O vapor que surge das águas de Caldas Novas, no sul de Goiás, cria uma paisagem que parece contrariar a lógica do Cerrado. Mesmo nas noites frias de julho, piscinas naturais permanecem aquecidas, com temperaturas entre 34 °C e 58 °C. O fenômeno transformou a cidade no principal destino hidrotermal do país e revelou um dos maiores sistemas de águas termais do planeta.
O caminho subterrâneo que aquece as águas de Caldas Novas
O processo começa com a chuva que penetra nas rochas da Serra de Caldas por meio de fissuras naturais. A água percorre grandes profundidades, chegando a mais de 1.000 metros abaixo da superfície, onde absorve o calor interno da Terra antes de retornar aquecida por nascentes e poços. A formação geológica da serra, com aparência oval semelhante a uma cratera, chamou atenção até da NASA, que registrou a área pelo satélite Landsat 9 em maio de 2025.
A relação da cidade com as águas quentes começou em 1722, quando o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva encontrou fontes fumegantes durante uma expedição em busca de ouro. As nascentes permaneceram pouco exploradas até 1777, quando Martinho Coelho de Siqueira teria redescoberto a região durante uma caçada. Segundo a tradição local, seus cães chamaram atenção ao entrarem na Lagoa de Pirapitinga, onde a temperatura ultrapassa 57 °C. Hoje, o local integra o Lagoa Quente Park e abriga o famoso “Poço Cozinha Ovos”, conhecido pela capacidade de cozinhar um ovo em poucos minutos.

Quais parques aquáticos valem o ingresso?
A região de Caldas Novas e da vizinha Rio Quente reúne parques para todos os perfis. O diferencial é que a água das piscinas vem naturalmente quente do subsolo.
- Hot Park: na cidade de Rio Quente (30 km do centro), abriga a Praia do Cerrado, maior praia artificial de águas quentes do mundo, com areia branca e nove tipos de ondas.
- Parque das Fontes: piscinas rústicas com água a 37,5 °C constantes, duchas naturais e ofurôs escavados na rocha. É o berço do turismo local.
- diRoma Acqua Park: 55 mil m² de área com toboáguas radicais saindo de um vulcão cenográfico, rio lento e área infantil com caravela.
- Lagoa Quente Park: trilha interpretativa até a Lagoa de Pirapitinga, painéis sobre a história das termas e piscinas com toboáguas.
- Náutico Praia Clube: às margens do Lago Corumbá, combina piscinas termais com esportes náuticos.
Quais atrações conhecer além das águas termais?
Embora as piscinas quentes sejam o principal cartão-postal de Caldas Novas, a cidade também oferece opções para quem quer explorar natureza, história e lazer fora dos complexos termais. O Parque Estadual da Serra de Caldas Novas (PESCaN), criado em 1970, é a unidade de conservação mais antiga de Goiás e protege 12.315 hectares de Cerrado preservado, além de ser fundamental para a recarga dos aquíferos que alimentam as águas quentes da região. O parque possui trilhas como a da Cascatinha, com 716 metros, e a do Paredão, com 1,1 km, que levam a cachoeiras de água fria e mirantes acima de 1.000 metros de altitude.
Além das paisagens naturais, Caldas Novas reúne atrações espalhadas pela área urbana e pelos arredores. O Lago Corumbá, localizado a cerca de 7 km do centro, possui um espelho d’água de 65 km² e recebe visitantes para passeios de lancha, jet-ski e pesca esportiva. Na região central, a Praça Mestre Orlando reúne a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, construída em 1850, além de bares e comércio. Já a Feira do Luar, realizada todas as noites, combina gastronomia regional e artesanato, enquanto o Jardim Japonês oferece um passeio tranquilo entre pedras, pavões e elementos de paisagismo oriental.
O vídeo do canal “3em3” apresenta os melhores passeios em Caldas Novas, Goiás, famosa por suas águas termais e parques aquáticos. O roteiro foca em lazer para todas as idades, com opções que vão da adrenalina ao descanso.
Empadão goiano e cachaça artesanal na mesa do turista
A gastronomia de Caldas Novas segue a tradição do interior goiano, com sabores fortes e porções generosas.
- Empadão goiano: torta recheada com frango, pequi, guariroba, linguiça e queijo. Prato obrigatório da cidade.
- Galinhada com pequi: arroz com frango caipira e o fruto mais emblemático do Cerrado, servido em praticamente todo restaurante regional.
- Pamonha e curau: feitos com milho verde, presentes nas feiras e barracas de rua.
- Cachaça artesanal: a Cachaçaria Vale das Águas Quentes produz destilados em alambiques coloniais e abre para visitação diária.

Quando a água quente fica ainda melhor?
Caldas Novas pode ser visitada o ano inteiro, mas o inverno seco é a alta temporada. O contraste entre o ar fresco da noite e a água a 37 °C torna o banho termal irresistível.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Qual é o caminho até a maior estância termal do mundo?
Caldas Novas está localizada a cerca de 170 km de Goiânia, com acesso principal pela GO-139, e a aproximadamente 308 km de Brasília, pela BR-153. A cidade possui aeroporto próprio com estrutura para receber aeronaves de maior porte, embora os voos sejam principalmente sazonais. Também há linhas de ônibus diárias partindo da capital goiana e do Distrito Federal. Para quem deseja visitar o complexo turístico vizinho de Rio Quente, onde fica o Hot Park, o trajeto é de cerca de 30 km pela GO-507.
A cidade onde a Terra transforma água em atração
Caldas Novas conseguiu transformar um fenômeno natural raro em uma das experiências turísticas mais conhecidas do Brasil. As águas aquecidas pelas profundezas do solo, combinadas com a culinária típica do Cerrado e o ritmo tranquilo do interior goiano, criaram um destino procurado por famílias, casais e viajantes durante todo o ano.
Sentir a água quente que percorreu quilômetros abaixo da superfície antes de retornar à luz do dia é entender por que Caldas Novas se tornou um dos maiores símbolos das águas termais no mundo. Entre piscinas, natureza e história, a cidade revela um dos espetáculos geológicos mais curiosos do país.




