Fundada em 1667 a partir do acampamento de bandeirantes ligados a Fernão Dias Pais Leme, Sete Lagoas hoje reúne 17 espelhos d’água, uma caverna de 998 metros ainda em formação e um passado que passa por Tiradentes.
O acampamento bandeirante que virou cidade
Em algum ponto entre 1667 e 1681, um grupo de sertanistas paulistas acampou às margens do Ribeirão Matadouro, na planície central de Minas Gerais. Eles vinham da bandeira de Fernão Dias e batizaram o lugar por causa das sete lagoas naturais que encontraram no entorno.
Cerca de um século depois, entre 1780 e 1781, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, comandou a guarnição militar responsável pelo posto de arrecadação fiscal instalado ali. A emancipação política só veio em 24 de novembro de 1867, quando o território se desmembrou de Santa Luzia do Rio das Velhas.

Sete lagoas no nome e 17 dentro do município
O nome conta apenas parte da história. A cidade tem hoje 10 espelhos d’água no perímetro urbano e 17 em todo o território, segundo registros da Prefeitura de Sete Lagoas. As sete lagoas oficiais foram definidas por lei municipal de 1989: Boa Vista, Catarina, Chácara, Cercadinho, José Felix, Matadouro e Paulino.
A Lagoa Paulino, no centro, é o cartão-postal com 2 km de perímetro, orla de palmeiras, pedalinhos e a Ilha do Milito ligada à margem por uma ponte. O entorno concentra bares, restaurantes e caminhadas noturnas dos moradores, especialmente nos fins de semana.
Como é morar em uma das 10 melhores cidades de Minas?
Sete Lagoas registra IDHM de 0,760, classificado como alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O município aparece entre as 10 melhores cidades para viver em Minas Gerais em rankings estaduais recentes, com destaque para serviços públicos e segurança acima da média.
A economia soma indústria pesada e comércio regional. Multinacionais como Iveco e Ambev mantêm fábricas na cidade, que ocupa posição de destaque no ranking industrial mineiro. A proximidade com Belo Horizonte, a 70 km pela BR-040, e com o Aeroporto Internacional de Confins, a 40 km, completa o pacote de atrativos.

O que fazer na cidade das grutas milenares?
O roteiro cabe em dois dias e mistura espelhos d’água urbanos, serra com voo livre e uma das cavernas mais antigas do Brasil. As atrações ficam em raio curto do centro.
- Gruta Rei do Mato: Monumento Natural Estadual com 998 m de extensão, quatro salões e as Colunas Gêmeas de calcita, formação considerada única no mundo.
- Grutinha: anexa à Rei do Mato, guarda pinturas rupestres feitas com sangue e gordura vegetal há mais de 6 mil anos e uma réplica do Xenorhinotherium bahiensis.
- Lagoa Paulino: cartão-postal urbano com 2 km de perímetro, orla arborizada, pedalinhos e programação de bares e restaurantes ao redor.
- Serra de Santa Helena: 1.076 m de altitude, com capela histórica no topo, trilhas leves e rampa de voo livre para os mais aventureiros.
- Parque da Cascata: área de preservação com cachoeiras, trilhas em transição entre cerrado e Mata Atlântica, ar puro a poucos minutos do centro.
- Museu Ferroviário: instalado na antiga estação, preserva o acervo do ciclo do trem que ajudou a definir o traçado urbano.
A gruta viva que ainda cresce sob a terra
Considerada uma gruta “viva” pelos especialistas, a Rei do Mato tem formações que continuam crescendo pela ação da água. No quarto salão, duas colunas paralelas perfeitamente cilíndricas com 12 metros de altura e 25 centímetros de diâmetro são consideradas formação única no país.
O Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato foi criado pela Lei Estadual nº 18.348 de 2009, com gestão do Instituto Estadual de Florestas (IEF). O local integra a Rota das Grutas de Peter Lund, circuito estadual que passa por cinco municípios mineiros e soma mais de 2,4 mil hectares.
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Sabores da cozinha mineira central
A mesa sete-lagoana carrega o receituário mineiro em versão sem enfeites. Os pratos aparecem nos self-services de comida caseira e nas cantinas de bairro.
- Frango com quiabo: prato-símbolo da cozinha mineira, servido em self-services do centro com angu e arroz.
- Feijão tropeiro: mistura de feijão, farinha, torresmo e couve que herda o preparo dos comboios coloniais.
- Doces de tacho: goiabada, doce de leite e figada servidos em cafés e feiras, ainda feitos em fogão a lenha por famílias tradicionais.
- Cachaça artesanal: alambiques do entorno rural abastecem bares da cidade com rótulos que envelhecem em madeira nativa.

Qual a melhor época para visitar a cidade das lagoas?
O clima tropical de altitude garante temperatura média de 21,7°C, favorecida pelos 767 m de altitude média. O inverno seco é a temporada preferida para trilhas e passeios nas grutas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Terra das Lagoas Encantadas?
Sete Lagoas fica a 70 km de Belo Horizonte pela BR-040, cerca de 1 hora de carro. O Aeroporto Internacional de Confins, um dos maiores do país em movimentação, está a 40 km, o que torna o município um destino prático para quem chega de outros estados.
A cidade das águas e das colunas gêmeas
Poucos municípios mineiros reúnem lagoas urbanas, gruta com formações únicas no país e herança bandeirante no mesmo endereço. Sete Lagoas entrega o cotidiano do interior, a rampa de voo livre da serra e a caverna que ainda cresce em três dias de viagem.
Você precisa descer da BR-040 e caminhar pela orla da Lagoa Paulino ao entardecer para entender por que tanta gente troca a capital pela Terra das Lagoas.




