Um planeta que está praticamente na nossa vizinhança cósmica acaba de entrar no catálogo da NASA. O Gl 725 B c fica a apenas 11,4 anos-luz e orbita dentro da região onde água líquida poderia existir em certas condições. O detalhe importante é que isso ainda não significa que ele seja habitável.
Onze anos-luz é perto na escala do espaço
A NASA adicionou o Gl 725 B c ao Exoplanet Archive em 20 de agosto de 2026, junto com outros mundos recém-incorporados à base. A distância de 11,4 anos-luz parece enorme no cotidiano, mas coloca esse sistema entre os vizinhos relativamente próximos do Sol.
Essa proximidade interessa porque estrelas próximas podem ser acompanhadas com mais detalhe do que sistemas localizados a centenas ou milhares de anos-luz. Na prática, cada nova observação pode ajudar a restringir massa, órbita e características da estrela. Mas há uma razão ainda mais forte para esse planeta chamar atenção.

Zona habitável não quer dizer planeta habitável
O Gl 725 B c orbita a cerca de 0,139 unidade astronômica de sua estrela, muito mais perto do que a Terra está do Sol. Isso funciona porque Gl 725 B é uma anã vermelha pequena e fria, com aproximadamente um quarto da massa solar e temperatura superficial perto de 3.379 K.
Para essa estrela, pesquisadores estimaram que a zona habitável fica aproximadamente entre 0,09 e 0,19 unidade astronômica. Essa faixa indica apenas onde a quantidade de energia recebida poderia permitir água líquida sob condições adequadas. Sem saber como são atmosfera, superfície e composição, ninguém pode afirmar que exista água ou vida ali.
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Um ano nesse planeta dura menos de 38 dias
O planeta completa uma volta ao redor de sua estrela em apenas 37,90 dias terrestres. Sua temperatura de equilíbrio foi estimada em cerca de 215 K, ou aproximadamente -58 °C, mas esse cálculo não considera possíveis efeitos de uma atmosfera, que poderiam alterar bastante a temperatura real da superfície.
A massa também exige cuidado. Como o planeta foi detectado por velocidade radial, o valor de 3,4 massas terrestres é uma massa mínima, não necessariamente a massa verdadeira. E ainda não há uma medida de seu raio que permita dizer com segurança se estamos diante de um mundo rochoso ou de algo com uma grande camada de gases.
O planeta apareceu no balanço quase invisível da estrela
Os pesquisadores usaram o SPIRou, instrumento instalado no telescópio Canadá-França-Havaí, para medir pequenas mudanças na velocidade da estrela. Um planeta não fica parado enquanto gira ao redor dela: sua gravidade também puxa a estrela, produzindo um movimento minúsculo que altera a luz recebida pelos instrumentos.
No caso do Gl 725 B c, o sinal observado teve uma amplitude de apenas cerca de 1,7 metro por segundo. A equipe precisou corrigir interferências causadas pela própria atmosfera terrestre para revelar melhor esse movimento. É uma diferença pequena o bastante para mostrar por que encontrar mundos leves ao redor de outras estrelas continua sendo difícil.

No mesmo sistema há outro mundo que continua candidato
A atualização do NASA Exoplanet Archive trouxe uma distinção importante. O Gl 725 B c está confirmado, enquanto Gl 725 B b aparece apenas como candidato. Esse segundo sinal indicaria um planeta de pelo menos 1,5 massa terrestre completando uma órbita a cada 4,765 dias.
O candidato estaria muito mais perto da estrela, a aproximadamente 0,035 unidade astronômica, e teria temperatura de equilíbrio estimada em 430 K. Ele precisa de mais observações para ganhar o mesmo status do planeta c. Misturar os dois é fácil porque pertencem à mesma estrela, mas cientificamente as evidências ainda têm pesos diferentes.
O que os astrônomos podem tentar medir agora
A curta distância torna o sistema atraente para novos estudos, mas não elimina os obstáculos. Pesquisadores ainda precisam restringir melhor a órbita e a massa do planeta e buscar informações que permitam entender sua composição. Detectar ou estudar uma atmosfera seria um passo muito maior e depende também de como o planeta está alinhado em relação à Terra.
Quem quiser conferir a atualização pode acessar o registro de 20 de agosto do NASA Exoplanet Archive. O ponto mais interessante do Gl 725 B c não é prometer uma segunda Terra, mas colocar um planeta de baixa massa e em zona habitável muito perto de nós em termos astronômicos.




