Um Mega Drive do primeiro modelo, fabricado pela Tec Toy, aparece anunciado por R$ 780 na OLX em Belo Horizonte (MG). No Rio de Janeiro, um cartucho de Street Fighter II com o selo da empresa brasileira pede R$ 1.000. Os dois valores foram conferidos na consulta de 7 de outubro de 2026 e são preços pedidos por vendedores, não preços de venda. É o retrato do preço do Mega Drive hoje nos classificados da OLX, 36 anos depois da estreia do console no Brasil.
O console não é um item de nicho. Segundo a própria Tec Toy, o Mega Drive vendeu 3 milhões de unidades no Brasil, número que a fabricante declarou e que a reportagem do Canaltech sobre a disputa com o Super Nintendo nos anos 1990 registra. O mesmo texto, publicado em 31 de maio de 2025, informa que a Playtronic declarou 2 milhões de Super Nintendo vendidos entre 1993 e 2000, e que, de acordo com a Tec Toy, quase 700 jogos do catálogo chegaram oficialmente ao país.
Novembro de 1990: Cr$ 70 mil e dez cartuchos
A chegada foi anunciada na página 9 do caderno de Economia de O Estado de S. Paulo de 22 de novembro de 1990, sob o título “Tec Toy lança no País o videogame Mega Drive”. A empresa havia apresentado o aparelho no dia anterior, e as unidades chegariam às lojas em dezembro. O jornal descrevia o console como “o mais poderoso e popular videogame do mundo, baseado no microprocessador Motorola 68000”, produzido no Brasil sob licença da Sega.
A página digitalizada no acervo do Estadão traz os números da estreia. O Mega Drive custaria Cr$ 70 mil, e os cartuchos, que eram apenas dez no lançamento, teriam preços entre Cr$ 7 mil e Cr$ 12 mil. Entre os primeiros títulos, o jornal citava Moonwalker, com Michael Jackson, e Super Monaco GP. A meta da Tec Toy, segundo a reportagem, era vender até 14 mil unidades ainda em 1990, o equivalente a 5% do parque instalado de Master Systems, o console anterior da marca. Com um adaptador vendido à parte, o novo aparelho aproveitava quase todos os jogos do Master System.
Os valores estão em cruzeiros, a moeda da época. A reportagem não oferece base para converter esse preço para o real, e este texto não faz essa conta.
Mega Drive da Tec Toy: o preço hoje em 45 anúncios

A busca da OLX por console Mega Drive Tectoy devolvia 45 anúncios na manhã de 7 de outubro de 2026; a busca mais ampla, por Mega Drive original, somava 595 resultados, que misturam consoles japoneses, versões em miniatura e jogos avulsos. Entre os anúncios do console brasileiro, a faixa ia de R$ 150 a R$ 2.300. Alguns exemplos, com o valor pedido, a cidade e, quando aparece, a data exibida no card:
- Mega Drive 1 da Tec Toy: R$ 780, Belo Horizonte (MG), card de 27 de setembro.
- Mega Drive 3, só o console: R$ 180, com pedido anterior de R$ 250, Rio de Janeiro (RJ), card de 20 de setembro.
- Mega Drive 3: R$ 220, Pinhalzinho (SP), card de 30 de setembro.
- Mega Drive 2 na caixa, com dez cartuchos: R$ 1.550, Betim (MG).
- Console descrito como impecável e de único dono: R$ 2.000, São Paulo (SP), sem o modelo informado no card.
- Versão Mortal Kombat 3: R$ 2.300, Itapevi (SP).
Nenhum desses números diz por quanto um console troca de mãos. O anúncio registra a expectativa de quem vende, e o mesmo card pode baixar de preço na semana seguinte, como mostram vários pedidos já reduzidos na própria página.
Caixa, modelo e edição separam R$ 180 de R$ 2.300
Lidos lado a lado, os anúncios repetem um padrão. Os pedidos mais baixos ficam com os modelos posteriores, Mega Drive 3 e Mega Drive 4, oferecidos muitas vezes “apenas o console”, sem controle original ou cabos, ou com dezenas de jogos gravados na memória. Os pedidos mais altos descrevem o oposto: aparelho na caixa, acompanhado de cartuchos, de controles originais ou de uma edição com nome próprio, como a versão Mortal Kombat 3 anunciada em Itapevi.
O exemplar de Belo Horizonte, identificado como do primeiro modelo, fica no meio dessa faixa. Ele pede mais que o dobro dos Mega Drive 3 avulsos do Rio e de Pinhalzinho e menos da metade do console de São Paulo descrito como impecável. Etiqueta de classificado mede vontade de vender, não raridade.
O interesse de colecionadores por eletrônicos antigos não se limita aos videogames, como mostra o caso do Nokia 1100 que virou item de coleção no mercado de usados.
O cartucho de R$ 1.000 e os de R$ 200
O anúncio de Street Fighter II no Rio de Janeiro traz no título as palavras raro, original e Tec Toy e pede R$ 1.000; o card mostra que o pedido anterior era de R$ 1.100 e traz a data de 10 de setembro. É o cartucho da Tec Toy mais caro entre os anúncios vistos na consulta de 7 de outubro de 2026, levantamento que se limitou à OLX e não cobre todo o mercado. A palavra “raro” é do anunciante; nenhuma fonte consultada confirma a raridade dessa versão.
Na mesma consulta, outro cartucho com o selo nacional, Arrow Flash, aparece por R$ 900, também no Rio. Já um Mega Bomberman identificado como nacional da Tec Toy pede R$ 230, em Pires do Rio (GO), e vários jogos avulsos do console aparecem na faixa de R$ 169 a R$ 350. O contraste com o lançamento é de outra ordem: em 1990, segundo o Estadão, todo o catálogo inicial cabia entre Cr$ 7 mil e Cr$ 12 mil por cartucho.
Entre colecionadores de fora do país, a avaliação formal de conservação costuma acompanhar os cartuchos mais disputados, como as notas da PSA no caso da caixa esquecida com 97 cartuchos de Super Mario nos Estados Unidos. Os anúncios brasileiros de Mega Drive vistos nesta consulta não informam esse tipo de certificação. Com 3 milhões de consoles vendidos no país, segundo a Tec Toy, o exemplar comum é o que mais aparece: a maioria dos anúncios de Mega Drive 3 fica entre R$ 180 e R$ 450.



