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Início Cidades

A pequena cidade que Guimarães Rosa chamou de “milmaravilha” e guarda a gruta que fundou a paleontologia brasileira

Por Maura Pereira
28/08/2026
Em Cidades, Turismo
Guimarães Rosa eternizou a frase “O real não está na saída nem na chegada, mas no meio da travessia” e levou fama a uma pequena vila do interior

Cordisburgo mistura o silêncio do interior mineiro com a grandeza de um patrimônio que combina literatura, paleontologia e fé. / Imagem ilustrativa

O escritor gostava de dizer que aquele era um pedaço de sertão bonito demais. Cordisburgo, a 120 km de Belo Horizonte, foi o berço de João Guimarães Rosa e guarda uma gruta descoberta em 1835 por um naturalista dinamarquês que mudou a ciência brasileira.

Um circuito turístico com nome de cientista

A cidade integra a Rota das Grutas Peter Lund, circuito organizado pelo Governo de Minas Gerais para valorizar as descobertas do dinamarquês Peter Wilhelm Lund, que viveu entre 1801 e 1880 e é considerado o pai da paleontologia no Brasil.

A trajetória de Lund pelas cavernas do interior mineiro passou por Lagoa Santa, Pedro Leopoldo e Sete Lagoas, mas foi em Cordisburgo que ele deixou o registro mais famoso. O cientista explorou a Gruta do Maquiné a partir de 1835 e encontrou ali fósseis que consolidaram sua reputação internacional.

Segundo a Prefeitura de Cordisburgo, a preguiça-pequena batizada de Nothrotherium maquinensis foi uma das espécies identificadas por Lund a partir de fósseis encontrados na caverna, e ganhou o nome científico em referência ao próprio local.

Cordisburgo abriga mais de 60 grutas conhecidas, e a mais célebre é a Gruta do Maquiné. / Créditos: Wikimedia Commons

O que fazer na Gruta do Maquiné e no complexo?

A gruta tem 1.312 metros de extensão total, com cerca de 650 metros abertos ao público, distribuídos em sete salões, segundo o portal oficial de turismo do Estado de Minas Gerais. Cada câmara ganhou nome próprio conforme as formações que aparecem no interior.

  • Gruta do Maquiné: percurso guiado por passarelas nos sete salões, com estalactites, estalagmites, colunas e cortinas esculpidas pela água ao longo de milênios.
  • Museu da Gruta do Maquiné: acervo com fósseis, réplicas de espécies extintas e a Nothrotherium maquinensis, aberto diariamente das 8h às 16h30, sem cobrança de ingresso.
  • Monumento Natural Estadual Peter Lund: unidade de conservação gerida pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), na Rodovia Alberto Ramos (MG-231), km 7.
  • Grutas Morena e Salitre: outras cavernas do território municipal, integradas ao Circuito das Grutas.
  • Poço Azul e Lagoa Jaime Diniz: opções de banho e caminhada em meio à natureza, na área rural.

O uso de sapato fechado é obrigatório para entrar na gruta, e o acesso é feito com guia credenciado. A visitação costuma acontecer em grupos organizados ao longo do dia.

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O sertão de Guimarães Rosa em três endereços

Uma parte do encanto de Cordisburgo está nas homenagens ao filho ilustre. O escritor de Grande Sertão: Veredas nasceu na cidade e mantém a presença viva no calendário local.

  • Museu Casa Guimarães Rosa: instalado na antiga residência do escritor, reúne objetos pessoais e profissionais, fotografias, edições nacionais e internacionais de suas obras e documentação textual.
  • Portal Grande Sertão: monumento inaugurado em 27 de junho de 2010 na Praça Miguilim, data em que Guimarães Rosa completaria 102 anos, fruto de parceria entre o Governo de Minas, a Associação dos Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa e a Prefeitura.
  • Zoológico de Pedras Peter Lund: praça com esculturas de animais do Pleistoceno feitas em tela, areia e cimento pelo artista Stamar Azevedo, reproduzindo espécies encontradas pelo naturalista nos arredores.
  • Casa Elefante: espaço cultural com decoração curiosa, parte do roteiro que a Prefeitura mantém para receber visitantes.

Grupos de jovens voluntários chamados Miguilim costumam receber os visitantes no museu e narram trechos das obras do autor. É um ritual que virou marca da cidade.

Cordisburgo mistura o silêncio do interior mineiro com a grandeza de um patrimônio que combina literatura. / Créditos: Wikipedia

Como é o clima de Cordisburgo durante o ano?

O clima é tropical de altitude, com verões chuvosos e invernos secos. Junho registra apenas 7 mm de chuva na média histórica, e o meio do ano costuma render as melhores condições para caminhar entre grutas e trilhas.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 18-29°C
Chuva: Alta
O volume elevado de chuvas incentiva a visita ao Museu e Portal Grande Sertão.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 15-28°C
Chuva: Média
O clima ameno e estável favorece a Gruta do Maquiné pela manhã.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 12-28°C
Chuva: Baixa
Com tempo firme e baixa precipitação, destacam-se as trilhas e a Rota das Grutas Peter Lund.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 16-30°C
Chuva: Média
O aquecimento gradual acompanha o Poço Azul e o Zoológico de Pedras.
💡 Dica do especialista: O Verão (18°C a 29°C) registra chuva alta, período propício para visitar o Museu e Portal Grande Sertão. No Outono (15°C a 28°C), as precipitações médias criam o cenário ideal para explorar a Gruta do Maquiné pela manhã. O Inverno (12°C a 28°C) traz baixa incidência de chuva e dias firmes, marcando presença com as trilhas e a Rota das Grutas Peter Lund. Por fim, a Primavera (16°C a 30°C) combina clima agradável com o Poço Azul e o Zoológico de Pedras.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao interior mineiro?

O acesso mais comum parte de Belo Horizonte pela BR-040, sentido Brasília, por cerca de 93 km, com desvio de mais 22 km até a sede do município. A entrada da Gruta do Maquiné fica um pouco além, a 27 km da rodovia principal.

Linhas regulares de ônibus fazem o percurso de Sete Lagoas, Curvelo e da capital mineira. Dentro da cidade, o centro se resolve a pé, e a gruta pede carro próprio ou transporte turístico contratado.

Leia também: O paraíso geológico de Mato Grosso com cavernas gigantes, cachoeiras e mirantes cercados pelo Cerrado.

A milmaravilha da serra mineira

Poucos destinos brasileiros combinam berço da literatura, referência da paleontologia e cavernas de arenito no mesmo raio de vinte quilômetros. Cordisburgo cabe num fim de semana e ainda deixa espaço para uma segunda visita.

Você precisa passar um dia em Cordisburgo e ouvir os Miguilim contarem, com sotaque de sertão, os causos que Guimarães Rosa deixou por escrito.

Tags: cordisbrugoMinas Gerais
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