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Início Curiosidades

A microgravidade enfraquece os ossos no espaço, mas o problema pode continuar depois da volta à Terra

Por Maria Beatriz Silva
25/08/2026
Em Curiosidades
A microgravidade enfraquece os ossos no espaço, mas o problema pode continuar depois da volta à Terra

A microgravidade enfraquece os ossos no espaço, mas o problema pode continuar depois da volta à Terra

Ficar meses em microgravidade não afeta apenas músculos e equilíbrio. Os ossos também sofrem porque deixam de receber a carga mecânica produzida pela gravidade terrestre. Esse processo acelera a perda de densidade mineral e pode continuar influenciando o esqueleto depois do retorno.

Por que a ausência de gravidade faz os ossos dos astronautas perderem densidade?

Na Terra, os ossos que sustentam o corpo recebem estímulos mecânicos constantes durante atividades simples, como caminhar, levantar e permanecer em pé. Em microgravidade, essa carga diminui drasticamente. Como consequência, o organismo passa a remodelar o tecido ósseo de maneira diferente, com a reabsorção superando a formação em regiões importantes.

A perda é particularmente relevante em áreas como quadril e coluna, que normalmente suportam grande parte do peso corporal. O esqueleto não fica simplesmente parado no espaço: células responsáveis pela formação e pela degradação óssea continuam trabalhando, mas o equilíbrio entre esses processos muda quando desaparece a carga habitual exercida pela gravidade.

perda óssea em astronautas
Os exercícios resistidos são uma das principais estratégias utilizadas para reduzir os efeitos

O que acontece com os ossos quando o astronauta retorna à Terra?

Durante uma missão de quatro a seis meses, astronautas podem perder, em média, entre 1% e 1,5% da densidade óssea por mês nos ossos que sustentam o peso. O retorno à gravidade terrestre aumenta novamente a carga sobre o esqueleto, mas isso não significa que toda a estrutura perdida seja imediatamente reconstruída.

Pesquisas da NASA sobre alterações ósseas provocadas por voos espaciais indicam que a perda pode não ser completamente corrigida pela reabilitação. A agência também destaca exercícios resistidos e acompanhamento por exames como medidas importantes para reduzir os efeitos. Assim, a recuperação precisa ser tratada como um processo prolongado, e não instantâneo.

Por que parte da recuperação óssea pode ser limitada mesmo depois da volta?

O retorno à gravidade fornece novamente estímulos mecânicos capazes de favorecer a formação óssea. Porém, o processo de reconstrução não ocorre necessariamente na mesma velocidade em que o tecido foi perdido. A recuperação parece ter uma janela especialmente importante nos primeiros meses após o pouso, quando o organismo volta a responder às cargas da Terra.

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Um estudo com 17 astronautas acompanhados por imagens detalhadas mostrou que a reabsorção óssea durante seis meses em microgravidade foi três vezes maior que a formação. Após o retorno, houve aumento da formação, mas a recuperação de determinados locais de reabsorção tornou-se limitada depois dos primeiros seis meses, indicando que parte das alterações pode persistir.

perda óssea em astronautas
Ossos dos astronautas sofrem uma perda difícil de reverter

Quais partes do esqueleto sofrem mais com a permanência em microgravidade?

A perda óssea não acontece de maneira uniforme em todo o corpo. As regiões que normalmente recebem maior carga mecânica na Terra tendem a ser especialmente afetadas durante períodos prolongados de ausência de peso. Quadris, pernas e coluna estão entre as áreas acompanhadas pelos pesquisadores, justamente por sustentarem o corpo em condições terrestres.

Alguns efeitos relacionados à perda óssea incluem:

01 redução da densidade mineral dos ossos
02 maior reabsorção do tecido ósseo
03 alterações na estrutura interna do esqueleto
04 liberação aumentada de cálcio para o organismo
05 recuperação incompleta de determinadas regiões após o voo
06 necessidade de exercícios resistidos durante a missão

O que essa perda óssea significa para futuras missões espaciais de longa duração?

A questão ganha importância conforme as missões planejadas ficam mais longas e passam a envolver destinos como Lua e Marte. Um astronauta que permanece muitos meses longe da gravidade terrestre precisa chegar ao destino com ossos suficientemente resistentes e depois enfrentar outra mudança gravitacional. Proteger o esqueleto durante o voo é, portanto, uma questão de segurança operacional.

Na prática, astronautas realizam exercícios regularmente para reduzir a perda de massa óssea e muscular, enquanto pesquisadores testam novas estratégias de prevenção e tratamento. A experiência também pode contribuir para estudos sobre doenças ósseas na Terra. Compreender por que o esqueleto enfraquece e se recupera de forma incompleta ajuda a criar medidas mais eficazes para preservar sua resistência em diferentes ambientes.

Tags: densidade ósseaMicrogravidadenasaossos dos astronautasrecuperação ósseasaúde ósseavoos espaciais
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