Correio Braziliense
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
    • Beleza
  • Automobilismo
  • Turismo
    • Cidades
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
    • Jardinagem
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
    • Beleza
  • Automobilismo
  • Turismo
    • Cidades
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
    • Jardinagem
Sem resultado
Veja todos os resultados
Correio Braziliense
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • Notícias
  • Economia
  • Entretenimento
  • Tecnologia
  • Bem-Estar
  • Automobilismo
  • Turismo
  • Curiosidades
  • Casa e Decoração
Início Bem-Estar

A psicologia diz que pessoas que deixam o melhor pedaço da comida para o final não estão apenas saboreando, mas treinam o mesmo autocontrole medido no teste do marshmallow de Stanford, que acompanhou crianças por décadas

Por João Victor
05/09/2026
Em Bem-Estar
Melhor pedaço guardado na beira do prato

Melhor pedaço guardado na beira do prato. Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Um convidado empurra a lasca de bacalhau para a beira do prato, come o arroz, depois a batata, e só quando o resto acabou volta ao pedaço que separou desde a primeira garfada. É uma composição, mas qualquer almoço de domingo tem alguém assim, e a pergunta que ela levanta é real.

A psicologia tem um nome antigo para esse gesto: gratificação adiada. E tem também um experimento que virou lenda, o teste do marshmallow de Stanford, em que crianças de quatro anos escolhiam entre um doce agora e dois doces depois. A ideia de que deixar o melhor para o final, segundo a psicologia, treina o mesmo músculo mental é sedutora. Só que a história tem uma segunda metade que quase ninguém conta.

O texto passa pelo experimento de Walter Mischel, pelo acompanhamento de décadas e pela replicação de 2018 que encolheu o efeito: menos força de vontade, mais contexto familiar.

De onde vem a ligação entre o último pedaço e o teste do marshmallow?

O teste mede exatamente isso: abrir mão de um prazer pequeno e imediato em troca de um prazer maior e adiado.

Quem guarda a melhor parte do prato faz uma versão doméstica da mesma escolha: o pedaço está visível, ao alcance do garfo, e a pessoa passa por cima dele várias vezes até o momento que considera certo. Em psicologia, isso é autocontrole: segurar um impulso presente em nome de um objetivo futuro. No prato, porém, ninguém mede o tempo. No laboratório de Walter Mischel, tudo começou com um cronômetro.

Como funciona o experimento de Stanford com crianças de quatro anos?

Criança diante do marshmallow no teste de Stanford
Criança diante do marshmallow no teste de Stanford. Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

O trabalho mais citado é o de Mischel, Ebbesen e Zeiss, de 1972, no Journal of Personality and Social Psychology, com crianças da escola infantil Bing, da Universidade Stanford.

Leia Também

Psicologia explica por que um pequeno erro em público parece muito maior para quem o comete

Psicologia explica por que um pequeno erro em público parece muito maior para quem o comete

05/11/2026
Frase do dia de Marco Aurélio, “A melhor forma de vingança é não se tornar igual à pessoa que fez o mal”

Frase do dia de Marco Aurélio, “A melhor forma de vingança é não se tornar igual à pessoa que fez o mal”

04/11/2026
Andar rápido pode refletir contexto, urgência e condicionamento, sem definir personalidade ou produtividade

Os psicólogos concordam: as pessoas que andam rápido não são determinadas, mas também gerenciam bem o seu tempo

04/11/2026
Marco Aurélio explica por que conviver com pessoas difíceis exige mais do que simplesmente tentar mudar o comportamento delas

Marco Aurélio explica por que conviver com pessoas difíceis exige mais do que simplesmente tentar mudar o comportamento delas

03/11/2026

O desenho era simples. O pesquisador deixava um doce na mesa (marshmallow, biscoito ou pretzel, conforme a preferência da criança), saía da sala e prometia recompensa dobrada para quem esperasse a volta dele sem tocar na guloseima. Quem não aguentasse tocava uma campainha e comia o doce único na hora. O estudo de 1972 não queria prever o futuro de ninguém: testava o que ajudava a criança a esperar. A resposta, registrada no artigo, foi que a espera dependia do que a criança fazia com a atenção: com o doce escondido, ou com uma brincadeira mental para se distrair, o tempo subia bastante; olhando fixamente para a recompensa, ela desistia rápido. Desde o começo, a pesquisa apontava para estratégia, não para virtude fixa.

O que o acompanhamento por décadas encontrou nessas crianças?

A fama veio depois, quando a equipe reencontrou as mesmas crianças já adolescentes.

Em 1989, Mischel, Shoda e Rodriguez resumiram na revista Science os primeiros resultados desse seguimento, e em 1990 Shoda, Mischel e Peake detalharam os dados na Developmental Psychology. O artigo de 1990 relata que os segundos de espera na pré-escola se correlacionaram, anos depois, com competência cognitiva e acadêmica e com a capacidade de lidar com frustração e estresse, segundo a avaliação dos pais. A correlação aparecia com força apenas na condição em que o doce ficava exposto e nenhuma estratégia era sugerida. E os próprios autores registraram que a amostra que chegou à adolescência era pequena, formada por filhos de famílias ligadas a uma universidade de elite. Foi esse estudo que alimentou a ideia de que o autocontrole aos quatro anos previa o sucesso adulto.

Por que a replicação de 2018 mudou a conclusão?

Em 2018, Tyler Watts, Greg Duncan e Haonan Quan publicaram na Psychological Science uma replicação com amostra dez vezes maior, e o efeito encolheu.

Os pesquisadores usaram dados de 918 crianças acompanhadas por um estudo nacional americano de cuidado infantil, com o teste aplicado aos 54 meses de idade e os resultados medidos aos 15 anos, conforme o artigo e o comunicado da Universidade de Nova York. Diferentemente da turma de Stanford, 552 eram filhos de mães sem diploma universitário. O que apareceu:

  • Efeito menor: a espera aos quatro anos ainda se associava a desempenho em matemática e leitura aos 15, mas a associação era pequena, e caiu cerca de dois terços quando os autores controlaram contexto familiar, ambiente doméstico e capacidade cognitiva precoce, segundo Watts, Duncan e Quan.
  • Comportamento não previsto: as ligações com comportamento e personalidade aos 15 anos foram pequenas e raramente significativas, segundo o mesmo estudo.
  • Os primeiros 20 segundos: quase toda a diferença no desempenho escolar vinha de a criança conseguir esperar pelo menos 20 segundos, e não de aguentar os 7 minutos completos do teste, ainda conforme os autores.

A leitura de Watts, no comunicado da universidade, é que ensinar a criança a esperar sem mudar suas condições mais gerais tende a produzir efeitos muito pequenos. A criança que espera pelo segundo doce costuma ser a que cresceu num ambiente em que promessas de adultos se cumprem e há comida amanhã. A espera é sintoma de contexto tanto quanto de caráter.

O que o hábito de deixar o melhor para o final diz, e o que não diz?

Depois da correção de 2018, o gesto do prato continua interessante, mas no tamanho certo.

O que ele diz: a pessoa tolera um adiamento pequeno e organiza o prazer em vez de consumi-lo de qualquer jeito. É autocontrole em escala de mesa, uma habilidade real. O que ele não diz: que essa pessoa é mais disciplinada ou mais bem-sucedida do que quem come o bacalhau primeiro. O teste media uma escolha sob pressão; o prato mede preferência de sabor, de ritmo, às vezes hábito de família. E o autocontrole é sensível ao ambiente, como o CB Radar já contou ao mostrar como a fome derruba o autocontrole de qualquer adulto. Quem guarda o melhor pedaço num dia tranquilo pode devorá-lo primeiro num dia de estresse.

Quando adiar o prazer deixa de ser virtude?

Há um limite do outro lado: adiar sempre, em tudo, também é um padrão.

Um seguimento de 2011, de B. J. Casey e colegas, com 59 antigos alunos da escola Bing já perto dos 40 anos, mostrou que diferenças no controle de impulsos persistiam décadas depois; ainda assim, Mischel insistia que a habilidade se aprende e se perde conforme as estratégias disponíveis. O ponto prático: guardar o melhor para depois funciona quando o depois chega. Quem nunca come o pedaço tem um problema diferente, que o CB Radar tratou ao mostrar como o hábito de adiar prazer pode sobreviver à aposentadoria. O marshmallow só vale a espera se, em algum momento, a criança o come.

O que convém lembrar sobre deixar o melhor pedaço para o final?

Guarde o gesto como o que ele é: um pequeno exercício de tolerância ao adiamento, não um atestado de caráter. Para treinar autocontrole de verdade, use o que Mischel descobriu em 1972: tire a tentação da vista, ocupe a cabeça com outra coisa e encurte a espera até um tamanho que dá para cumprir. Desconfie de teste rápido que prometa prever o futuro de uma criança, e lembre o resultado de 2018 antes de cobrar do filho uma paciência que o ambiente ainda não lhe deu. Se o seu padrão muda com fome ou cansaço, o que está em jogo é o contexto, não a pessoa. E, de vez em quando, coma o pedaço bom primeiro, para confirmar que a regra é sua.

Pessoas que deixam o melhor pedaço para o final não estão apenas saboreando, mas exercitando uma forma cotidiana de adiar recompensa; isso não é diagnóstico de nada e não mede disciplina, sucesso ou valor de ninguém. O artigo é informativo; quem sentir que precisa, procura um psicólogo, para quem sente que a relação com a comida ou com a espera está causando sofrimento.

Tags: autocontrolepsicologiaUniversidade StanfordWalter Mischel
EnviarCompartilhar30Tweet19Compartilhar
    • Notícias
    • Economia
    • Entretenimento
    • Tecnologia
    • Bem-Estar
      • Beleza
    • Automobilismo
    • Turismo
      • Cidades
    • Curiosidades
    • Casa e Decoração
      • Jardinagem
    Sem resultado
    Veja todos os resultados