Quem desce a Serra do Mar pela ferrovia de 1885 encontra Morretes no fundo do vale, entre montanhas cobertas de Mata Atlântica. A 70 km de Curitiba, a cidade colonial paranaense reúne casarões à beira do rio Nhundiaquara, o prato típico oficial do Paraná e uma das paisagens mais preservadas do sul do país.
Uma cidade que nasceu no caminho do ouro
Fundada em 31 de outubro de 1733 por Rafael Pires Pardinho, Morretes ganhou o nome dos morros que a cercam. O povoado surgiu como ponto de passagem para os viajantes que subiam a Serra do Mar rumo ao planalto e prosperou nos ciclos do ouro e, mais tarde, da erva-mate, quando servia de elo entre o litoral paranaense e o interior.
Segundo o Patrimônio Cultural do Paraná, o conjunto histórico tem tombamento estadual, com casarões coloniais, igrejas e o antigo distrito de Porto de Cima protegidos. O calçamento de pedras irregulares e as fachadas preservadas mantêm a atmosfera de vila portuária do século XVIII.

O que fazer em Morretes?
As atrações se dividem entre centro histórico, natureza e gastronomia. Vale conhecer:
- Centro histórico: casarões coloniais e ruas de pedra ao longo do rio Nhundiaquara, com restaurantes, ateliês e a Feirinha de produtos regionais.
- Igreja Matriz Nossa Senhora do Porto: templo colonial de fachada simples, um dos marcos arquitetônicos da cidade, de frente para o rio.
- Parque Estadual Pico do Marumbi: conjunto de montanhas com o Pico Olimpo a 1.539 metros, trilhas para todos os níveis e cachoeiras.
- Estrada da Graciosa (PR-410): caminho tropeiro do século XIX declarado Reserva da Biosfera pela UNESCO, com mirantes e paradas obrigatórias.
- Porto de Cima: distrito ao pé da serra com praia fluvial, antigos alambiques e cachaças artesanais de banana.
- Barreado nos restaurantes à beira-rio: prato oficial do Paraná, cozido por horas em panela de barro, servido com farinha de mandioca e banana.
O trem que atravessa a Mata Atlântica em 110 km
O passeio ferroviário Curitiba-Morretes é uma experiência à parte. A ferrovia foi inaugurada em 1885 e é considerada uma das rotas mais cênicas do Brasil. O trajeto de cerca de 110 km cruza dezenas de pontes e túneis centenários, atravessando um dos trechos mais preservados de Mata Atlântica do país, com vista para o Conjunto do Marumbi.
Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), órgão ambiental do estado, o trem parte diariamente da Rodoferroviária de Curitiba e leva cerca de duas horas até a sede do Parque Estadual Pico do Marumbi, em Morretes. O passeio até a cidade dura aproximadamente 4 horas e é operado pela Serra Verde Express.

Como é o clima de Morretes durante o ano?
O clima é subtropical úmido, com chuvas bem distribuídas o ano todo. O verão é quente e chuvoso, e o inverno traz manhãs frescas ideais para trilhas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Morretes?
Morretes fica a 70 km de Curitiba e pode ser acessada por três caminhos, cada um com sua paisagem. De carro, a opção mais rápida é a BR-277, com cerca de 1h de descida. A alternativa cênica é a Estrada da Graciosa (PR-410), com 33 km de curvas e mirantes na Mata Atlântica. E há o passeio de trem pela ferrovia Paranaguá-Curitiba, indicado para quem prioriza a paisagem sobre a rapidez.
Vale conhecer Morretes
Morretes reúne história colonial, gastronomia oficial do Paraná e uma das rotas ferroviárias mais bonitas do Brasil em um mesmo dia de viagem. Poucos destinos combinam descida de serra, casarões preservados e barreado servido de frente para o rio.
Você precisa reservar um fim de semana para descer a serra de trem, almoçar de frente para o Nhundiaquara e entender por que essa cidade paranaense virou refúgio de quem quer ver o Brasil colonial ainda em pé.




