos.
Ocarina de volta ao noticiário
O jogo do anúncio mais caro voltou a circular por outro caminho. Em 8 de setembro de 2026, no Zelda Direct dos 40 anos da série, a Nintendo mostrou um remake de Ocarina of Time para o Switch 2, segundo o Olhar Digital. Enquanto a versão nova não chega, a original segue em Santa Maria (RS), com caixa, manual e um pedido de R$ 1.500 que nenhum dos consoles comuns da lista alcança.

