O chimarrão aquece as mãos enquanto a geada cobre os campos de araucária. A 884 metros de altitude, no coração da Serra Catarinense, Lages preserva o ritmo das cidades onde o frio é parte do cotidiano e o pinhão na brasa faz parte do café da tarde.
Como é viver na Princesa da Serra no dia a dia?
Com cerca de 165 mil habitantes, segundo o IBGE (Censo 2022), Lages é o maior município de Santa Catarina em extensão territorial e o principal centro urbano da Serra Catarinense. A cidade funciona como polo regional de serviços, concentrando atendimentos de saúde, educação e comércio para toda a região serrana.
A presença de instituições como a UDESC (Centro de Ciências Agroveterinárias) e a UNIPLAC fortalece a formação profissional local e atrai estudantes de diferentes cidades. O IDH municipal de 0,770, classificado como alto pelo PNUD, reflete esse desenvolvimento aliado a uma estrutura urbana consolidada.

Pinhão na brasa e entrevero na panela de ferro
A gastronomia lageana é filha direta do tropeirismo e do frio serrano. Os pratos são encorpados, feitos para aquecer, e o pinhão aparece em praticamente tudo.
- Pinhão sapecado: assado diretamente na brasa ou na chapa, é o lanche mais popular do inverno. A semente da araucária é símbolo da cidade e dá nome à maior festa local.
- Entrevero lageano: mistura de carnes, pinhão, queijo e temperos cozidos em panela de ferro sobre fogo de chão. Cada fazenda tem sua receita.
- Quirera com costelinha: canjica de milho salgada com costela de porco, herança das tropas que subiam a serra.
O vídeo de Diogo Elzinga apresenta Lages, em Santa Catarina, destacando-a como a “Princesa da Serra”, a capital do turismo rural e a terra da Festa do Pinhão. É a maior cidade do estado em extensão territorial e carrega uma forte herança cultural ligada ao tropeirismo.
A rota dos tropeiros que virou cidade em pleno planalto
Antes de se consolidar como município, Lages já era um importante ponto de passagem no caminho dos tropeiros que conduziam rebanhos entre o Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais. Em 22 de novembro de 1766, o bandeirante Antônio Correia Pinto de Macedo fundou a Freguesia de Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens, por ordem da Capitania de São Paulo, com o objetivo de reforçar a ocupação portuguesa na região.
O nome da cidade faz referência às grandes pedras de laje de arenito presentes no terreno, que também ajudam a contar sua história. Até hoje, a herança tropeira permanece viva nas fazendas centenárias, nas taipas de pedra que cruzam o planalto e na culinária de fogão a lenha. A região da Coxilha Rica, com seus antigos corredores de tropas e muros de pedra com mais de 200 anos, é reconhecida pelo IPHAN como patrimônio cultural ligado ao ciclo do tropeirismo.

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Quando o frio serrano favorece cada estilo de vida?
Lages tem clima subtropical de altitude, com quatro estações bem definidas. O inverno é rigoroso, com geadas frequentes e mínimas que já chegaram a -7°C. O verão é ameno, raramente ultrapassando os 28°C.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao planalto serrano catarinense?
Lages fica a 231 km de Florianópolis pela BR-282, com trajeto panorâmico de subida da serra que dura cerca de 3 horas. Para quem vem do Rio Grande do Sul ou do Paraná, o acesso principal é pela BR-116. O Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto (a 30 km), recebe voos comerciais. Ônibus partem diariamente de Florianópolis e Curitiba.
A serra onde o tempo passa mais devagar
Lages combina o que poucas cidades brasileiras oferecem: frio de verdade, tradições preservadas há mais de dois séculos, fazendas centenárias abertas a visitantes e um custo de vida que não compete com o litoral catarinense. A Princesa da Serra cresceu sem perder os ares de cidade onde o vizinho ainda acena do portão.
Você precisa conhecer Lages de perto, sentir o frio cortante de julho e entender por que tanta gente escolhe trocar a praia pela araucária sem olhar para trás.




